A capital cresceu e desenvolveu-se sempre numa estreita relação com as povoações dos subúrbios por razões económicas (desenvolvimento da agricultura e da indústria) ou de lazer (quintas). São esses testemunhos que hoje encontramos, marcando várias teses e vários tipos de ocupação humana desta área envolvente de Lisboa, que, em alguns casos, não é mais do que a continuidade da cidade. Esta situação e bem evidente hoje, com a construção de casario que se prolonga num vasto perímetro em redor de Lisboa, quase sem deixar espaços livres e verdejantes, como outrora ofereciam as velhas quintas voltadas para o Tejo.

Vila Franca – Povos - Castanheira

Na margem direita do Tejo e a 25 km de Lisboa pela auto-estrada, assenta a cidade de Vila Franca de Xira, em extensa planície entre os montes que lhe fazem muralha natural a norte e o Tejo, que corre a sul.

Vale a pena começar a visita pelo seu museu local. O Museu Municipal de Vila Franca de Xira - núcleo sede -, que fica situado na Rua Serpa Pinto, 63, edifício do antigo tribunal, facilita a integração na área do concelho através de um conjunto de peças arqueológicas, documentais e artísticas representativas da história do município desde o Paleolítico até ao século XVIII.

De seguida, passamos a Estação de Caminhos de Ferro, onde é possível observar belos painéis de azulejos dos anos 20-30 com cenas do quotidiano da região. E para completar esta leitura transmitida através do mesmo tipo de azulejos, vale a pena uma visita ao Mercado Municipal. E daqui seguir em direcção da Praça de Touros, à saída para Alhandra, onde está instalado o Museu Etnográfico. As colecções aqui apresentadas ajudam-nos a descobrir as actividades laborais ligadas ao rio e aos campos, os costumes, os trajes e os instrumentos de trabalho.

Mas para compreender a forte relação da cidade com o Tejo, é necessário ir até à zona ribeirinha para aí observar o cais, que, durante séculos, garantiu a ligação entre as duas margens e com Lisboa, e, ao mesmo tempo, ter um contacto directo com a comunidade dos Avieiros, pescadores migrantes que, vindos da praia de Vieira de Leiria, se instalaram no Tejo a partir de finais do século passado. As suas habitações em palafita e as suas embarcações dão um colorido e um ritmo diferente ao rio desde Alhandra até quase à ribeira de Santarém. Como memória de um passado não distante, em que fragatas e varinos enchiam o cais de Vila Franca, existe agora o varino Liberdade, que a Câmara Municipal põe à disposição para viagens turístico-culturais no Tejo.

Não saia de Vila Franca de Xira sem visitar o núcleo histórico - entendido aqui como o "conjunto de ruas e casas de moradia, monumentos, igrejas, fontes, que constituíram o núcleo primitivo da cidade e que valerá a pena percorrer a pé com o objectivo de educar o olhar na descoberta do nosso património", que vai desde o Largo do Município, com a Casa da Câmara e pelourinho manuelino, até ao Celeiro da Patriarcal, edifício de final do século XVIII, ao Monumento ao Campino, ao Largo da Misericórdia, a Igreja da Misericórdia, onde são de destacar no seu interior as telas, os azulejos e a talha, a Rua Miguel Bombarda (antiga Rua Direita), a igreja matriz (reconstrução do século XVII), a Igreja do Mártir S. Sebastião, a Fonte de S. Sebastião e ao Chafariz do Alegrete, do século XVIII.

Saímos agora da cidade em direcção ao norte e atravessamos a ponte para sul para sentirmos mais de perto a Lezíria. Entramos assim no país dos touros e dos cavalos. A planície é imensa, apenas recortada pelas valas reais, assemelhando-se a veias que percorrem todo o território. Existem aqui duas ermidas, cuja construção, no século XVIII, esta intimamente ligada à posse destas enormes extensões de terra pela Igreja. Junto à estrada nacional, está em evidência a Ermida de S. José, e no interior da Lezíria avista-se a Ermida de Alcamé, num estilo neoclássico e monumental. O seu orago, Nossa Senhora de Alcamé, e objecto de culto pelas gentes da Lezíria.

Regressamos de novo à margem direita do Tejo para visitar uma das povoações mais antigas do concelho de Vila Franca de Xira: Povos. Esta antiga vila ribeirinha, onde, durante séculos, as águas do Tejo chegavam com as suas embarcações, merece uma visita para ver o conjunto formado pelo chafariz de Povos, encimado pelo brasão dos Ataídes (condes de Castanheira), e o pelourinho, manuelino, em frente à antiga Casa da Câmara.

A partir desta antiga povoação de Povos, através de uma estrada que sai do Largo do Pelourinho, subimos até ao Santuário do Senhor da Boa Morte, situado num local privilegiado, na encosta que domina Vila Franca de Xira e o Tejo. Estamos no mais importante santuário da região, remontando as suas origens à época romana. Durante a Idade Média, o local foi reocupado, como testemunham vestígios de muros e de sepulturas antropomórficas escavadas na rocha em fiadas paralelas.

A actual Capela do Senhor da Boa Morte e um pequeno templo com capela-mor de cúpula artesoada, que, exteriormente, apresenta forma cónica. As paredes interiores estão forradas com azulejos do século XVII. E, porém, o panorama sobre a vasta lezíria que nos leva a ficar por algum tempo neste sítio, que oferece um vasto horizonte sobre o Tejo e as suas extensas planícies.

Depois, descemos para tomar o rumo de Castanheira a fim de visitar a Igreja de S. Bartolomeu, o melhor templo do concelho de Vila Franca de Xira, que foi mandado construir pelo 1º conde de Castanheira, D. António de Ataíde, no século XVI. Tem uma excelente arquitectura, destacando-se no exterior o portal quinhentista, de estilo renascença. Com uma só nave ampla e alta, mantém o ambiente da igreja quinhentista, a que foram acrescentados, no século XVII, azulejos nas paredes.

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1 Comentários

Inês on 05 October 2010 ,05:00

Gostaria muito de ver, para completar o interessante artigo, fotos dos belos painéis da estação ferroviária, que muito admirei quando estive em Vila Franca de Xira, infelizmente apenas algumas horas. Em outra oportunidade espero ainda visitá-la com mais tempo. Creio que esses azulejos são do artista Jorge Colaço, que também realizou belos trabalhos no Brasil. Obrigada.

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