Romance Real ao estilo do século XXI

A escritora Kathy Lette assistiu há pouco tempo a um jogo de pólo no qual participavam os príncipes William e Harry. Os convidados estavam reunidos dentro de uma grande tenda, conversando, bebendo champanhe e mostrando, na melhor das hipóteses, um leve interesse pelo jogo. Lette reparou numa pequena tenda num dos cantos do campo e aproximou-se para descobrir o que se passava lá dentro. E deparou com Kate Middleton, sentada sozinha, a ver o jogo com muita atenção. «Porque é que não vem juntar-se ao resto do grupo?», perguntou Lette.
«Tenho de tomar atenção a cada segundo do jogo», respondeu Kate. «Mais logo, vou ter de o discutir ao pormenor.»
«Não deve estar a divertir-se muito aqui», disse Lette, «Porque é que não joga pólo?»
«Sou alérgica aos cavalos.»
É um instantâneo revelador de alguém que se dá ao trabalho ... de uma futura noiva. Este novo casamento real é cada vez mais provável – os correspondentes da Casa Real e os fotógrafos têm andado obcecados a tentar descobrir as datas do noivado oficial para calcularem quando será dada a notícia.
Muitos deles estão convencidos de que acontecerá no fim do ano. Mesmo que tenhamos de esperar mais tempo, não terá grande significado – está na natureza dos casais modernos deixarem de andar, voltarem a andar e deixarem chegar os 30 anos antes de marcarem a igreja – ou a abadia. Kate e William seguem este clássico romance moderno. Dito isto, uma fonte perto do príncipe disse-me que esta breve separação era apenas «uma estranha táctica para afastar a imprensa».
A sua dedicação é mútua, e não apenas dela para o príncipe. Uma amiga deles contou que, quando disse a Kate que ela tinha sorte de estar com o príncipe William, ela respondeu: «Ele é que tem sorte de estar comigo.» Um amigo de William observou: «Quando ele está em Londres, quase nunca se separam.»
Um dos amigos militares de William comentou o facto polémico de o príncipe ter aterrado de helicóptero no jardim dos Middleton. «Muitos rapazes fazem o mesmo. Mostra mais um tipo a impressionar a namorada do que uma miúda a trazê-lo pela trela.»
Os soldados que estão sob o comando do príncipe gostam imenso do casal. «Os rapazes adoram o príncipe e gozam-no por causa da Kate, mas acham-na fabulosa», diz um dos seus colegas de armas.
É uma tentação – mas enganadora – fazer comparações entre uma Lady Diana Spencer imatura e deploravelmente mal preparada, e Kate Middleton.
A princesa Diana tinha apenas 19 anos quando ficou noiva. Chumbou duas vezes em todos os exames do liceu antes de ter ido para uma finishing school na Suíça, a seguir trabalhou como ama-seca e finalmente como assistente de professora num infantário. Kate Middleton é uma rapariga inteligente de 26 anos que acabou o liceu e continuou a estudar História de Arte.
Conheceu William na Universidade de St. Andrews, e depressa se tornaram amigos íntimos. No segundo ano, mudaram-se para um apartamento com outros dois estudantes e, a dada altura, começaram a viver juntos.
Um amigo estudante descreve o caso como sendo uma experiência de estudantes, típica e comum: «Eram como outro qualquer casal jovem, e passavam a maior parte do tempo a embirrar um com o outro. Uma vez, estavam a ver um desses concursos e Kate não sabia responder a uma das perguntas, que até era fácil. Ele começou a imitá-la, respondendo à pergunta como se fosse completamente burro.»
O príncipe William tem um sentido de humor um bocado snobe – uma mistura de «troça gentil e autocomiseração». Durante uma recepção do 40.º aniversário da associação de caridade para os sem-abrigo Centrepoint, quando uma rapariga que lhe foi apresentada ficou tão nervosa que não conseguia dizer nada, ele riu-se e disse: «Não se preocupe, imagine-me nu.»
O príncipe William foi deixado muito em paz enquanto esteve na universidade, o que permitiu ao casal ter uma relação tão longe dos olhares públicos quanto desejavam. Como resultado, Kate tornou-se muito mais madura e muito mais segura do que Diana.
Quando se comparam estas duas mulheres, esse velho fantasma britânico – as classes sociais – espeta inevitavelmente a sua cabeça. A princesa Diana era filha do conde Spencer e descendente do rei Carlos II. A família de Kate não pertence à alta sociedade, mas é uma parceira e está segura na sua autoconfiança. Carole, a sua mãe, foi hospedeira de ar, e o pai foi piloto. Quando Kate tinha 5 anos, os pais deixaram os empregos e abriram uma empresa juntos. A Party Pieces é um negócio de encomendas por correio e pela Internet que vende uma quantidade de coisas para festas de crianças.
Kate teve uma vida desafogada, ainda que não tenha o passado elitista em tempos esperado numa noiva de um futuro rei.
A mãe, em tempos apelidada de «Portas em Manual», em referência à sua antiga profissão, foi acusada de ser vulgar – uma pessoa conhecida da família disse: «Santo Deus, os pais dela são donos de uma pista no aeródromo» – e também de ser metediça e muito ambiciosa em relação à filha.
Michael Kallenbach, um psicólogo que vive no Whiltshire e está em contacto com alunos e professores do Marlborough College, o antigo colégio de Kate, diz-me: «Quase todas as mães são bastante metediças. Claro, e porque não haviam de ser quando pagam tanto dinheiro com a educação dos seus filhos? Carole não é nem mais nem menos do que as outras.»
Depois de sair de St. Andrews, Kate empregou-se na marca de moda Jigsaw, trabalhando quatro dias por semana no departamento de compras de acessórios. Ela interessa-se por moda e é uma fã da desenhadora brasileira Issa. Estranhamente, para uma pessoa que é tão procurada pelos paparazzi, também expressou o desejo de ser fotógrafa profissional. Mostrou interesse em trabalhar para Mario Testino, embora ele diga que não sabe de nada.
A aparente relutância de Kate em assentar numa carreira enquanto espera que o príncipe William a peça em casamento valeu-lhe a alcunha de «Waity Katy» (Katy da Espera).
A capacidade de esperar pode, na verdade, revelar-se uma vantagem. A vida da realeza sempre foi um jogo de espera – no fim de contas, o príncipe Carlos está há 60 anos à espera de ser rei. Um amigo meu acrescentou: «Porque é que hão-de casar imediatamente só por ele pertencer à realeza? O que me parece é que têm ambos os pés bem assentes na terra e que querem ter uma relação séria, em vez de se precipitarem só por ser o que as pessoas querem.»
E Kate tem largo treino de esperar. Assim como diziam que Diana tinha fotografias do príncipe Carlos pregadas na sua parede quando era pequena, colegas de Kate Middleton contaram que, enquanto os outros alunos tinham as paredes dos quartos cobertas com cartazes de futebolistas e estrelas de cinema, ela tinha fotografias do príncipe William.
Será praticamente impossível a Kate conseguir um emprego da mesma maneira que muitas raparigas da sua idade o conseguiriam – eu também tenho vinte e tal anos. A opinião geral é de que Kate deveria fazer trabalho de voluntariado, mas a Casa Real mostra-se relutante; não querem encorajar comparações com Diana.
Ela tem sido muito boa nesta rotina de discrição e recato. Uma amiga que frequenta o nightclub Mahiki, diz: «Ela era famosa por nunca se embebedar e se maquilhar antes de sair dos clubes.»
Esta estratégia serena é uma boa estratégia. Quando pensamos em Kate Middleton, ela é apenas uma imagem. Não sabemos nada das suas opiniões e nunca lhe ouvimos a voz. Temo-la visto a entrar e a sair de discotecas, a ir para o trabalho, a fazer compras e, ocasionalmente, a acompanhar William em funções. Temos ouvido dizer muita coisa sobre ela, mas não temos qualquer ideia sobre o seu carácter.
Kate é uma «princesa» pós-crise financeira. É sensata e tem bom aspecto, sem ser vistosa. O seu vestido de noiva, qualquer que venha a ser, não será espalhafatoso nem de conto de fadas como foi o vestido da princesa Diana, confeccionado por David e Elizabeth Emanuel. Cumprirá o seu papel real sem chamar a atenção da imprensa, como o fazia Diana. Não parece que tenha a mesma inclinação para o drama. É difícil imaginá-la a vomitar nos lavatórios dos palácios ou atirando-se de escadas abaixo para chamar a atenção.
Esta geração da realeza não deseja senão ser normal, enquanto Sarah Ferguson e a princesa Diana queriam ser celebridades, com todas as ratoeiras e tragédias que traz esse género de ambição. Kate também está protegida pela sua alegria e optimismo. «Chega a assinar os seus e-mails de trabalho com “um beijo”!», disse um colega.
As notícias de que William começara a recruta em Janeiro do ano passado com intenção de alistar-se no Departamento de Buscas e Salvamento da Royal Air Force foi um choque para muitos comentadores da Casa Real. Terá de seguir 18 meses de treino e foi noticiado que a isso se seguiriam 7 anos de serviço obrigatório.
Miguel Head, secretário de imprensa dos príncipes William e Harry, diz-me: «Isso é um disparate. A maior parte dos oficiais serve entre 30 e 36 meses no Departamento de Buscas e Salvamento depois de completado o treino.»
Foi dito que isso seria o fim da relação de William e Kate, mas, na verdade, é exactamente aquilo de que estão a precisar. Se William e Kate se casarem durante o período em que ele está na RAF, ela terá de viver em quartéis ou perto deles, o que pode bem garantir-lhes a normalidade que desejam.
Ian Jones, fotógrafo da Casa Real para o Daily Telegraph, que voltou recentemente de uma viagem à Ásia com Charles e Camilla, acredita que isto pode ser o passo certo para o casal. «É um emprego muito válido, que dará a William um enorme sentido de objectivo na vida e bem-estar.»
É um papel muito tradicional para um futuro herdeiro do trono, e o príncipe Carlos passou pelo mesmo. Kate seria mulher de um oficial, e, nestes tempos conturbados da História, isso seria extremamente apropriado. Além de que lhes daria oportunidade de se envolverem em acções de caridade.
Contudo, nem toda a gente elogia o príncipe William. Alguém que o conhece disse: «Ele não é a pessoa mais inteligente que por aí anda. Se não fosse quem é, dificilmente arranjaria emprego na Foxtons (uma imobiliária). Um amigo da escola também disse: «O William é um tipo porreiro, mas de vez em quando gosta de armar-se em rei.» Mas a maior parte das pessoas não concorda e comenta que ele é um jovem educado e equilibrado.
Hugo Vickers, um biógrafo da Casa Real, disse-me: «Se tivéssemos que idealizar em abstracto um herdeiro do trono, havíamos de chegar a qualquer coisa muito parecida com o príncipe William.» E quanto a mulheres dos herdeiros do trono, parece que (façam figas) pode dizer-se o mesmo de Kate Middleton.
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1 Comentários |
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