Teste de Cultura geral | Selecções do Reader's Digest

Teste de Cultura geral

O país que pode reivindicar a mais alta classificação em cultura geral europeia é a Polónia cujos inquiridos conseguiram uma média de 15 respostas correctas em 20.

Era domingo, uma bonita manhã de sol em Toledo, na Espanha. Uma senhora de meia-idade pensava sobre as perguntas de um inquérito que incluía a seguinte: «Em que cidade serão realizados os Jogos Olímpicos de 2004?» Intrigada, perguntou: «Importa-se que telefone ao meu filho e lhe peça para ver a resposta na Internet?»

Estava também um dia de sol em Budapeste, na Hungria, quando uma senhora da mesma idade começou a ler as perguntas do mesmo inquérito. «Espero que a entrada da Hungria na União Europeia não dependa dos meus resultados», comentou um pouco nervosa, depois de devolver o formulário preenchido. Entretanto, um senhor de idade de Ilford, cidade dos arredores de Londres, a nordeste, coçava a cabeça quando confrontado com a pergunta «Quem compôs o Hino da Alegria, hino europeu?»

«Pode cantarolar isso?», acabou por perguntar. Quando o inquiridor lhe fez a vontade, logo uma expressão de reconhecimento se lhe abriu. «Beethoven!», respondeu ele, triunfante (e acertou). Também em Portugal, nas cidades de Setúbal e Braga, 400 portugueses de várias idades foram abordados na rua e em centros comerciais para responder às mesmas 20 perguntas colocadas em outros 18 países da Europa. Ao todo, foram quase 4000 os europeus a quem pedimos que jogassem o jogo das Vinte Perguntas para todo o continente.

A nossa premissa: que há um núcleo de conhecimentos que interliga as culturas de todos os países da Europa e que qualquer adulto razoavelmente culto de qualquer país europeu conhece.

Os editores das 19 edições da revista Reader’s Digest da Europa elaboraram em conjunto uma selecção final de perguntas de escolha múltipla sobre política, cultura (erudita e popular), geografia, história e ciência. Depois, pessoal especializado desceu às ruas e centros comerciais de 42 cidades e vilas em 19 países, desde Portugal à Rússia. E em cada uma solicitámos a 200 pessoas, com idades superiores a 18 anos, para pararem por uns momentos e responderem às mesmas 20 perguntas de escolha múltipla.

Os resultados do nosso inquérito não são ciência social. No entanto, fornecem um vislumbre informativo e curioso do estado dos nossos conhecimentos e das diferenças fascinantes entre países – além de um vencedor surpreendente.

Vejam o caso da União Europeia, por exemplo. Fizemos três perguntas simples: Quem é o presidente da Comissão Europeia? Qual dos seguintes Países – Suécia, Noruega e Portugal – não é membro da União Europeia? Quantos são os países-membros da União Europeia? As respostas poderão desapontar os poderes de Bruxelas. Apesar da dispendiosa máquina de relações públicas da UE, só 52% dos europeus interrogados sabiam que o presidente da Comissão Europeia era Romano Prodi, antigo primeiro-ministro de Itália, titular do cargo desde 1999. Cerca de 48% de todos os inquiridos pensavam que ainda era exercido por Jacques Delors ou Jacques Santer, seus antecessores imediatos.

Não deverá constituir surpresa para o Sr. Prodi, que criticou o Reino Unido pela sua falta de empenho na Europa, o facto de apenas 25% dos britânicos saberem o que ele faz. Mas na Alemanha e na Holanda, só 36% acertaram na resposta. Até na Bélgica, sede da Comissão Europeia, mais de um terço dos inquiridos não faziam ideia de quem fosse Prodi.

As pessoas que interrogámos nos quatro países que pretendem aderir à UE – Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia – tiverem resultados bem melhores: 61% identificaram correctamente Prodi. Os Polacos, que deverão aderir em 2004, foram absolutamente notáveis. Quase 72% acertaram em Prodi e 73% responderam correctamente às três perguntas sobre a UE – comparados com os menos de 60% nos países-membros, entre eles Portugal.

Surpreendentemente, porém, só pouco mais de metade dos inquiridos polacos sabiam a data da queda do Muro de Berlim, acontecimento que se pensaria estar longe de ser irrelevante na história da Polónia do século xx. Talvez andassem todos a festejar nessa histórica noite de Novembro de 1989 e a memória se lhes tenha toldado. Por outro lado, 6 em cada 10 russos deram a resposta certa a essa pergunta, e os Alemães averbaram uns impressionantes 86%.

O nacionalismo não será uma coisa muito em voga hoje em dia, mas os europeus que responderam a perguntas sobre o seu próprio país tiveram vantagem sobre os que só tinham perguntas sobre os países dos outros. Quase 7 em cada 10 alemães identificaram correctamente o seu país como o mais populoso da UE. Mas mais de metade dos britânicos pensavam que era o seu país ou a França.

Em Portugal, como por toda a Europa, menos de metade sabiam quem disse a famosa frase «Penso, logo existo». Mas 7 em cada 10 franceses defenderam a honra nacional ao identificar o seu grande compatriota do século xvii René Descartes.

Quase todos os orgulhosos finlandeses (99,5%) sabiam que a Nokia, o ultra bem-sucedido fabricante de telemóveis, tinha sede no seu país. Mas num continente em que tantas pessoas raramente saem à rua sem os telemóveis colados ao ouvido, três quartos dos britânicos e dois terços dos franceses e espanhóis não tinham a mínima ideia. «Ai, que vergonha», disse uma jovem moradora de Innsbruck, cidade alpina da Áustria, «não sei mesmo de onde é a Nokia.» E que fazia ela? Era vendedora de uma empresa de telemóveis. Teve uma pontuação de 15 em 20.

Em geral, não houve disparidade de classificações entre os inquiridos jovens (18-35 anos), os de meia-idade (36-50) e os de mais de 50 anos. O mais idoso dos participantes foi um senhor húngaro de 92 anos de idade, que conseguiu uns respeitáveis 10 em 20. Em Salzburgo, na Áustria, cidade natal de Mozart, comentava uma antiga professora que respondeu ao inquérito: «Ser reformado não quer dizer que o cérebro parou.» Não quer, de facto: a pontuação da senhora foi 18 em 20.

Seja como for, a idade importa: em toda a Europa, mais jovens que idosos sabiam que a actriz e cantora pop Bjork é islandesa. Só 15% dos alemães com mais de 50 anos sabiam as origens dela. Surpreendentemente, 90% de homens dinamarqueses com mais de 50 anos acertaram nesta resposta – um recorde. Ou são jovens de coração ou alguém tem posters dela lá em casa.

Os homens tiveram, em geral, melhores resultados que as mulheres, excepto na Rússia e na Noruega. Na neutral Suíça, homens e mulheres acabaram rigorosamente empatados. Tivemos bastantes pontuações de 20 em 20. Uma delas foi Chiara Chiodi, de 25 anos, contabilista, que estuda para obter uma pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade de Milão. «Sempre me interessei por temas europeus e por saber como as pessoas vivem», diz ela. «Claro que me agrada imenso ter um resultado tão bom, mas que ainda assim me surpreende.»

Classificação máxima também para Michele Roberts, que ensina Francês num liceu de Neuchâtel, na Suíça. E que atribui o seu bom resultado ao facto de ler dois jornais por dia, uma revista semanal e muitos livros. «Tenho uma visão geral do Mundo», comenta ela.

Que país pode então reivindicar a mais alta classificação em cultura geral europeia? A resposta é a Polónia, cujos inquiridos conseguiram colectivamente uma média de 15 respostas correctas em 20, logo seguidos da Dinamarca, Itália e Áustria. Tavez não nos devamos surpreender: a Polónia pode gabar-se de uma forte tradição intelectual e regista uma admirável taxa de literacia.

«Fico orgulhosa de ver os Polacos tão bem classificados», diz Beata Milewaska-Ignacak, veterinária em Varsóvia, que contribuiu para a média com uma óptima pontuação de 20 em 20. «Acho que, por viverem numa encruzilhada de culturas, no centro do continente europeu – o que nem sempre foi muito confortável do ponto de vista histórico –, os Polacos tendem a interessar-se mais pelo mundo em redor e sentem-se muito parte da Europa.»

No fim da tabela, vêm Portugal, o único país a alcançar uma média abaixo de 10 em 20, e o Reino Unido, que, fazendo jus ao seu euro-cepticismo, não conseguiu mais que uma média de 11,47 em 20.

O que em nada feriu a autoconfiança de uma inglesa que preencheu o inquérito no resplandecente centro comercial de Milton Keynes. «Sei muito bem onde fica a casa da Anne Frank porque já lá estive», disse ela. «É em Berlim.»

 

 

Perguntas:

1 Em que país está sediada a empresa fabricante de telefones Nokia? A: Suécia, B: Dinamarca, C: Finlândia

2 Quem é o presidente da Comissão Europeia? A: Jacques Delors, B: Romano Prodi, C: Jacques Santer

3 Qual é a montanha mais alta da Europa Ocidental? A: Matterhorn, B: Eiger, C: Monte Branco

4 Quem disse: «Penso, logo existo»? A: Voltaire, B: Kant, C: Descartes

5 Onde fica a casa de Anne Frank? A: Berlim, B: Viena, C: Amsterdão

6 Qual é o país mais populoso da União Europeia? A: França, B: Reino Unido, C: Alemanha

7 Qual é a capital da Roménia? A: Budapeste, B: Bratislava, C: Bucareste

8 Quem formulou primeiro a teoria da gravidade? A: Kepler, B: Copérnico, C: Newton

9 Qual destes países não é membro da União Europeia? A: Suécia, B: Noruega, C: Portugal

10 Quem pintou a Capela Sistina? A: Leonardo da Vinci, B: Miguel Ângelo, C: Rafael

11 De onde é natural a estrela pop e actriz Bjork? A: Suécia, B: Alemanha, C: Islândia

12 Quantos países são membros da União Europeia? A: 15, B: 13, C: 12

13 Quem foi o primeiro a avançar a teoria de que as doenças infecciosas são causadas por germes? A: Madame Curie, B: Louis Pasteur, C: Alexander Fleming

14 Quando caiu o Muro de Berlim? A: 1989, B: 1990, C: 1991 15 Como se chamava São Petersburgo em 1985? A: Petrogrado, B: Estalinegrado, C: Leninegrado

16 A assinatura do Tratado de Versalhes marcou o fim de que conflito? A: I Guerra Mundial, B: II Guerra Mundial, C: Guerras Napoleónicas

17 Que cidade albergará os Jogos Olímpicos de 2004? A: Berlim, B: Atenas, C: Paris

18 Quem compôs o Hino à Alegria, hino europeu? A: Beethoven, B: Mozart, C: Puccini

19 Afrodite era a deusa: A: das colheitas, B: do amor, C: da caça

20 Quem escreveu a história Hansel e Gretel? A: Hans Christian Andersen, B: Johann Wolfgang von Goethe, C: os Irmãos Grimm

 

Respostas: 1. C; 2. B; 3. C; 4. C; 5. C; 6. C; 7. C; 8. C; 9. B; 10. B; 11. C; 12. A; 13. B; 14. A; 15. C; 16. A; 17. B; 18. A; 19. B; 20. C.

 

Em Portugal, este inquérito foi realizado em Abril nas cidades de Braga (onde foram inquiridas 116 pessoas de idades superiores a 18 anos) e Setúbal (119). Entre os 19 resultados comparados, o português é o pior: a média de respostas certas é de 9,55 em 20 possíveis.

Apesar da popularidade dos telemóveis, foi na pergunta 1 que os Portugueses registaram o pior score: 80% não sabiam que a Nokia é finlandesa. Também menos de metade de inquiridos soube dizer que conflito mundial terminou com o Tratado de Versalhes (pergunta 16, 60% de respostas erradas), qual a capital da Roménia (pergunta 7, em que só acertam 25,5%) ou quem compôs o Hino à Alegria, que é o hino oficial europeu (pergunta 18, mais de 60% não sabem que foi Beethoven).

No que toca a saber quem é o actual presidente da UE, os Portugueses apenas alinham com o desconhecimento geral: só 52% dos europeus sabem que é Romano Prodi, número que desce em Portugal para 48,5%.

Do lado menos mau, os inquiridos em Portugal conseguem um bom resultado na pergunta 9 (77,9% sabem que a Noruega não é membro da UE), conhecem a montanha mais alta da Europa (pergunta 3, Monte Branco para 67,7%) e são 59,1% os que atribuem correctamente a Descartes a frase «Penso, logo existo» (pergunta 4).

São 65,1% os que sabem que Afrodite era a deusa do amor (pergunta 19). No amor, parecem ir bem as coisas. Na cultura e no conhecimento é que não.

Só 52% dos europeus (48,5% dos portugueses) sabem que Prodi é presidente da UE.

Ao contrário dos outros europeus, nem os jovens em Portugal sabem de onde é a cantora Bjork.

Pontuação 1 Polónia 15,44 2 Dinamarca 14,58 3 Itália 14,45 4 Áustria 14,18 5 Suíça 13,83 6 Alemanha 13,80 7 República Checa 13,67 8 Suécia 13,22 9 Finlândia 13,09 10 Noruega 13,02 11 Hungria 12,96 12 Bélgica 12,85 13 França 12,72 14 Holanda 12,41 15 Espanha 12,17 16 Rússia 11,98 17 Eslováquia 11,67 18 Reino Unido 11,47 19 Portugal 9,55

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