Os mitos sobre o sono dos mais velhos
Até há pouco tempo, partia-se do princípio de que envelhecer significava adormecer no sofá durante o dia e dormir menos à noite.

Na verdade, é desse aspecto que os nossos pais idosos se queixam.
Recentemente, alguns investigadores começaram a pôr em questão estas nossas certezas acerca dos factores que perturbam o sono nocturno dos mais velhos. Assim, começam a colocar a hipótese de a insónia não ser uma consequência natural do envelhecimento, mas sim o resultado de problemas específicos que têm soluções igualmente específicas.
Os problemas parecem poder ser enquadrados em quatro áreas, de acordo com a Dr.ª Sonia Ancoli-Israel, professora de Psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego e presidente da Associação Nacional do Sono.
Por um lado, «à medida que envelhecemos, os problemas de saúde aumentam», explica a Dr.ª Ancoli -Israel. «Depressão, dor causada pela artrite ou por uma doença cancerosa, distúrbios neurológicos, como doença de Alzheimer, insuficiência de sistemas orgânicos resultante de doença cardíaca ou pulmonar e insuficiência renal - tudo isto contribui para interromper o sono.»
Além disso, «a medicação prescrita aos idosos para tratar essas doenças, médicas ou psiquiátricas, também pode interferir no sono - sobretudo as substâncias estimulantes ou activadoras quando são tomadas à tarde.»
Uma terceira causa é o aumento de perturbações do sono que parece acompanhar o envelhecimento - síndroma das pernas inquietas e apneia do sono, em particular -, e uma quarta diz respeito a alterações do relógio biológico.
«As alterações dos ritmos circadianos do corpo tornam mais difícil dormir as horas de que precisamos», adianta a Dr.ª Ancoli-Israel. «A idade faz avançar o ritmo biológico, e as pessoas mais velhas adormecem mais cedo da parte da tarde - cerca das 1 8, 1 9 ou 20h. Se forem para a cama a essa hora, podem dormir o número de horas habituais, mas isso implica que vão acordar às 3, 4 ou 5 da madrugada. E esta é a mais frequente queixa das pessoas idosas: acordam a meio da noite e não conseguem voltar a adormecer.
O que se passa é que o relógio biológico desperta. A noite fisiológica acabou», conclui a Dr.ª Ancoli - Israel.
No entanto, em muitos casos, os nossos familiares idosos não se deitam às 7 ou 8 da noite, horas a que começam a cabecear. Tentam ficar acordados até uma hora mais razoável, às 9, la ou 11 da noite.
Isto significa com frequência que se sentam depois do jantar em frente da televisão e vão dormitando. «Podem dormir meia hora ou uma hora», diz a Dr.ª Ancoli-Israel. «A seguir, acordam.»
A médica sorri: «Mas se lhes perguntarem se dormiram uma sesta à tarde, responderão negativamente porque, aparentemente, dormir à frente da televisão não conta.»
Infelizmente, quando se deitam, muitas pessoas idosas não conseguem adormecer. Acabaram de dormir uma hora, por isso é natural que não tenham sono. O relógio biológico não dá indicação ao corpo para adormecer. Assim, dão voltas e mais voltas na cama - e, uma vez adormecidos, acabam por acordar às 3 ou 4 da manhã. O tempo da sesta mais o tempo passado na cama acabam por corresponder a uma noite de sono.
Outra causa frequente de perturbação do sono dos idosos são os factores de stress. «Por terem idade, não quer dizer que os idosos não sintam stress», afirma a Dr.ª Cathy A. Alessi, professora na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e directora associada de investigação dos serviços clínicos de saúde do Los Angeles Veterans Administration Healthcare System.
As pessoas de idade podem já não ter de preocupar-se com os cuidados com as crianças ou com um empregador exigente, mas têm de enfrentar circunstâncias difíceis, como a reforma, conseguir pagar as contas com a pensão de reforma da Segurança Social ou de um plano poupança-reforma, mudar para uma casa mais pequena, passar a viver num centro ou lar para idosos, o aparecimento de doenças associadas ao envelhecimento, a perda de amigos, vizinhos ou de companheiros que morrem e a sua própria mortalidade.
De certa forma, os problemas que as pessoas de idade têm de enfrentar são os desafios mais duros e difíceis que a vida alguma vez lançará.
Recentemente, alguns investigadores começaram a pôr em questão estas nossas certezas acerca dos factores que perturbam o sono nocturno dos mais velhos. Assim, começam a colocar a hipótese de a insónia não ser uma consequência natural do envelhecimento, mas sim o resultado de problemas específicos que têm soluções igualmente específicas.
Os problemas parecem poder ser enquadrados em quatro áreas, de acordo com a Dr.ª Sonia Ancoli-Israel, professora de Psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego e presidente da Associação Nacional do Sono.
Por um lado, «à medida que envelhecemos, os problemas de saúde aumentam», explica a Dr.ª Ancoli -Israel. «Depressão, dor causada pela artrite ou por uma doença cancerosa, distúrbios neurológicos, como doença de Alzheimer, insuficiência de sistemas orgânicos resultante de doença cardíaca ou pulmonar e insuficiência renal - tudo isto contribui para interromper o sono.»
Além disso, «a medicação prescrita aos idosos para tratar essas doenças, médicas ou psiquiátricas, também pode interferir no sono - sobretudo as substâncias estimulantes ou activadoras quando são tomadas à tarde.»
Uma terceira causa é o aumento de perturbações do sono que parece acompanhar o envelhecimento - síndroma das pernas inquietas e apneia do sono, em particular -, e uma quarta diz respeito a alterações do relógio biológico.
«As alterações dos ritmos circadianos do corpo tornam mais difícil dormir as horas de que precisamos», adianta a Dr.ª Ancoli-Israel. «A idade faz avançar o ritmo biológico, e as pessoas mais velhas adormecem mais cedo da parte da tarde - cerca das 1 8, 1 9 ou 20h. Se forem para a cama a essa hora, podem dormir o número de horas habituais, mas isso implica que vão acordar às 3, 4 ou 5 da madrugada. E esta é a mais frequente queixa das pessoas idosas: acordam a meio da noite e não conseguem voltar a adormecer.
O que se passa é que o relógio biológico desperta. A noite fisiológica acabou», conclui a Dr.ª Ancoli - Israel.
No entanto, em muitos casos, os nossos familiares idosos não se deitam às 7 ou 8 da noite, horas a que começam a cabecear. Tentam ficar acordados até uma hora mais razoável, às 9, la ou 11 da noite.
Isto significa com frequência que se sentam depois do jantar em frente da televisão e vão dormitando. «Podem dormir meia hora ou uma hora», diz a Dr.ª Ancoli-Israel. «A seguir, acordam.»
A médica sorri: «Mas se lhes perguntarem se dormiram uma sesta à tarde, responderão negativamente porque, aparentemente, dormir à frente da televisão não conta.»
Infelizmente, quando se deitam, muitas pessoas idosas não conseguem adormecer. Acabaram de dormir uma hora, por isso é natural que não tenham sono. O relógio biológico não dá indicação ao corpo para adormecer. Assim, dão voltas e mais voltas na cama - e, uma vez adormecidos, acabam por acordar às 3 ou 4 da manhã. O tempo da sesta mais o tempo passado na cama acabam por corresponder a uma noite de sono.
Outra causa frequente de perturbação do sono dos idosos são os factores de stress. «Por terem idade, não quer dizer que os idosos não sintam stress», afirma a Dr.ª Cathy A. Alessi, professora na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e directora associada de investigação dos serviços clínicos de saúde do Los Angeles Veterans Administration Healthcare System.
As pessoas de idade podem já não ter de preocupar-se com os cuidados com as crianças ou com um empregador exigente, mas têm de enfrentar circunstâncias difíceis, como a reforma, conseguir pagar as contas com a pensão de reforma da Segurança Social ou de um plano poupança-reforma, mudar para uma casa mais pequena, passar a viver num centro ou lar para idosos, o aparecimento de doenças associadas ao envelhecimento, a perda de amigos, vizinhos ou de companheiros que morrem e a sua própria mortalidade.
De certa forma, os problemas que as pessoas de idade têm de enfrentar são os desafios mais duros e difíceis que a vida alguma vez lançará.
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