Santar, retiro de Fidalguias
Santar é terra muito antiga. Textos da Idade Média falam-nos de senhorios e de foros e de riqueza agrícola de vinho e pão.
E o viajante, ao chegar hoje a Santar, surpreender-se-á porque a terra está toda lavrada, as vinhas estendem-se pelas encostas e nos pomares as árvores florescem ou carregam-se de frutos. E a aldeia está viva. Movimentadas as ruas. Habitadas as casas. Repovoados os palácios. Vamos ver.
Partimos para a visita do Largo da Viscondessa de Taveiro, junto à Igreja da Misericórdia, que D. Diogo da Cunha mandou levantar no ano de 1637, com uma lindíssima varanda voltada a sul. Entramos a seguir na Rua de Estremadouro, para a qual se abrem pátios, travessas e vielas, com seus nomes e nichos de Via Sacra.
Chegamos agora ao Largo das Carvalhas.
Ergue-se um cruzeiro ao centro, com casario de pedra e sobrado à volta e também o imponente pórtico do Paço dos Cunhas (1609), fidalgos de sangue e de extensos domínios na Beira.
Mas a pátria considerou-os traidores porque se colocaram ao serviço dos reis de Espanha. Não lhes perdoou. E as gentes de Santar picaram o brasão e destruíram uma ala do avantajado paço, em cujo terreiro vamos entrar nesta altura. Sente-se aqui grandeza e austeridade.
E atravessa-se a quinta, que é hoje explorada por uma sociedade agrícola, até à Casa do Soito, rodeada de pátio e jardins.
A Casa do Soito, mantendo embora autonomia em relação à sociedade agrícola, estabelecer-se-á dentro de pouco tempo como museu. Revelar-nos-á então o surpreendente recheio do seu mobiliário, as louças, as pratas, as armas e o encanto do edifício, feito à maneira e com a grandeza de um solar.
Saindo pelo seu portal principal, na agradável fachada sul, percorre-se agora a Rua Sacadura Cabral e a Rua Direita até à Casa das Fidalgas, situada no Largo da Torre, com chafariz datado de 1889. Esta residência de província dos duques de Bragança e assento mais longo do duque de Viseu, é casa portuguesa de bem receber.
A grande Avenida da Viscondessa de Taveiro estende-se para nascente, e ao longo desta via alonga-se a Casa de Santar (séculos XVII-XVIII), sumptuosa residência de condes. A data firmada na capela (1678) indica o tempo de construção de um primeiro corpo, a que outros se associaram.
Belíssima é a resguardada fachada sul, com a sua larga varanda que se abre sobre jardins cuidados.
Uma área de 120 ha de vinha, souto e pinhal constitui o domínio da Sociedade Agrícola de Santar (Casa de Santar). Esta sociedade dispõe de imponentes adegas e conta com moderna tecnologia orientada para a produção e comércio de excelentes vinhos de marca com o rótulo de Dão. As adegas, os jardins, a sala de coches e ainda a cozinha, do século XVII, são áreas que é possível visitar como museu.
E poderemos encerrar com a chave de ouro de um cálice de Dão esta visita a Santar.
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