Eram 23.30. Vindo de um jantar com amigos, ao passar pelo local onde, poucas horas antes, estacionara o meu Honda Civic azul, senti um baque: nesse sítio estacionava agora uma carrinha amarela. «Roubaram-me o carro!».

Dali a pouco, estava na 30ª Esquadra da PSP, na Rua Miguel Lúpi, em Lisboa. Foi dado o alerta e, vinte minutos depois, uma patrulha comunicava que o avistara em Caneças. Seguia na direcção da Amadora. Porém, perderam-lhe o rasto. Comentário dos agentes ao meu lado: «Os nossos Tempras têm lá velocidade para apanhar o seu carro!» Além disso, disseram-me, se batessem com o carro-patrulha numa perseguição, a responsabilidade era deles. Com ordenados base de €750, quem é que ia arriscar? «E eles atiram-se com os carros para cima de nós. Não são deles!»

Nessa noite, no espaço de uma hora, furtaram mais dois carros na área. Um deles a um polícia.

Na segunda-feira seguinte, 2 de Dezembro, passava das 10 da noite quando recebi um telefonema. Era a GNR de Casal de Cambra. Tinha encontrado o meu carro. Bastante amolgado, o interior cheio de pontas de cigarros, pastilhas elásticas e papéis de rebuçados, os plásticos junto da ignição partidos (para fazerem a ligação directa), mas andava. E aparecera. Pelos vistos, até tivera sorte: segundo o funcionário da seguradora, só metade destes carros é que são recuperados.

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