Quando pensa num «milionário», que imagem lhe vem à cabeça? Para a maioria será um género de banqueiro bem vestido, a viajar num jacto particular, com uma colecção de carros e um stilo de vida decadente. Preconceitos! Muitos milionários modernos trabalham a tempo inteiro e fazem compras em lojas de desconto como toda a gente. O que os motiva não são os bens materiais mas as escolhas que o dinheiro lhes pode proporcionar: «A questão para os ricos não é adquirir mais bens; é ter liberdade de tomar quase todas as decisões que queiram», diz T. Harv Eker, autor de Segredos da Mente Milionária (Secrets of the Millionaire Mind). Riqueza significa que pode enviar o seu filho para qualquer escola ou largar qualquer emprego de que não goste.

De acordo com o Estudo Spectrem sobre a Riqueza, um estudo anual dos detentores da riqueza da América, há mais pessoas a viver uma boa vida do que alguma vez antes. O número de milionários quase duplicou na última década e os ricos estão a enriquecer mais. Para entrar na lista da revista Forbes (revista financeira e de negócios americana) dos mais ricos, não basta ser apenas milionário: este ano o valor líquido da fortuna necessário para lá figurar era de $1,3 mil milhões de dólares. Apresentamos-lhe cinco pessoas que têm pelo menos um milhão de dólares em bens líquidos e que partilham os segredos que os ajudaram a enriquecer.

1.Aponte bem aonde quer chegar

Há vinte anos Jeff Harris não parecia estar a caminho da fortuna. Desistira da faculdade e debatia-se para sustentar a mulher, DeAnn, e os três filhos. Acumulava dois empregos: numa mercearia e num ferro-velho, derretendo metal ao lado de condenados à cadeia. «Às estávamos com tão pouco dinheiro que lavávamos a roupa na banheira por não termos máquina nem dinheiro para ir à lavandaria.» Hoje, com 49 anos de idade, é consultor de investimentos e multimilionário, vivendo em York, na Carolina do Sul.

Havia uma grande razão pela qual Jeff se destacou dos demais: sempre soube que ia tornar-se rico. Querer ser rico é o primeiro passo crucial. «O maior obstáculo para a riqueza é o medo», diz Eker. «As pessoas têm medo de pensar em grande, mas quem pensa sempre em ponto pequeno, consegue só pequenas coisas.»

Para Jeff tudo começou quando conheceu um corretor de bolsa numa festa de Natal. «Ao falar com ele senti-me como se tivesse descoberto o fogo», diz. «Comecei a ler livros sobre investimentos durante as minhas pausas de trabalho na mercearia e comecei a depositar 25 dólares por mês num fundo de investimento.» Depois deu aulas sobre investimentos num colégio local. Os alunos tornaram-se os seus primeiros clientes, o que levou à aquisição de experiência em investimentos. «Passei muitas dificuldades», diz Jeff, «mas, o que me fez aguentar, foi acreditar de todo o coração que teria sucesso.»

2. Eduque-se

Quando Steve Maxwell se formou na faculdade, ficou com uma licenciatura em engenharia e um emprego de alta tecnologia, mas não conseguia manter as finanças pessoais equilibradas. «Tive aulas de finanças na faculdade, mas deixei a disciplina para ir numa viagem fazer esqui», diz este pai de três filhos, de 45 anos de idade, que vive em Windsor, no Colorado. «Tive até de ir ao meu banco pedir que me ensinassem a ler os extractos bancários.»

Um dos maiores obstáculos para fazer dinheiro é não compreender o dinheiro. Milhares de pessoas evitam investir porque simplesmente não entendem como funciona. Mas para se fazer dinheiro, temos de perceber de finanças. «Preocupava-me não entender deste assunto», diz Steve, «pelo que li livros e revistas sobre dinheiro e investimentos e pedi a todas as pessoas que conhecia que percebiam de finanças para me explicarem as coisas.»

Ele e a mulher começaram então a aplicar as lições aprendidas. Começaram por viver abaixo das suas possibilidades: nunca compravam nada sem pensar primeiro, negociavam sempre (na compra de carros, facturas de serviços de cabo, mobiliário) e ficaram na casa onde viviam embora já pudessem mudar-se para outra melhor. Também aplicaram 20% dos seus salários anuais em investimentos.

Em dez anos tornaram-se milionários, e começaram a vir pessoas ter com Steve para as aconselhar. «Alguém perguntava “Tenho de renegociar a minha hipoteca, o que devo fazer?” Muitas vezes eu não sabia a resposta, mas ia procurá-la e aprendia no processo», diz.

Em 2003 Steve deixou o seu emprego para se tornar sócio de uma companhia que efectua seminários sobre finanças pessoais para empregados de corporações tal como a Wal-Mart, a maior grande cadeia de lojas americana. Começou também a assistir a seminários sobre investimentos em imobiliário e foi recompensado: agora tem 30 milhões de dólares investidos em complexos de apartamentos, um centro comercial e uma pedreira.

«Eu era um engenheiro que nunca tinha pensado que este tipo de vida fosse possível, mas o que é realmente necessário é um pouco de auto-aprendizagem», diz Steve. «Pode fazer-se qualquer coisa desde que se entenda o essencial.»

3. A paixão recompensa

Em 1995, Jill Blashack Strahan e o marido mal conseguiam fazer os seus rendimentos chegar até ao fim do mês. Como muitos de nós, Jill estava ansiosa por descobrir um objectivo. Resolveu, assim, «esbanjar» dinheiro numa sessão com uma life coach (life coach é um treinador do processo de desenvolvimento de competências, capacidades e habilidades que apoia o cliente a realizar e definir acções com um objectivo, metas e desejos). «Quando lhe disse que o meu objectivo era ganhar 30 000 dólares por ano, ela respondeu-me que eu estava a colocar a fasquia muito baixa. Tinha de me concentrar na minha paixão, e não no meu salário.»

Jill, que vive em Alexandria, no Minnesota, com o filho, era dona de uma companhia de cabazes-oferta para empresas, e não conseguia mais do que 15 000 por ano. Mas tinha reparado que quando deixava os potenciais compradores provar as comidas dos cabazes, estes vendiam-se muito bem. Então pensou: porque não vender a comida directamente aos clientes num enquadramento divertido?

Com 6000 dólares de poupanças, um empréstimo bancário e o investimento de uma pessoa amiga, Jill começou a empacotar as comidas de gourmet no barracão do pátio das traseiras e a vendê-las em festas. Não foi fácil. «Lembro-me de um dia estar sentada na rua a pensar que estávamos três meses atrasados nas prestações da casa, tinha dois empregados que não conseguia pagar e que devia arranjar um emprego. Mas depois pensei: não, este é o teu sonho. Redobra o empenho e toca a trabalhar.»

Continuou, mesmo depois da morte do marido três anos mais tarde. «Eu vivo pela lei da abundância, querendo dizer com isto que mesmo quando há desafios na vida, eu procuro o lado ganhador», diz.

A atitude positiva funcionou: a companhia de quintal das traseiras de Jill, a Tastefully Simple (Saborosamente Simples), é agora um negócio de vendas directas com facturação anual de 120 milhões. Segundo pesquisas efectuadas por Thomas J. Stanley, autor de A Mente Milionária (A Millionaire Mind), mais de 80% dos milionários dizem que nunca teriam tido sucesso se a sua vocação não fosse algo que gostassem de fazer.

4. Faça o dinheiro crescer

A maioria de nós conhece o ciclo sem fim de viver de salário em salário. «A maneira mais rápida de sair deste modelo de vida é fazer dinheiro extra com o propósito específico de reinvestir em si próprio», diz Loral Langemeier, autora do livro The Millionaire Maker (Fazedor de Milionários). Por outras palavras, utilize algum dinheiro com o propósito específico de o investir onde ele aumente dramaticamente, como por exemplo um negócio ou em imobiliário.

Um pouco de dinheiro posto de parte por trabalhar em dois locais pode realmente aumentar até ao milhão. Há vinte e cinco anos, Rick Sikorski sonhava ter um negócio de personal training (sistema de treino físico que se baseia num acompanhamento personalizado permanente. A aula é programada, implementada e corrigida por um monitor a tempo inteiro ao serviço exclusivo do aluno). «Aluguei um pequeno estúdio onde levava 15 dóalres por hora», diz.

Quando o dinheiro começou a entrar aos poucos, ele guardou-o em vez de o gastar, reinvestindo-o na totalidade no negócio. Agora, o estúdio de 120 m2 chama-se Fitness Together, uma empresa em regime de franchise com sede em Highlands Ranch, no Colorado, com mais de 360 filiais no Mundo. E o valor actual é de 40 milhões.

Quando algum dinheiro extra aparece é fácil pensar, agora posso comprar o tal televisor novo. Mas se quer ser rico, tem de pagar-se a si próprio primeiro, pondo o dinheiro onde ele trabalhe mais para si, seja num fundo de pensão, num negócio paralelo ou em investimentos tais como em imobiliário.

5. Sem coragem, não há glória

No Verão passado, Dave Lindahl, pagou a conta das férias de 18 familiares numa rica mansão da região de Adirondacks. Uma noite o seu pai olhou para a paisagem e gracejou: «Nem acredito que costumávamos chamar-te a ovelha negra da família!»

Aos 29 anos de idade Dave estava falido, vivia num pequeno apartamento dos arredores de Boston, e pensava que havia de fazer após dez anos numa banda rock local. «Olhei à minha volta e pensei: se não me mexo, não saio da cepa torta.»

Lançou, então, uma empresa de paisagismo, tendo comprado todo o equipamento a crédito. Mas nesse Inverno, o negócio congelou, literalmente. Para o ajudar, um banqueiro perguntou-lhe se ele não quereria de ocupar-se das obras numa casa cuja hipoteca fora executada, antes de ser posta no mercado. «Sou um péssimo carpinteiro, mas precisava muito do dinheiro . Por isso, fui assistir a seminários oferecidos pelo armazém Home Depot e fui aprendendo», diz.

Após mais umas quantas obras de renovação, ocorreu-lhe: «Porque não comprar as casas eu mesmo, e vendê-las com lucro depois? Arriscou e comprou a primeira propriedade. Utilizando os lucros, comprou outra e mais outra. Doze anos mais tarde é dono de prédios de apartamentos no valor de 143 milhões.

O Maior Segredo?

Páre de gastar.
Todos os milionários com quem falámos têm uma coisa em comum: nenhum gasta desnecessariamente. Dave Lindahl, investidor em imobiliário, conduz um jipe vulgar e diz que alguns dos seus vizinhos ficariam chocados se soubessem o valor dos seus investimentos. O magnata da forma física, Rick Sikorski, não entende por que razão as pessoas compram água engarrafada. Steve Maxwell, o professor de finanças, foi ver uma casa de 1,5 milhões de dóalres, mas decidiu comprar uma por metade do preço porque «uma casa pelo dobro do preço não me daria o dobro do gozo.»

Não é por acaso: de acordo com o Estudo Anual de Afluência e Riqueza na América, algumas das pessoas mais ricas «gastam o seu dinheiro como quaisquer outra pessoa da classe média.» Cortam cupões, aguardam pelos saldos e compram artigos de luxo só quando têm desconto.

Não é brincadeira! Tyra Banks, entrevistadora de programas de conversação televisivos autointitula-se Rainha do Barato, e tem amostras de perfumes dos anúncios de revistas na carteira, para poder utilizá-los quando necessita.

Sara Blakely, fundadora de uma empresa de roupa interior avaliada em 100 milhões de dólares, corta o cabelo numa cadeia de cabeleireiros de preços económicos.

Finalmente, Warren Buffett, a terceira pessoa mais rica do Mundo, de acordo com a revista Forbes, vive na mesma casa em Omaha, no Nebraska, que comprou há quatro décadas por 31500 dólares.

Rick Sikorski fez fortuna na forma física.

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