Os Europeus só condenam, e por larga maioria em todos os países, os líderes religiosos que incitem ao terrorismo. E esperam que os imigrantes aprendam língua e cultura.

Perguntámos a pessoas de 8 países – Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Portugal, Suécia, Suíça e Reino Unido – qual era a sua experiência quotidiana com imigrantes. Quase ¾ (73%) disseram que era positiva. Estas opiniões variaram entre os 54% de Espanha ou os 65% de Portugal – que representam as mais baixas percentagens – e os 87% da Suíça.
Quase metade (47%) do total de 7820 inquiridos consideraram que os imigrantes tornaram os respectivos países de acolhimento sítios melhores para viver, embora as opiniões divirjam amplamente de nação para nação. Na Suécia, pensam isto mesmo 61%, em Portugal 49% e em Espanha apenas 29% acham que os imigrantes trouxeram progresso.

Na questão altamente carregada de as mulheres e raparigas muçulmanas serem autorizadas a andar de cabeça tapada na escola e no trabalho, 49% dos Europeus consideram que devem poder fazê-lo. Mas se essa é a opinião da maioria no Reino Unido (64%), Suécia (59%) e Holanda (58%), esse traje especial só é aceite por 48% dos espanhóis, 39% dos Portugueses e 37% dos Alemães.
Perguntámos também aos Europeus se consideravam que os direitos e liberdades das mulheres imigrantes estavam a ser respeitados nas suas respectivas comunidades como eram os das mulheres naturais do país. Mais de metade dos inquiridos (52%) disseram que sim. Mas enquanto Portugal tem uma opinião muito favorável, com 66% dizendo que os direitos das mulheres imigrantes são respeitados (a mais alta percentagem), em Espanha essa opinião é a de apenas 34% (57% discordam) e na Holanda, a de 36% (40% discordam).

No entanto, a nossa sondagem demonstrou que os respondentes esperam algo em troca do direito de os imigrantes se instalarem nos seus países. De facto, 80% dizem que deve ser requisito para autorização de residência que os novos imigrantes aprendam a língua, História e cultura do país anfitrião. Estas opiniões vão dos 62% em Portugal, passando pelos mais de 80% de Holanda,Suécia, Suíça e Reino Unido, até aos categóricos 93% dos alemães.
Os jovens mostraram-se em geral mais tolerantes que os mais velhos. Na Suécia, 91% dos inquiridos de 15-29 anos tinham experiências quotidianas positivas com imigrantes, contra apenas 73% nos maiores de 65 anos. Na Bélgica, 51% do grupo mais novo crêem que os imigrantes trouxeram benefícios, contra 39% no grupo de maior idade. Mas em Portugal, as pessoas com 65 e mais anos mostraram uma opinião muito mais favorável que os jovens, com 57% afirmando que os imigrantes melhoraram o país, contra apenas 33% dos 18-24 anos com essa opinião.

As maiores clivagens dentro de cada país emergiram acerca do tema do uso de burka pelas mulheres. Na Bélgica, 50% dos mais novos toleravam-na na escola e no trabalho, contra apenas 32% dos acima de 60 anos de idade. De igual modo, no Reino Unido 81% dos respondentes mais novos toleravam a burka, contra apenas 50% entre os de 65 anos e mais. E na Holanda, toleravam-na 72% dos jovens, contra apenas 46% dos mais velhos.
Quando se fala de terrorismo e seus apoiantes, os Europeus tomam posições muito uniformes de país para país e, dentro de cada país, largamente maioritárias. Quando perguntámos se consideravam que os líderes religiosos imigrados que apoiem o terrorismo devem ser expulsos, uma média de 86% dos inquiridos concordou. Espanha e Alemanha têm a mais alta percentagem entre os que defendem a expulsão para os que incitam ao terror, com 93% em ambos os países; seguem-se Suíça (91%), Reino Unido (86%), Holanda (85%), Portugal (83%), Suécia (81%) e Bélgica (78%).
A Reader`s Digest entrevistou telefonicamente 7820 pessoas entre 12 de Outubro e 5 de Novembro de 2005. Em cada um dos 8 países foi sondada uma amostra representativa.

AS RESPOSTAS PORTUGUESAS

As 5 perguntas:

A minha experiência quotidiana com imigrantes é positiva
Sim: 65%; Não: 25%

Os imigrantes tornaram este país um sítio melhor para viver
Sim: 49%; Não: 44%

Deveria ser requisito de residência que os novos imigrantes aprendessem a língua, história e cultura do país anfitrião
Sim: 62%; Não: 35%

Líderes religiosos imigrados que apoiem o terrorismo devem ser expulsos
Sim: 82%; Não: 13%

Nas comunidades imigrantes deste país, os direitos e liberdades das mulheres imigradas são respeitados como os das mulheres autóctones
Sim: 66%; Não: 26%

As raparigas e mulheres muçulmanas deveriam ser autorizadas a andar de cabeça tapada na escola e no trabalho
Sim: 39%; Não: 55%.

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