Dentro das muralhas, subsiste, do século XII, a alcáçova, com a sua torre de menagem e a charola. Tendo características de igreja-fortaleza, o estilo é oriental, semelhante às construções adoptadas pelos Templários na Síria e na Palestina. No interior, é um prisma octogonal com uma rotunda de 16 faces. O espaço circundante é coberto por uma abóbada interiormente revestida por frescos magníficos.

A Ordem de Cristo, criada por D. Dinis em 1329, assumiu-se como herdeira dos bens e privilégios da extinta ordem templária.

No século XV, com o infante D. Henrique, administrador da ordem, dá-se início à construção do convento e dos claustros da lavagem e do cemitério. Com D. Manuel I, as manifestações artísticas atingem o auge, sendo desta época a janela manuelina da Sala do Capítulo.

Adicionados ao primitivo templo um corpo e um coro, é rasgado na charola um arco para lhe dar acesso à nave, transformando-a em capela-mor (Diogo de Arruda, 1510). Finalmente, com D. João II e a reforma da Ordem de Cristo, surgem novos claustros, mais singelos, e constroem-se o refeitório e o dormitório, que vieram dar habilidade e funcionalidade ao convento. O convento é património mundial desde 1984.

No rio Nabão, que percorre a cidade, ainda se vêem os açudes, que constituem exemplo do aproveitamento da força motriz das águas para uso industrial no século XVI. Na antiga Rua da Levada (hoje Everard), como o nome indica, era a levada desviada do Nabão pelo açude dos Frades, que fornecia força motriz ao Complexo dos Moinhos do Rei. Os antigos edifícios, hoje fechados, ainda ostentam nas fachadas as armas de D. Manuel I, mas no início da rua ainda existe uma moagem com verdadeiro ambiente de Revolução Industrial.

Desenvolvendo-se para fora das muralhas, mais perto do rio, nasce o primitivo núcleo medieval, estendido pelas Ruas do Pé-da-Costa de Baixo e de Cima.

No coração do centro histórico, abre-se a Praça da República, confrontando os Paços do Concelho e a Igreja Matriz de São João Baptista. Templo românico reconstruído no início do século XVI, tem um interessante pórtico manuelino, destacando-se ainda a torre com o seu coruchéu piramidal e, no interior, o púlpito, de pedra laboriosamente esculpida.

São locais de lazer da cidade a antiga Quinta dos Sete Montes, que correspondia à grande Tapada dos Cavaleiros da Ordem de Cristo, anexa ao convento, e a ilha do Mouchão, extenso areal e horta no passado que foi transformada em 1923 em parque municipal, sendo um agradável espaço de descanso, coberto de choupos, faias, ulmeiros e plátanos, ao som do correr das águas do rio nos açudes que a rodeiam.

Na encosta entre o castelo e a cidade, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com exterior aparentemente vulgar, surge com o ambiente de um templo clássico. Da autoria de Diogo de Torralva (1571), este belo exemplar da arquitectura renascença guarda a pureza da primitiva concepção, com as suas colunas de capitéis coríntios e a abóbada de berço decorada com florões, tudo visto sob a luz, admiravelmente distribuída, que entra pelas janelas clássicas de abertura oblíqua.

A Festa dos Tabuleiros, que se realiza de quatro em quatro anos, é considerada a mãe de todas as festas ao Divino Espírito Santo, celebradas nos Açores, no Brasil e na América do Norte.

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