Quem São os Europeus Mais Populares?

A família europeia acabou de crescer, e muito, com a entrada de 10 novos Estados-membros na União Europeia em Maio. Mas em todas as famílias há uns que se integram melhor do que outros. Pelo que nos pareceu um bom momento para perguntar aos Europeus o que sentem uns pelos outros.
Para saber a resposta, a Reader’s Digest fez inquéritos em 38 cidades de 19 países europeus (entre nós em Aveiro e Faro), de Portugal à Rússia, convidando perto de 4000 inquiridos a fazerem comentários sobre qualquer país que não fosse o deles.
Perguntámos coisas como quais eram os europeus de quem gostavam mais (e menos), quem eram os mais atraentes, os mais eficientes, os que tinham melhor sentido de humor e melhor gastronomia, onde gostariam realmente de viver e até qual a nacionalidade que mais gostariam de ter, para além da sua.
O resultado da nossa sondagem indica que nós, Europeus, estamos apaixonados pela Itália, pelo seu povo e pela sua comida. Os Italianos são os mais populares e os mais atraentes (talvez as duas coisas estejam relacionadas), além de que têm de longe a melhor gastronomia. A Itália é o país onde a maioria dos Europeus mais gostaria de viver (não os Portugueses, 17% dos quais põem a Suíça em primeiro lugar, embora a Itália siga a meio ponto), e a nacionalidade italiana é a que mais gostaríamos – Portugueses incluídos – de ter.
A nossa sondagem tende a confirmar alguns dos estereótipos nacionais mais resistentes: os Alemães são considerados os mais eficientes (e mais malcriados), os Holandeses, o povo de mentalidade mais aberta. Mas muitos britânicos poderão ficar agradavelmente surpreendidos ao descobrirem que passam por ter o melhor sentido de humor. Parece que os Europeus julgam os nativos da Grã-Bretanha com base em Mr. Bean, Basil Fawlty e Monty Python.
Eis como os Europeus votaram detalhadamente, em 12 categorias.
Qual o povo europeu de que mais gosta?
A Itália ficou em primeiro lugar, com 16% dos votos. Entre nós, a Itália tem 18% das preferências, seguida da Espanha com 17% e da França com 15%. Um português francófilo exclamou mesmo perante o entrevistador: «Os Franceses fazem tudo melhor.» Em Munique, Alemanha, uma mulher de 68 anos exprimiu sentimentos tão calorosos acerca da Itália e do seu povo que acabou por se interrogar se «não teria sido italiana numa vida anterior.
Sempre que ouço a palavra 'Itália', o meu coração bate mais depressa».
Em termos gerais, os corações das mulheres europeias batem mais depressa pelos italianos. Vinte por cento das mulheres com idades entre os 36 e os 50 anos e 15% das mulheres com mais de 50 anos escolheram a Itália. Seguiu-se a Espanha, com 12%, e a França, com 10%. O Reino Unido ficou em quarto lugar, com 7% dos votos. Em último ficaram a Polónia, a Rússia, a Hungria e a Eslováquia, com 1% cada. Quanto a Portugal fica acima: 68 entrevistados elegeram o nosso País.
Qual o povo europeu de que menos gosta?
Aqui também houve um claro vencedor: 22% dos inquiridos escolheram a Alemanha. Em Portugal a Alemanha ganha também, mas com menos votação negativa; apenas 11% escolheram gostar menos desse país.
Em Hasselt, Bélgica, uma mulher de meia-idade queixou-se: «Os Alemães são demasiado barulhentos e demasiado chauvinistas.» Um pormenor interessante foi o facto de os mais jovens, sobretudo mulheres, terem sentimentos mais intensos neste ponto do que os mais velhos. Vinte e cinco por cento das mulheres entre os 18 e os 35 anos mostraram-se desagradadas com os Alemães, em comparação com 20% das mulheres de mais de 50 anos.
Mas há muito quem aprecie as boas qualidades dos Alemães. Uma mulher de Tours, França, disse: «Gosto da Alemanha porque é um país que cuida das suas cidades. Estão sempre limpas, sem papéis sujos no chão.»
E uma secretária de 44 anos, também de Tours, contou que, quando perguntou a uma mulher de Munique se podia recomendar-lhe um hotel, a alemã a convidou para ficar em sua casa.
A Rússia e a França ficaram em segundo lugar do desagrado com 12% dos votos cada. Um jovem checo de Praga explicou que os Franceses lhe desagradavam particularmente «por causa do seu orgulhoso patriotismo». Mas a inveja também pode desempenhar o seu papel nessas antipatias. Em Bratislava, Eslováquia, uma mulher de meia-idade admitiu que detestava os Franceses, «sobretudo as mulheres, porque comem que se fartam e conseguem nunca pesar mais do que 40kg».
E há até exercícios de auto-flagelação: um português casualmente entrevistado em França disse que gosta menos dos Portugueses porque os conhece melhor.
Mas quase ninguém antipatiza connosco ou com os Escandinavos: a classificação mais baixa nesta categoria foi para a Noruega e a Suécia, seguidos de perto por Portugal, Dinamarca e Finlândia, com 1% dos votos cada. Houve uma excepção: «Neste momento», desabafou uma matrona finlandesa em Helsínquia, «detesto os Suecos mais do que quaisquer outros. Acabaram de vencer a Finlândia em hóquei sobre o gelo.»
Qual o povo europeu com melhor sentido de humor?
Para a generalidade dos Europeus, a Grã-Bretanha, com 30% dos votos, gera muito mais risos do que os seus rivais mais próximos, a Itália, com 15%, e a França e a Espanha, empatadas a 7%. Mas para os Portugueses, o melhor humor é italiano (25%), seguido do espanhol (24%) e só depois do britânico (21%).
O que mais agradava a um holandês de meia-idade de Alkmaar era a capacidade dos comediantes britânicos para «parecerem mortalmente sérios ao mesmo tempo que eram realmente hilariantes».
Uma jovem húngara que vira todos os filmes dos Monty Python tivera uma verdadeira paixão pelo humor britânico até ir a Londres. Durante uma longa espera por um metro, uma noite, encontrou um jovem inglês que lhe explicou que o atraso se devia provavelmente a um acidente. «Deve haver dezenas de mortos.» «Só quando o jovem desatou a rir é que eu tomei consciência do lado mais negro de certo humor britânico.»
Os homens são quem mais aprecia a graça britânica: 32% dos inquiridos do sexo masculino votaram no Reino Unido.
Quanto ao humor português, não deixa marca, muito francamente. Só 30 pessoas se lembraram dele, um resultado a par com a Suíça e a Rússia, o que diz muito.
Qual o país europeu com melhor gastronomia?
Novo triunfo para a Itália, com 40% dos votos – uns esmagadores 48% em Portugal –, contra os 23% que escolhem a gastronomia francesa – 12% entre nós. O terceiro lugar entre o geral dos Europeus foi para a Grécia, com 9%, mas os Portugueses colocam aí a cozinha de Espanha, preferida por 8% dos inquiridos, que pouco se lembram dos gregos.
Mais de metade das jovens europeias com idades entre os 18 e os 35 anos inquiridas votaram na comida italiana. «A Itália contribuiu tanto para a gastronomia», entusiasmou-se um inglês de meia-idade de Luton. «Que seria de nós sem piza e sem massas?»
Uma secretária alemã de 32 anos, em Berlim, escolheu a Bélgica como ideal gastronómico, declarando: «Não há nada melhor do que batatas fritas com manteiga de amendoim. Consegue ser melhor do que lagosta ou piza.»
Uma jovem húngara de Budapeste frisou que os melhores pratos nacionais tendem a saber melhor nos respectivos países de origem. «O cappuccino que tomei num café de estrada em Itália era muito melhor do que o que é servido mesmo no melhor restaurante de Budapeste.»
A gastronomia portuguesa não chega aos 1% de votos, mas fica à frente da holandesa, da polaca, da norueguesa, da russa, da belga e da dinamarquesa. Era o mínimo, pode dizer-se ...
Quem são os europeus mais sexy?
Nova medalha de ouro para a Itália, com 34% dos votos. Italianos e italianas saem ainda mais destacados entre os inquiridos portugueses, 45% dos quais os elegem. Os Franceses vêem longe em sensualidade com 12%, seguidos dos Espanhóis com 9%.
Comentário de um jovem britânico de Luton: «O povo mais sexy só pode ser o italiano, tanto homens como mulheres. Sabem que são sexy, o que é irritante, mas isso torna-os ainda mais atraentes.»
As mulheres não tinham dúvidas; 43% das inquiridas do sexo feminino, com idades entre os 35 e os 50 anos, votaram nos Italianos, contra uns escassos 12% de votos para os Espanhóis.
Os menos sexy foram os pobres cidadãos belgas, que receberam zero por cento dos votos; 47 pessoas ainda se lembraram de Portugal.
Uma jovem dinamarquesa de Copenhaga entendeu que a pergunta devia ter sido subdividida: «Embora as mulheres italianas sejam fantásticas, os homens italianos não o são. Agora, os Suecos …!»
Depois de ter proclamado a sua preferência pelos homens de Espanha, uma senhora britânica de meia-idade, em Luton, baixou a voz e acrescentou: «São bastante peludos, não são? Mas não digam ao meu marido.»
Em Budapeste, quando uma jovem mãe acabou de exprimir a sua sincera aprovação pelos espanhóis, a sua filha pequena perguntou: «Então, porque casaste com o papá?»
Qual o povo europeu com uma mentalidade mais aberta?
Com a sua característica descontracção no que diz respeito a sexo e drogas, os Holandeses foram os primeiros classificados nesta categoria, com 21% dos votos – entre nós levaram mesmo 37% dos votos, seguidos de longe pela Alemanha, com 11%. Apesar de todos os mitos sobre a liberalidade sueca, os Portugueses põem a Suécia apenas em 3º lugar com 10%.
Durante uma visita a Amsterdão, um jovem húngaro ficou boquiaberto ao dar por si num café onde podia «podia encomendar erva e haxixe a partir da ementa». Outro jovem eslovaco de visita à Holanda, ficou igualmente surpreendido ao deparar com um clube para homossexuais ao lado de uma igreja católica. «Deve significar que católicos e homossexuais não se incomodam com a presença uns dos outros.»
Para os inquiridos em geral, o segundo lugar foi para a Suécia, com 10%, seguida da França, da Itália (outra vez) e da Alemanha, com 8% cada.
Quem são os europeus mais malcriados?
Para o geral dos Europeus inquiridos, a Alemanha foi quem se saiu pior desta pergunta, com 27% dos votos; mas não em Portugal, onde 22% consideram que são os espanhóis os mais malcriados, vindo a Alemanha em 3º lugar com 16% e, por qualquer razão misteriosa, os Irlandeses em 4º, com 11%.
Uma jovem mãe checa, de Praga, não tinha dúvidas sobre os Alemães: «São muito barulhentos e pouco respeitosos. Gritam constantemente.»
Os segundos mais malcriados para o total dos inquiridos foram os Franceses, com 14% (entre nós, só 4% os escolhem). «São brutais e agressivos no trânsito», foi o veredicto de um belga de 40 anos.
Mas o 2º lugar em Portugal vai inteirinho para os Britânicos, com 20% dos votos. «Os ingleses não sabem comportar-se quando estão de férias. Não fazem senão beber e berrar», disse um dos inquiridos, provavelmente ainda receando as visitas do Euro2004.
Os menos malcriados foram a Noruega e a Suíça, com 1% cada. Praticamente ninguém (excepto uns irritantes 58 inquiridos) se lembrou felizmente de nós, deixando-nos na excelente companhia de Finlândia e Dinamarca.
Quem são os europeus mais eficientes?
Apesar dos recentes desgostos económicos, os Alemães ainda são considerados o povo mais eficiente da Europa, com uns categóricos 45% dos votos – 30% entre nós –, votação que ascende aos 50% entre os inquiridos do sexo masculino de todas as idades.
Os aplausos vieram de todos os lados. Na Bélgica, uma mulher de meia-idade afirmou: «Os Alemães respeitam sempre os seus acordos». Uma checa comentou com admiração: «São tão precisos e exactos em tudo o que fazem.» Na Grã-Bretanha, um homem de meia-idade sublinhou: «Os Alemães fizeram muitíssimo pela engenharia e pela indústria.»
Os sempre asseados suíços ficaram num segundo lugar muito distante, com uns meros 11 por cento – 14% entre nós. Ninguém parecia esperar muito de Portugal, que ficou abaixo do 1%, mas melhor que a Grécia, a Hungria, ou os 0% da Eslováquia.
Qual o país europeu onde mais gostava de viver?
Se pudessem, muitos dos europeus rumariam a sul, principalmente para a Itália (16%), seguida de perto pela Espanha (15%) e com a França em terceiro lugar (11%). Os países menos desejados foram a Polónia e a Eslováquia, com 0%. Em Portugal, gostariam de viver exactamente 93 das pessoas inquiridas, razóaveis 2,5% de preferências.
Já as preferências portuguesas são diferentes: a Suíça vem em 1º lugar com 17% (será a emigração, serão os lagos, serão os chocolates, serão os relógios?), seguida de muito perto pela Itália (16%) e a Espanha (10%).
Um banqueiro parisiense reformado, muito viajado, tinha excelentes recordações da região de Aragão, em Espanha. «Acolheram-me tão calorosamente e trataram-me como se eu fosse da família.»
E acrescentou: «Receio que em França sejamos muito menos amistosos; podíamos muito bem aprender algumas lições dos nossos vizinhos.»
Em S. Petersburgo, um russo de 40 anos terá explicado involuntariamente a preferência portuguesa (e sua) com este bom argumento a favor da Suíça: «É um país onde nunca houve uma guerra e onde penso que nunca haverá. É uma nação astuta. Chegará a acordo com quem for preciso, e pagará a quem tiver de pagar, mas nunca entrará em guerra.»
Se não pudesse ter a sua própria nacionalidade, a que outra nação europeia gostaria de pertencer?
A Itália venceu mais uma vez, com 13% dos votos (18% entre nós). Um jovem empregado de balcão de Ávila, Espanha, achava que os Italianos eram o povo que mais tinha em comum com os seus compatriotas. «Vejo-os como sendo muito semelhantes a nós nos seus gostos culinários. Divertem-se e têm imenso sentido de humor. Além disso, não parecem ter a mesma necessidade de trabalhar tanto e de ser tão prósperos como os Alemães.»
O seu próprio país, a Espanha, foi o segundo classificado, com 11% dos votos (12,5% entre nós), ficando a França em terceiro com 10%. Mas para os Portugueses o 3º lugar vai para outro: a Suíça, nacionalidade por que optariam 10% dos inquiridos, enquanto a França só captiva 8%.
Um escritor belga de 50 anos quase optou pela nacionalidade britânica. «Mas não aderiram ao euro, portanto não os considero europeus.»
Um polaco de Wodzislaw Slaski desejava a nacionalidade britânica por uma razão simples: «Não têm de passar pelo esforço de aprender qualquer língua estrangeira para poderem sentir-se cidadãos do Mundo.»
Qual o país europeu que maior contributo deu ao mundo?
Os Ingleses podem passar por insulares, mas a sua influência além-fronteiras é amplamente reconhecida. Ficaram em primeiro lugar nesta categoria, com 28% dos votos (27% em Portugal), por toda a espécie de razões. «Porque inventaram o futebol», disse um suíço idoso de Yverdon-les-Bains. «Porque descobriram a penicilina», opinou uma senhora checa.
No geral, a Alemanha obteve 21% dos votos e a França, 13%. Mas em Portugal a lista é diferente: a seguir ao Reino Unido vêm a Itália, com 21%, a França, com 12%, a Grécia, com 11% (aqui está uma lembrança esclarecida), e só depois a Alemanha (10%).
Um jovem russo escolheu a Alemanha «pelos seus excelentes carros». Um jovem dinamarquês sugeriu a Suíça: «Deram-nos o queijo e o relógio.»
Um jovem britânico apresentou um forte argumento a favor da Irlanda: «Deram ao mundo a cerveja Guinness.»
De Portugal lembraram-se 21 inquiridos do total de quase 4000. Ou, nas palavras de um aveirense do sexo masculino e de meia idade: «A Europa devia lembrar-se mais do contributo de Portugal.»
Qual é a sua cidade europeia favorita?
Paris foi o destino mais desejado, com 25% dos votos (14,5% dos votos portugueses); Londres e Roma obtiveram 13% cada (entre nós 9,5 e 7,5% respectivamente), Praga e Barcelona, 6% (entre nós 8,5 e 5,5% respectivamente) e Veneza, 5% (4,5%).
Um holandês de 55 anos tornou-se poético: «Adoro Paris pela sua nostalgia, pelos velhos edifícios. Há tanto que ver, é maravilhoso.»
Também na Holanda, uma jovem estudante de Psicologia de 25 anos insistia: «Em Roma, não há nada que não seja bonito.»
Uma estudante belga de 22 anos entusiasmava-se, «Roma tem um visual e uma comida impressionantes. E os homens também são deliciosos.»
Um austríaco de 47 anos, trabalhador da função pública, optou pela vizinha cidade de Munique, do outro lado da fronteira. «As pessoas são muito parecidas connosco e têm boa cerveja.»
As considerações pessoais mostraram ter um grande peso. Em Varsóvia, uma elegante senhora polaca suspirou: «Moscovo. Foi onde vivi o meu grande amor.»
E a beleza não é tudo. Seis cidadãos da Polónia, Hungria, Portugal e Suécia escolheram Manchester, cidade célebre sobretudo pela sua equipa de futebol e pela chuva.
A Reader's Digest entrevistou 3 841 pessoas em 19 países europeus, durante os meses de Março e Abril de 2004. Em Portugal, as entrevistas de rua decorreram no mês de Abril, em Aveiro e Faro.
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