Coimbra – Penacova – Buçaco – Coimbra

Saia de Coimbra por Celas e, ao passar no alto, à beira da Igreja de Santo António dos Olivais, veja o eremitério onde viveu o santo português. Desça, e no cruzamento com a Avenida Elísio de Moura (km 2,8) suba pelo Tovim para Vale de Canas. Ao quilómetro 5,7, encontra a Mata Nacional de Vale de Canas, com eucaliptos tidos como os de maior porte da Europa.

Siga a cumeada da serra do Roxo, a uma altitude de 500 m, desfrutando de um espectacular panorama sobre Coimbra, os campos do Baixo Mondego e a serra do Buçaco. A estrada corre as povoações de Casal do Lobo, Cova do Ouro, Dianteiro (km 9,5), passa na Carapinheira da Serra e depois, marginada só por eucaliptos, chega à povoação de Aveleira. Volte à esquerda, siga até Paradela (km 17) e desça o fortíssimo declive para o Lorvão (km 19,5).

O sítio do Lorvão ganhou fama com a fundação do seu mosteiro. No século XI, teria adoptado a Regra de S. Bento, mas em 1205 ou 1206 foi reformado para a Ordem de Cister por D. Teresa, filha de D. Sancho I, que ali introduziu as primeiras monjas.

Sofreu importantes obras nos séculos XVII e XVIII, mas decaiu após a Revolução de 1820, vindo a encerrar em 1887 com a morte da última monja. Parte das edificações conventuais estão hoje ocupadas por um hospital psiquiátrico, mas pode visitar a igreja, com o coro e a sacristia, a sala capitular e o claustro principal.

Na igreja, de barroco joanino, admire os túmulos de prata das Santas Rainhas, o mais importante cadeiral de Portugal, com 108 cadeiras de jacarandá e nogueira com preciosos lavores de talha. Num dos altares do coro, está a lindíssima imagem de Nossa Senhora da Vida (século XIV). A separar o coro e a igreja, uma bela grade de ferro forjado com aplicações de bronze dourado.

Deixe agora o mosteiro e a aldeia, onde apenas pode encontrar palitos de fabrico industrial e pastéis de amêndoa da doçaria antiga do mosteiro. Desça até Rebordosa (km 24,5), seguindo a estrada estreita, ladeada de eucaliptos e pinhal, quase até à margem do Mondego. Volte à esquerda, seguindo a EN 110, que acompanha os meandros do rio Mondego da Portela do Ceira a Penacova. Ao quilómetro 28,5, fica a Azenha do Rio e a ponte que o atravessa, e dali suba a Penacova (km 30,5).

Penacova, vila alcandorada na colina, conserva algumas casas solarengas dos séculos XVII e XVIII e a igreja matriz, remodelada nos séculos XVI e XVII com a introdução de várias capelas executadas nas oficinas de Coimbra por hábeis canteiros. Bela é a paisagem que se desfruta dos miradouros da vila. De um deles, a Pérgola (1918), desenhada por Raul Lino, olha-se o rio para jusante até aos limites de Rebordosa. Do Mirante Emídio Navarro (1908), do italiano Bigaglia, colhem-se impressionantes vistas sobre todo o curso do rio.

Deixe Penacova, desça à Azenha do Rio (km 33,5) e atravesse a ponte, seguindo à esquerda até à Livraria do Mondego (km 35), acidente natural que, devido à natureza das rochas quartzíticas que definem curiosas formas dispostas verticalmente, faz lem¬brar lombadas de livros numa estante.

Ao quilómetro 38, entre no IP3, mas deixe-o logo para seguir até à Barragem da Aguieira (km 46). A imensa laguna constitui suficiente atractivo para a viagem que regressa pelo IP3 aos termos próximos de Penacova, onde verá, à direita, mais distante, a Livraria do Mondego (km 60,5).

Ao quilómetro 66,5 (nó da Espinheira), saia do IP3 e entre na EN 235 para visitar os 14 moinhos de vento da Portela de Oliveira, andando 2 km até um cruzamento com 6 caminhos, dos quais deve tomar o da direita. Desgastados pelo tempo, despojados de velas, testemunham uma velha epopeia de trabalho. Do alto do monte vêem-se as serras ao redor: a Estrela, o Caramulo, o Buçaco.

Volte ao nó da Espinheira (km 73,5) e siga a EN 235 até ao Luso (km 87). Na vila do Luso, veja o edifício do Grande Hotel, o casino, de fim do século, hoje espaço de animação cultural, e a Estância Termal, onde as águas nascem a uma temperatura de 27°, propícias ao tratamento de doenças renais, respiratórias, reumatismos.

A viagem prossegue. Entre pela Porta das Ameias, repare no Vale Fetos, espreite a Fonte Fria, passe ao lado do Palácio Hotel e visite o Museu Militar, que fica além das Portas da Rainha como guardador das memórias da Batalha do Buçaco, ali travada a 27 de Setembro de 1810. Mais longe, veja o sítio do Moinho de Sula e, ao subir o caminho da Cruz Alta, repare no obelisco que celebra a vitória do Buçaco (km 90). Volte até ao Palácio Hotel porque há muitos passeios a pé a fazer a partir daqui.

Depois, retome a viagem saindo pela Porta das Ameias. E atravesse o Luso, descendo enfim em campos abertos que anunciam a Bairrada.

Ao quilómetro 97, entre na EN 234, que o levaria à Mealhada se tal fosse o propósito. Mas ao quilómetro 98 tome, à esquerda, a EN 336 até à Vacariça. Ficam ao lado as instalações da empresa Águas do Cruzeiro.

A Vacariça (km 101) teve mosteiro na Alta Idade Média e moradias fidalgas, como a Casa do Cruzeiro e a Casa dos Viscondes de Valdoeiro.

Siga na direcção da Pampilhosa (km 105). O comboio (linha do Norte e linha da Beira Alta) mudou, no último século, a face desta terra de feição agrícola. Os campos continuam bem cultivados e generosos. Mas existem fábricas de cerâmica e de cal parda e comércio próspero. E um grupo etnográfico empreendedor. Veja a Fonte do Garoto, com uma notável escultura de Teixeira Lopes.

São terras das margens da Bairrada sem grandes vinhas, para além das que integram a Quinta de S. Miguel, ligada às Caves Messias.

Da Mealhada chegue ao Botão. É uma aldeia pitoresca onde uma abadessa de Lorvão mandou construir, em 1515, um paço, hoje em ruínas. A igreja, perto, é um escrínio de arte. Fundada em 1515, com três naves e capela-mor com abóbada de nervuras, guarda um retábulo vindo das oficinas conimbricenses de João de Ruão. A Rosa Mística é uma belíssima imagem da Virgem com o Menino (século XV). Admire ainda o cruzeiro, seiscentista, as casas de algum carácter e a roda de tirar água.

E volte a Coimbra pela EN 336, que, na região de Souselas, entra no IP3. É um regresso já apetecido.

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