Saúde masculina - os erros fatais
Quado consultou um médico especialista, há 5 anos, devido a uma infecção urinária, Olímpio Mouta estava longe de pensar o que o futuro lhe reservava.
«Um dia após verificar que tinha sangue na urina, assustei-me e consultei o urologista mas para além de uma infecção urinária, nada mais me foi diagnosticado», relata este militar do Exército, de 49 anos, natural de Castelo de Vide.. Contudo sentia-me constantemente cansado e decidi consultar outro especialista. Este médico detectou algo de anormal através da palpação e mandou-me fazer uma biopsia. Fiquei bastante apreensivo, falei com a minha mulher e em conjunto decidimos ouvir outra opinião», lembra Olímpio Mouta. «Infelizmente o diagnóstico foi unânime. Tinha cancro num dos testículos.»
Era um tumor maligno, que ainda não se tinha expandindo para outros órgãos. Olímpio foi submetido a uma intervenção cirúrgica e ficou sem um testículo mas sobreviveu. «A seguir à operação consultava o urologista de 3 em 3 meses. Depois passei a fazer exames de rotina de 6 em 6 meses e há cerca de 2 anos só vou ao urologista uma vez por ano», conta este militar. E conclui: «Retomei a minha vida normal e acabei por dar mais importância a certos maus hábitos que tinha como o tabagismo. Hoje em dia só fumo em ocasiões especiais. Porém, ao mínimo sinal fora do comum, fico com medo que seja novamente cancro.»
Era Dezembro de 1991 e João Paulo Cabrita, de Caparide, voltava de mais uma viagem de trabalho de Portimão para Lisboa. Era motorista de profissão, mas naquele dia foi obrigado a fazer paragens durante o caminho porque sentiu falhas de visão por diversas vezes.
«À noite, quando estava a ver um jogo de futebol na televisão, senti tonturas e uma forte dor no peito que passou para o braço direito. Devido à intensidade da dor caí e, quando me levantei, notei que não tinha sensibilidade no braço e vomitei», recorda João Paulo Cabrita. Rapidamente foi transportado para o Hospital de Cascais e posteriormente para o Hospital de Santa Cruz, onde foi reanimado. Passou duas semanas no Serviço de Urgência e cinco dias na enfermaria deste hospital. Foi aqui que recebeu a notícia que tinha sofrido um enfarte agudo do miocárdio sendo por isso, submetido a uma angioplastia.
O episódio voltou a repetir-se 6 meses mais tarde e novamente dois anos depois. Em 2000, ao sentir os mesmos sintomas, dirigiu-se de imediato ao hospital, onde foi submetido a novo cateterismo, para a colocação de ‘stents’. Também lhe fizeram um bypass numa veia obstruída da perna esquerda. João Paulo admite que «os maus hábitos foram, em grande parte responsáveis pela ocorrência dos enfartes. Fumava dois maços de tabaco por dia, a alimentação era pouco saudável e trabalhava demasiado».
Hoje, com 45 anos, consegue fazer uma vida normal, depois de abandonar o tabagismo e o trabalho em excesso e adoptar uma dieta equilibrada. «Não tenho medo de sofrer outro enfarte, porque já conheço os sintomas, mas se isso acontecer sigo de urgência para o hospital» afirma João Paulo. E acrescenta: «provavelmente já teria morrido se não tivesse procurado auxílio médico logo aos primeiros sinais dos enfartes». Actualmente segue uma vigilância periódica.
«Consultei um urologista em 2002 devido a uma pancreatite aguda de causa desconhecida, tendo na altura realizado vários exames complementares, entre os quais o PSA (antigénio específico da próstata)», conta Armando Silva (*), oficial do Exercito, aposentado, de 67 anos.
«Um ano depois voltei a fazer análises, mas, como o valor do PSA tinha aumentado para o dobro, fiz uma biopsia. O resultado veio confirmar a existência de um tumor maligno na próstata», acrescenta Armando Silva, sublinhando: «Não apresentava qualquer sintoma nem tinha dores, por isso nunca imaginei que pudesse sofrer de uma doença oncológica.»
Meses depois foi aconselhado a fazer uma prostatectomia radical. Esta cirurgia consiste na extracção da próstata e das vesículas seminais, para evitar a possível disseminação das células cancerígenas para outras zonas do organismo. Foi provavelmente esta operação que na altura salvou a vida deste militar.
«Actualmente faço uma vida normal e dedico muito do meu tempo livre aos meus dois netos. A situação está controlada, mas consulto o urologista de 6 em 6 meses e faço exames clínicos periodicamente», afirma Armando Silva, que considera «muito importante que todos os homens consultem regularmente o médico para detectar possíveis doenças ou o seu eventual agravamento».
Estes três homens procuraram ajuda médica atempada e têm sorte por continuarem a fazer as suas vidas normais. Contudo, muitos são aqueles que, porque atrasam uma ida ao médico ou os respectivos tratamentos, pagam essa negligência com a própria vida.
De acordo com alguns estudos, os homens consultam menos o médico do que as mulheres. Mas tal facto não se justifica simplesmente porque as mulheres têm a mais as consultas de ginecologia, obstetrícia e de planeamento familiar. A sondagem «Comportamentos e atitudes dos homens face à saúde», realizada pela Aximage para as Selecções do Reader’s Digest em Outubro de 2006 e que envolveu 500 adultos, mostra que 79,2% dos homens não foi ao médico nos últimos 12 meses por se sentir de boa saúde. No entanto, o diagnóstico precoce de uma doença grave e assintomática pode fazer toda a diferença.
«Hoje em dia os homens dão mais importância ao seu bem-estar e saúde do que antigamente, mas a maioria ainda continua a dispensar menos cuidados preventivos que as mulheres», afirma Sandra D’ Abril, médica especialista em Medicina Geral e Familiar, de Lisboa. «Esta atitude está relacionada com o facto de o público masculino julgar que só deve consultar o médico em caso de doença declarada, ignorando por isso sinais e sintomas iniciais de uma patologia.»
«Os executivos», acrescenta, «têm o mesmo comportamento, mas justificam a sua relutância em ir ao médico com a falta de tempo.»
«Estatisticamente está provado que os homens com idades inferiores a 50 anos recorrem menos aos serviços médicos do que as mulheres. Na base destes dados surgem razões de ordem cultural, de personalidade e de género», reforça Cristina Freire, psicóloga clínica, de Lisboa. «A identidade de cada um, as diferenças na forma de ser e actuar entre o homem e a mulher também contribuem para esta realidade. Mas também se verificam situações opostas, que revelam o tipo de personalidade do indivíduo».
A juntar a tudo isto, Cristina Freire aponta igualmente «questões de tradição e até de religiosidade que têm levado o homem a mostrar-se “forte e estóico”. Enquanto as mulheres desabafam e vão falando sobre si próprias e sobre a família, os homens tendem a silenciarem-se reciprocamente, gerindo um misto de medo e vergonha, na possibilidade de a doença existir e no receio de ser vista como sinónimo de fraqueza».
Se excluirmos situações, muitas vezes evitáveis, os homens e as mulheres, não morrem, por norma antes dos 65 anos. Actualmente a esperança de vida, em Portugal é de aproximadamente 75 anos para os homens e 80 ou mesmo 85 anos para as mulheres.
Acontece que a população do sexo masculino fuma e consome mais bebidas alcoólicas. Está também provado que são eles que cometem mais erros alimentares. E os números não enganam! Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina de Lisboa denominado «Prevalence of Obesity in Portugal. Obesity Research 2006» (Prevalência da Obesidade em Portugal, 2006) refere que 14,6% dos homens são obesos e 44,9% têm excesso de peso. Por seu turno o mesmo trabalho indica que a obesidade atinge 13,3% das mulheres e 33,9% apresentam excesso de peso.
Apesar de considerar que hoje em dia a atitude de despreocupação com os aspectos de saúde e de imagem nos homens se tem vindo a alterar, a nutricionista Carla Vasconcelos, do Porto, acredita que eles poderão sentir alguma inibição em determinadas situações.
«Quando um indivíduo que está habituado a fazer uma alimentação saudável se senta à mesa com um grupo de pessoas sem este tipo de preocupações, é natural que seja tentado a seguir os hábitos alimentares da maioria», comenta Carla Vasconcelos, que também é membro da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.
E sublinha: «O mesmo poderá acontecer com o álcool e o tabaco. Se um indivíduo, que ainda sente dependência, está acompanhado de pessoas que incentivam o seu consumo, é muito provável que quebre a decisão de deixar de fumar ou de ingerir bebidas alcoólicas.»
Em Portugal, por cada 100 óbitos nos homens, 50 são devidos a doença coronária e 30 a tumores malignos do aparelho respiratório. As doenças coronárias – angina de peito e enfarte do miocárdio – continuam a matar mais homens do que mulheres. Dados estatísticos de 2003 apontam para 5077 mortes nos homens e 4547 nas mulheres.
Segundo Luís Negrão, médico de Saúde Pública da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), «a angina de peito e o enfarte do miocárdio afectam os homens e as mulheres em diferentes fases da vida. Na população masculina surge numa etapa mais precoce e ainda activa, enquanto nas mulheres aparece em idades mais avançadas».
«De acordo com os dados do Observatório Nacional de Saúde, de 2001, o enfarte agudo do miocárdio é a terceira causa de morte nos homens na faixa etária dos 35-44 anos e a primeira nas faixas etárias dos 45-54 e dos 55-64. É por isso que o número de potenciais anos de vida perdidos até aos 70 anos é assustador. Se somarmos o número de anos por cada homem que morre com 40 anos, obtemos 22.024 anos de vida perdidos.», refere Luís Negrão.
A partir dos 65 anos, o acidente vascular cerebral (AVC) é a primeira causa de morte entre os homens portugueses. De acordo com dados do Inquérito Nacional de Saúde da Direcção Geral de Saúde, de 1998, 40% da incapacidade de longa duração na nossa população deve-se às doenças cardiovasculares, sendo que 46% são homens e 35,5% são mulheres.
As consequências para aqueles que sobrevivem a um acidente vascular cerebral, poderão ser devastadoras, como reconhece Fernando Abel Meco, de Coimbra.
Decorria o ano de 1988 quando, numa manhã Fernando Abel começou a sentir o coração a bater muito depressa. Ao levantar-se, caiu inanimado.
Foi transportado para os Hospitais da Universidade de Coimbra, onde permaneceu internado no Serviço de Neurologia durante 3 meses. Tinha sofrido um AVC. «Quando me deram alta hospitalar não conseguia fazer quase nada, mas aos poucos fui recuperando com a ajuda da minha mulher, da assistência médica e das sessões de fisioterapia ».
Fernando ficou com deficiência na voz e com todo o lado esquerdo do seu corpo afectado: não consegue mexer o braço e não tem sensibilidade na perna. Mas sobreviveu, apesar de ter ficado com uma incapacidade de 70 %,.
«Sou deficiente motor, mas intelectualmente estou apto e consigo fazer a minha vida sem depender de outras pessoas», menciona este ex-empregado de balcão. E acrescenta «Já frequentei um curso de informática e estou à procura de um novo emprego, porque não posso retomar a minha antiga actividade profissional».
Agora Fernando Abel reconhece que nunca deu a devida importância à sua saúde. De vez em quando sentia tonturas e falta de visão, o colesterol estava elevado, fumava cinco maços de cigarros por dia e às vezes ainda abusava das bebidas alcoólicas. «Sei que em grande parte estes maus hábitos foram responsáveis pelo AVC.», diz.
Hoje com 54 anos, Fernando sente-se bem e consulta o neurologista, semestralmente.
De acordo com os números fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2002, registaram-se 23 óbitos por tumores malignos nos testículos. No ano seguinte o número desceu para 16, mas em 2004 voltou a subir para 22.
«Quando os homens detectam um nódulo nos testículos, acham estranho e consultam um especialista. Já nos casos de cancro da próstata não há sinais tão evidentes, sendo geralmente detectado através da análise do PSA (antigénio específico da próstata) no sangue e posteriormente confirmado pelo toque rectal, e outros exames», constata Nuno Monteiro Pereira, urologista e professor de Urologia e de Medicina Sexual, em Lisboa.
«O cancro da próstata demora cerca de 10 a 15 anos a manifestar-se e é de vital importância que seja diagnosticado ainda numa fase precoce. Infelizmente, cerca de 10% destes tumores malignos só são descobertos depois de as células cancerígenas se terem expandido da próstata para outros órgãos do organismo, geralmente para os ossos. Nestes casos, os doentes com tratamento, acabam por ter um tempo de vida aproximado de 2 a 5 anos. É por isso que todos os homens devem ser esclarecidos pelos médicos de família, pelas sociedades científicas e pelos média da importância do teste do PSA», alerta Nuno Monteiro Pereira.
A Associação Portuguesa de Urologia (APU) apurou que morrem anualmente em Portugal 1800 indivíduos com este tipo de cancro, o que corresponde a cinco mortes diárias. E todos os anos surgem 4 mil novos casos.
Também no âmbito do Dia Europeu das Doenças da Próstata de 2006 (15 de Setembro), a APU realizou um inquérito junto de 1732 homens com mais de 50 anos, em 25 cidades portuguesas. 41% dos inquiridos não sabia como detectar este tipo de tumor.
O que poderá ser feito na área da saúde masculina? Atendendo ao ritmo de vida actual dos homens, será possível alterar o horário das consultas médicas?
«Existe pressão no emprego e o trabalhador está sujeito a mais horas de trabalho», comenta Sandra D’ Abril. «Além do mais, os centros de saúde estão associados à área de residência dos utentes e a maior parte dos empregos ficam longe delas. Logo os trabalhadores deparam-se com dificuldades a nível de trânsito ou em deslocações demoradas, o que dificulta recorrer aos cuidados preventivos.»
Talvez seja também necessário criar informação específica destinada aos homens. De facto, as mulheres são o público alvo da maior parte das notícias sobre a saúde, especialmente nas revistas, nos livros, na televisão, na rádio ou nos folhetos informativos existentes nos ginásios e nas salas dos consultórios médicos. Assim, é difícil captar a atenção dos homens, em especial, dos solteiros, dos divorciados ou dos viúvos.
«Os rastreios são uma informação importante para se avaliar o estado de saúde da população», afirma Jacinto Durães, gestor do Projecto de Saúde Oral e Pública da Universidade Fernando Pessoa, do Porto. Este projecto começou a funcionar em Ponte de Lima em 2002 e estendeu-se depois ao distrito de Viana do Castelo. Actualmente duas Unidades Móveis percorrem todo o território nacional.
«Os rastreios efectuados envolvem diversas valências, que incluem saúde oral, análises clínicas - colesterol e glicemia, controlo da tensão arterial, enfermagem, fisioterapia e terapia da fala», conta Jacinto Durães. «É uma iniciativa que tem por objectivo sensibilizar as pessoas para acautelarem a sua saúde, através de medidas preventivas, como a realização anual de análises clínicas.»
Em primeiro lugar, os rastreados preenchem, um questionário, referindo o nome, a idade, o peso, a altura, se sofrem de alguma doença ou se tomam qualquer medicação específica. Após este primeiro contacto, o indivíduo faz os respectivos exames e os resultados são anotados num espaço próprio do folheto do inquérito. No final, tem a oportunidade de ser aconselhado por um médico do Projecto.
Este género de abordagem é igualmente adoptado por diversas empresas. Através de protocolos estabelecidos com centros clínicos, as entidades empregadoras proporcionam aos colaboradores a realização de exames médicos.
«Os inquéritos são muito importantes, porque podemos fazer as perguntas directamente ao utente para não correr o risco de perder informações essenciais», sublinha Jacinto Durães. E exemplifica: «Se um indivíduo sofre de hipertensão, a sua saúde está em risco e tem de ser alertado nesse sentido. Logo a abordagem tem que ser diferente.»
Jacinto Durães conta que durante a realização do Euro 2004, em Guimarães foi feito o rastreio a um indivíduo, de 46 anos, que apresentava valores de colesterol, glicemia e tensão arterial muito elevados. Devido ao quadro clínico que apresentava foi necessário transportá-lo ao hospital de Guimarães para ser observado, onde ficou internado.
«Outra vantagem destes rastreios é a possibilidade dos indivíduos falarem de si próprios quando sentem algum embaraço para fazê-lo com o seu médico assistente».
«Os homens não devem ter medo ou vergonha para consultar o médico sempre que necessário», afirma Mário Sousa Dias, médico especialista em Medicina Geral e Familiar, de Lisboa.
«Não noto nos meus doentes do sexo masculino uma grande inibição em procurar auxílio médico, mas acredito que, de uma forma geral, os homens têm mais dificuldade em ir às consultas de rotina do que as mulheres. Além disso, é habitual que sintam uma certa inibição em abordar algumas doenças, nomeadamente as do foro sexual», comenta o mesmo clínico geral.
«Assim como a mulher a partir dos 30 anos, deve fazer todos os meses o auto-exame da mama, também os homens deveriam fazer o auto-exame dos testículos, pelo menos uma vez por mês, procurando identificar possíveis inchaços, nódulos ou regiões dolorosas», sustenta Ana Margarida Nobre, enfermeira do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e mestranda em Sexologia.
«A realização rotineira deste exame, contudo não substituí a observação feita pelo médico, durante a consulta, que poderá aproveitar a oportunidade para ensinar o doente a examinar-se correctamente em casa», diz a mesma enfermeira. «É também fundamental proporcionar aos adolescentes este tipo de informação sobre a saúde masculina, associada às noções de educação sexual e às infecções sexualmente transmissíveis. A abordagem deve ser feita preferencialmente por técnicos de saúde, por forma a serem esclarecidas todas as dúvidas», acrescenta.
Nas consultas de rotina, os médicos de Medicina Geral medem a tensão arterial do doente, anotam o seu peso, auscultam-no e fazem perguntas sobre possíveis hábitos nocivos, como o consumo de tabaco ou de álcool. Todavia, para que a saúde dos homens possa beneficiar com estes actos clínicos, é conveniente que o médico alerte também o doente para a realização do PSA ou de outras análises clínicas bem como de certos exames complementares de diagnóstico.
Os portugueses devem ainda perder alguns medos e preconceitos, em especial do toque rectal. Segundo o urologista Carlos Santos «é um exame que detecta doenças como o cancro da próstata, as hiperplasia benigna da próstata e a prostatite, e que deve ser feito a partir dos 50 anos ou dos 45 anos se existirem familiares directos com este tipo de cancro. Não é efectuado isoladamente, e completa outros exames, avaliando o volume da próstata, a sua consistência ou a existência de nódulos palpáveis ou zonas dolorosas».
Este urologista, de Lisboa, afirma que «actualmente existem tratamentos curativos, cuja taxa de sucesso é bastante elevava se o tumor for detectado numa fase precoce, quando ainda está localizado». «Nestes casos a probabilidade de cura pode ser superior a 80%», acrescenta Nuno Monteiro Pereira.
Os homens deveriam cuidar mais de si próprios. Mas como? Deixando de fumar, fazendo exercício físico e efectuando algumas mudanças na alimentação – reduzir o consumo de carne vermelha, de sal, de açúcar e de gordura, e aumentar a ingestão de fibra, peixe, vegetais e fruta.
«Em 2001, a Fundação Portuguesa de Cardiologia avaliou o perfil lipidico da população portuguesa e constatou que 68,9% tinha o colesterol total superior a 190 miligramas/dl, que é o valor recomendado pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose. A tensão arterial também foi avaliada e verificou-se que 39,9% dos homens e 34,3% das mulheres sofriam de hipertensão», menciona Luís Negrão. E acrescenta: «Portugal é um país de elevado risco cardiovascular uma vez que, se acrescentarmos a estes números os relativos à epidemia da obesidade (60 a 65% da população tem excesso de peso) e à epidemia do tabaco então percebemos a dimensão do problema. A ignorância e a despreocupação com que cada um encara estes factores de risco deixa qualquer profissional de saúde preocupado».
SONDAGEM Comportamentos e atitudes dos homens face à saúde
A sondagem realizada pela Aximage em Outubro de 2006 para as Selecções do Reader’s Digest, que envolveu 500 adultos do sexo masculino, revela alguns aspectos interessantes.
Segundo a pesquisa, 28,7% dos inquiridos admitiram que não estão informados sobre o cancro da próstata. Apenas 25,3% conseguiram referir a localização exacta da próstata (junto à bexiga) e 13,7% não sabiam sequer em que parte do corpo humano fica localizada. Quando questionados se já alguma vez realizaram um exame à próstata, 32,7% responderam que não.
Para Evaristo Sanches, médico oncologista do Instituto Português de Oncologia do Porto, «estas informações mostram que há uma enorme falta de informação. Só uma pequena percentagem dos homens que participaram na sondagem souberam localizar correctamente a próstata, o que denota também uma ausência de conhecimentos mais específicos».
A sondagem revela também um certo desinteresse e despreocupação por parte dos inquiridos em procurar auxílio médico, uma vez que 14,8% afirmaram que não consultaram qualquer médico nos últimos 12 meses.
Quanto às razões, 23,6% admitiram ter relutância em serem observados por um médico, as conversas que se ouvem na sala de espera de um consultório médico criam ansiedade a 27,5% dos inquiridos, 17,9% têm receito de levar uma injecção, 46,3% têm medo de descobrir que sofrem de uma doença que desconheciam e 42% consideram que os horários das consultas médicas são incompatíveis com o horário de trabalho. Esta pesquisa também revelou que 79,2% dos inquiridos não foi ao médico nos últimos 12 meses por se sentir de boa saúde, 13,8% por falta de tempo e 5,4% por falta de dinheiro.
Em termos gerais, 93,5% afirmaram preocupar-se com a sua saúde e 14,3% admitiram que bebem álcool a mais do que deviam.
«Neste inquérito é notório o comportamento tipicamente masculino», opina Francisco Rocha Gonçalves, cardiologista, ex-vice presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e catedrático da Faculdade de Medicina do Porto. «O homem recorre ao médico sempre num estádio da doença mais adiantado e admite com dificuldade que não está informado. Além do mais, as taxas de controle de factores de risco são sempre piores no sexo masculino», acrescenta o cardiologista.
SONDAGEM REALIZADA JUNTO DE INDIVÍDUOS INSCRITOS NOS CADERNOS ELEITORAIS EM PORTUGAL EM LARES COM TELEFONE FIXO. AMOSTRA ALEATÓRIA E ESTRATIFICADA (REGIÃO, HABITAT, SEXO, IDADE, INSTRUÇÃO E VOTO LEGISLATIVO) POLIETÁPICA E REPRESENTATIVA DO UNIVERSO COM 500 ENTREVISTAS EFECTIVAS. O TRABALHO DE CAMPO DECORREU ENTRE OS DIAS 17 E 25 DE OUTUBRO DE 2006. RESPONSABILIDADE DO ESTUDO: AXIMAGE COMUNICAÇÃO E IMAGEM LDA., SOB A DIRECÇÃO TÉCNICA DE JORGE DE SÁ E JOÃO QUEIROZ.
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