Neste passeio, que liga Montemor e Évora pelos caminhos que melhor revelam a sua beleza rural, percorrerá 17 000 anos de história, testemunhados pelas pinturas rupestres das grutas do Escoural, a necrópole da Anta Grande do Zambujeiro, menires isolados e, assinalando misteriosos rituais das comunidades agro-pastoris do Neolítico, os cromeleques dos Almendres e de Vale de Maria do Meio.

Montemor-o-Novo - Escoural

A melhor maneira de iniciar esta viagem pelo tempo consiste numa visita ao Museu de Arqueologia de Montemor, situado no Convento de S. Domingos. Este museu inclui um núcleo de arqueologia que integra um excelente centro de interpretação das grutas do Escoural, uma sala de olaria portuguesa e uma secção de etnografia. Pode ainda visitar a biblioteca e a igreja do convento, onde pode apreciar um dos maiores revestimentos azulejares seiscentistas do País.

Junto ao museu, corre a Rua de S. Domingos, pela qual se faz a saída de Montemor em direcção ao Escoural. Percorridas umas centenas de metros, surge uma pitoresca travessia sem ponte do rio Almansor, junto ao Porto das Lãs.

Mais adiante, tome como referência o entroncamento para, cerca de 4 km depois, proceder a uma pequena incursão à direita para Caeiras, rumo ao Convento dos Monges, ou de Nossa Senhora do Castelo das Covas de Monfurado. No caminho de terra, que deverá seguir sempre pela direita, vai passar pelo Solar da Quinta da Torre do Carvalhal, paço torreado edificado para habitação e defesa.

O acesso ao convento faz-se a partir do cruzamento seguinte, junto a uma cerca com porteira à esquerda da estrada. Caso não encontre indicação em contrário, estacione, passe a pé pela cancela e siga sempre pela esquerda até encontrar um impressionante conjunto de ruínas envoltas em mato. Ida e volta: 1600 m.

Ligado às desventuras de um grupo de anacoretas que viviam em lapas subterrâneas escavadas na serra de Monfurado, este convento, habitado mais tarde por monges descalços pau listas, teve pouco tempo de vida: a primeira missa foi rezada em 1738, o terramoto de 1755 causou-lhe avultados estragos e, em 1834, foi atingido pelo decreto de extinção das ordens religiosas. A igreja teve culto até aos alvores do nosso século. Por razões de segurança, a visita deve limitar-se ao exterior.

Se quiser levar mais longe o conhecimento da zona, siga pelo mesmo caminho de terra até ao casario de Caeiras. Contorne-o pela direita, passe um laranjal e continue até à pequena Ermida de S. Luís da Mogueira (séculos XVII-XVIII), onde, no último fim-de-semana de Agosto, se faz a festa da "bênção dos animais". A originalidade da sua colecção de ex-votos de cera fala por si das promessas e agradecimentos ao santo padroeiro. Para visitar, peça no monte.

Regresse à estrada e siga para o Escoural. Dê uma volta pelo casario antigo, de grandes chaminés, e aproveite o passeio para localizar as fontes da boa reputação gastronómica da terra. Na igreja paroquial, parcialmente recuperada na década de 70, merece visita a abóbada da capela-mor, revestida de azulejos do princípio do século XVIII. A chave está no nº 9 da Rua António José de Almeida.

Escoural – Valverde

Saia do Escoural tomando a direcção de Évora e, na bifurcação que indica Valverde-S. Brissos, siga em frente até às grutas do Escoural. A porta do gradeamento que protege o monumento está normalmente fechada: tem de bater e esperar.

Descobertas acidentalmente em Abril de 1963, a sua importância arqueológica deve-se a duas razões: por um lado, são uma necrópole neolítica de características únicas numa região dominada por abundantes monumentos funerários construídos, as antas; por outro, as pinturas e gravuras que as celebrizaram permitem afirmar que, muito antes dos homens do Neolítico, foram procuradas por caçadores paleolíticos, que nelas deixaram marcas de passagem.

Regresse à bifurcação e siga para S. Brissos. A cerca de 3 km, surge a Anta-Capela de Nossa Senhora do Livramento, exemplo de monumento megalítico transformado em templo cristão no século XVII.

Prossiga entre o vale da ribeira de S. Brissos e a serra da Nogueirinha. Em S. Brissos, terra de pão, visite a igreja paroquial (século XVIII). Aprecie os frescos setecentistas da abóbada.

Cerca de 600 m antes da placa de Valverde, vire à esquerda até ao Castelo de Giraldo, ruínas de um castelo ou atalaia medieval, com uma excelente vista sobre Valverde e Évora.

Desça à povoação, atravesse a ponte sobre a ribeira de Valverde e prossiga pela direita, passando sob a arcaria do aqueduto. Está no conjunto arquitectónico da Herdade da Mitra, hoje propriedade da Universidade de Évora. Visite a Igreja do Bom Jesus Salvador do Mundo, renascentista, com 32 colunas toscanas e cinco capelas octogonais cobertas por cúpulas circulares (a chave está na casa ao lado). Um pouco mais acima, entre no Pátio Matos Rosa, digníssimo enquadramento do antigo Paço Episcopal, e procure o acesso ao Jardim de Jericó, decorado com estatuetas de pedra.

Retome a direcção de Valverde e entre no caminho sinalizado para a Anta Grande do Zambujeiro. Nas duas primeiras bifurcações, siga pela esquerda. Estacione antes da ribeira de Peramanca e visite a anta a pé. Considerada no seu género a maior da Europa, a anta do Zambujeiro é um dos expoentes mais espectaculares de necrópoles construídas pelos homens do Neolítico nesta região.

Valverde – Guadalupe

Regresse a Valverde, suba a povoação e tome o estradão para Guadalupe e o cromeleque dos Almendres. No caminho que liga a aldeia ao monumento, passa-se pelo Monte dos Almendres. Peça autorização para visitar o menir, localizado no olival por detrás dos silos. Monólito de forma fálica, insinua ritos de fertilidade, com uma inscultura em forma de báculo no topo dos seus 4 m de altura.

Retomando a estrada, desemboca directamente no cromeleque. Impressionante conjunto de 95 menires, alguns com insculturas de cariz esquemático-geométrico ou astral, este recinto megalítico é o maior da Península e data do período entre o Neolítico e o Calcolítico.

O seu significado mágico-religioso alimenta a imaginação dos arqueólogos, que se inclinam para hipóteses que associam este monumento a várias funções. Regresse a Guadalupe e dê um salto patrimonial no tempo. A Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, do século XVII, chegou aos nossos dias em estado de grande ruína e sofreu, na década de 60, obras de recuperação que salvaram, entre outras preciosidades, as belas pintu¬ras a fresco da abóbada da nave e da sacristia. Não deixe de as visitar. A chave está na casa ao lado.

Guadalupe – Évora

Prosseguindo em direcção a Évora, em poucos minutos está no entroncamento com a EN 114. Vire à direita e, 500 m depois, à esquerda para S. Matias. Centre a sua atenção na igreja. Construída em princípios do século XVI, apenas conserva da fundação a parede do altar-mor decorada com ameias chanfradas e pináculos piramidais; em contrapartida, na ex-sacristia passaram a cultivar-se sabores ancestrais. Entre e aprecie.

Junto à escola primária, parte um antiquíssimo caminho com atractivos irrecusáveis: proporciona um agradável passeio pelo campo e é a via mais directa para o cromeleque de Vale de Maria do Meio. São pouco mais de 3 km de terra, acessíveis desde que feitos com cuidado e paciência. Siga em frente até ao primeiro entroncamento e vire à esquerda, passando ao largo do Monte do Laranjal. A próxima referência é o inconfundível Monte da Valada, com dois letreiros bem visíveis: "Casa da Guarda" e "Casa das Mentiras", esta última local de tertúlia de caçadores... No entroncamento, junto ao Monte de Vale de Maria, vire à direita, passe a malhada e estacione: o cromeleque, com acesso a pé, situa-se no cabeço à esquerda.

Deixando a malhada, à esquerda, tem, à direita, um caminho que conduz à estrada Alto da Abaneja-Valeira. Vire à direita e regresse a Évora pela estrada de Arraiolos. Vai passar sob a arcada de um dos trechos mais artísticos do Aqueduto da Água da Prata, com três torrinhas renascença atribuídas a Francisco de Arruda, e pelos Conventos de S. Bento de Cástris e da Cartuxa.

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