Mas se vissem a sua mãe a pé e a andar de um lado para o outro às 4 da madrugada, talvez já não achassem aquelas sestas tão boa ideia. A sua mãe não dorme, mas você também não sabendo que ela está infeliz.
A geração dos nossos pais vive mais do que as gerações precedentes, e por isso acabamos por ter que nos envolver nos seus problemas de saúde e bem-estar, quer vivam connosco ou não.
Uma mulher conta que acorda todas as manhãs às 4 quando a sua mãe, com 80 anos, vai para a cozinha fazer papa de aveia. Quando ouvia o ruído da colher a mexer os flocos e o som do tacho a ser colocado no lava-loiça para ela de manhã o lavar, já a sua tensão arterial tinha disparado. Além disso, já havia perdido o sono por completo e o descanso estava arruinado.
Uma senhora de oitenta e tal anos que vive sozinha começou a telefonar todas as noites, já muito tarde, para a sobrinha. «Tenho de ir ao hospital», dizia, chorosa. «o teu tio precisa de mim.» Delicadamente e com muita calma, a sobrinha lembra à tia que o marido já tinha morrido há dois anos e depois passa uma hora a tentar consolar a desolada senhora.
Com a ajuda do médico, de profissionais especializados e de terapeutas, e com muita paciência, conseguimos, na maior parte dos casos, resolver estas questões.
Mas fazemo-lo divididas entre o desejo e o dever de dar assistência aos nossos idosos e a necessidade de dormir.
Frequentemente, em geral a meio de uma noite sem dormir, acabamos por perceber que, se queremos dormir, também os temos de ajudar a dormir.
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