Maxine e eu estamos casados há apenas cinco anos. Casar na nossa idade (já muito para lá dos 40 anos) é o oposto de o fazer no princípio da idade adulta. Nessa altura, a questão que se coloca é: «Será que nos vão oferecer as coisas de que necessitamos?» Agora, e em vez disso, é: «Como é que nós vamos ver livres de metade das coisas que temos?» Estamos naquela fase feliz da vida em que não queremos nada. Isto torna as coisas um bocadinho difíceis para os que nos querem dar prendas.

Essa dificuldade estende-se aos nossos oito filhos, dois dos quais ainda não saíram de casa. Dos que saíram, todos têm casa e companhia (uma dessas combinações jé produziu o nosso primeiro neto); alguns só agora começaram a aventura da independência. Para estes jovens, cujas idades vão dos 13 aos 27, um dólar ganho é um dólar para ser investido na vida.

É assim que, a caminho do Natal de 2002, Max aparece com uma óptima ideia. Dissemos aos nossos filhos que tudo o que queríamos para o Natal era um cartão.
«Só um cartão?», respondiam, insatisfeitos.
«Não», continuámos. «Queremos um cartão em que nos digam o que é que fizeram pela vossa comunidade. Qualquer trabalho de voluntariado que tenham feito para alguém do vosso bairro. Tendo em conta uma vasta definição de "bairro"».

Não ficaram muito convencidos com isto, mas na manhã de Natal a maioria deles reuniu-se na saleta para trocarem prendas entre si. Depois, um a um os cartões foram aparecendo.

Um deles dizia: «Neste Natal, enviei uma caixa de sapatos cheia de brinquedos e outras coisas essenciais a uma menina da Guatemala. Comprei toda a espécie de livros, marcadores, lápis, papel, produtos para a higiene dentária, champô, bonecas, massa para brincar, etc. Senti-me muito bem por dar estas coisas a uma pessoa que deve ter ficado agradecida e feliz ... Embora tivesse sido para uma criança que nunca conheci, senti que fiz uma coisa muito importante.»

Outro cartão dizia simplesmente: «Como prenda para vocês, colaborei no leilão da igreja e vou ajudar na missa na véspera de Natal.»

Uma das nossas filhas deu-nos como presente ter-se oferecido como voluntária para a Associação dos Direitos dos Não-Fumadores, uma causa que ela acha que é importante. Outro participou no coro da Catedral de S. Jorge, em Kingston - uma actividade extracurricular pouco vulgar para um estudante do 2° ano da universidade.

O nosso mais novo entregou-nos um cartão onde dizia que a sua prenda era fazer trabalho voluntário nas Olimpíadas Especiais: todas as semanas dava assistência tanto na natação como no bowling, aqui na nossa comunidade.

O mais velho, juntamente com a mulher, escreveu: «Em Outubro, enviámos um correio electrónico a todos os nossos amigos e familiares dizendo-lhes que este ano, para a vossa prenda de Natal, estávamos a angariar dinheiro para comprar prendas para a árvore de Natal do Exército de Salvação. Em resposta ao nosso pedido, obtivemos 385 euros, e com esse dinheiro comprámos presentes para 18 crianças.

Como os recém-nascidos e as crianças com mais de 10 anos são normalmente os mais esquecidos, propusemo-nos comprar prendas para bebés e para os miúdos mais velhos. Depois, enviámos um correio electrónico a todas as pessoas que contribuíram e, em anexo, uma fotografia digital com todas as prendas que comprámos.»

A sugestão da minha mulher foi muito importante para, literalmente, dezenas de vidas, sem falar das vidas dos nossos próprios filhos, que perceberam, em primeira mão, que é preciso muito pouco esforço para se conseguir um impacto a valer.

As velas e os doces dos natais anteriores há muito tempo que desapareceram. Ou porque foram consumidos ou arrumados sabe-se lá onde. Mas os presentes deste Natal estão numa caixa especial para ser apreciados vezes sem conta. E este ano sabemos exactamente o que vamos pedir outra vez aos nossos filhos para o Natal.

Preparem-se, aí vão eles!

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