É o caso da dor crónica persistente, objecto de uma abordagem específica, a algologia, uma disciplina muito recente. Recentes são também os centros especializados no controle da dor, até à data criados apenas em alguns países.
 
 
O que é uma dor crónica?
É uma dor que se prolonga no tempo por mais de 3 a 6 meses e que não cede aos tratamentos médicos, afectando negativamente a vida psíquica, familiar, profissional e social do doente.

Porque pode ter mecanismos e repercussões de vária ordem, a dor crónica requer urna abordagem multidisciplinar tanto na sua avaliação como no seu tratamento. Assim, o tratamento deste tipo de dor visa não só aliviar o sintoma em si, mas também ajudar a pessoa doente a gerir melhor psicologicamente o seu estado e a manter as suas actividades.
O tratamento terapêutica engloba muitas vezes vários intervenientes, que devem agir em consonância.

As dores crónicas mais frequentes são:
- Dores nas costas;
- Dores de cabeça;
- Dores de doenças cancerosas;
- Dores pós-traumáticas;
- Dores após lesão de um nervo, ou dores nevrálgicas.
 
 
Como enfrentar a dor crónica?
Tratar uma dor crónica significa ter em conta todos os seus aspectos para decidir as terapêuticas a utilizar.
 
 
Medicamentos
Encontrar a medicação eficaz pode exigir algum tempo de adaptação das doses, sendo muitas vezes necessário um acompanhamento médico regular. Os tratamentos devem ser feitos a horas certas, e não de forma esporádica. No caso de dores muito fortes (doenças cancerosas, por exemplo), o médico pode receitar morfina. Nem todas as dores respondem aos antálgicos, e as dores neurológicas são tratadas com antidepressivos e anticonvulsivantes (ou antiepilépticos).
 
 
Técnicas
- Estimulação eléctrica nervosa transcutânea, e por vezes medular, em dores nevrálgicas.
- Bloqueios do sistema nervoso simpático (injecção de substâncias que inibem o sistema nervoso simpático) nas algodistrofias.
- Infiltração de anestésicos locais ou de corticosteróides em reumatologia.
 
 
Cinesiterapia, reeducação
São aconselhadas em muitos casos, como nas dores nas costas, por exemplo. Os técnicos explicam aos doentes os mecanismos da dor e ensinam a evitar ou a minimizar essas dores através da reeducação postural (como levantar-se, sentar-se, carregar pesos) e a relaxar.
 
 
Aspecto psicológico
- A dor tem aspectos psicológicos que importa entender e interpretar.
- Cabe à equipa de assistência tentar perceber como a pessoa reage e ensinar-lhe comportamentos mais adaptados (relaxamento e técnicas de controle do stress, por exemplo). É essencial uma relação de apoio e de empatia, e por vezes torna-se necessária a intervenção de um psicólogo. No caso de doenças cancerosas, o acompanhamento e os cuidados paliativos são ajudas indispensáveis.
- A dor é um assunto que diz respeito a qualquer médico. Mas quando se torna difícil de aliviar, o médico assistente pode e deve pedir a intervenção de médicos e de outros profissionais treinados no tratamento da dor.
 
 
O médico da dor
O médico da dor pode ser um especialista ou um generalista.
Em Portugal, começa já no próximo ano lectivo o Curso de Pós-Graduação em Medicina da Dor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Estas e outras iniciativas permitirão formar as equipas das unidades de dor, existentes ou a criar. Até agora, os médicos e profissionais que prestam aos doentes assistência em situações de dor, crónica e aguda, fazem-no com elevada qualidade devido ao empenho e dedicação com que encaram o problema da dor.

A dor crónica afecta uma muito grande percentagem da população portuguesa, sendo por isso um problema de saúde pública.
 
Assim, é preciso encarar a dor como um problema grave, e é já consensual que deve dar-se prioridade à criação de unidades de dor em hospitais e centros de saúde. A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) tem vindo a promover a realização de estudos e debates, relançando a questão da criação no nosso país, à semelhança do que já acontece noutros países europeus, de uma especialidade, subespecialidade ou competência em medicina da dor.

Durante a formação em Medicina da Dor, o médico aprofunda os seus conhecimentos sobre os aspectos neurofisiológicos, farmacológicos e também sobre a clínica (formas de manifestação) das diferentes patologias dolorosas e a forma de tratar o doente com dores crónicas. Aprende a fazer uma avaliação global (diagnóstico da causa, capacidades funcionais, profissionais, contexto psicológico e familiar do doente) que lhe permita elaborar um plano de tratamento multidimensional.
 
 
Os centros de luta contra a dor
Nos países onde já existem, estes centros são consultas hospitalares, em centros de saúde ou em consultório. De acordo com critérios da IASP (International Association for the Study of Pain), de que a APED é associada, as unidades de dor classificam-se em básicas e de nível I, II e III. O nível básico engloba toda a forma organizada de tratamento de dor, independentemente dos recursos e métodos terapêuticos utilizados.

As unidades de dor de nível I (existem 15 em Portugal e pretende-se que em 2007 sejam 50) estão vocacionadas para o diagnóstico e orientação terapêutica dos doentes com dor crónica e têm capacidade para intervir em situações de urgência. Funcionam em espaço próprio e têm um coordenador e pelo menos 3 médicos treinados no tratamento da dor, sendo um deles especializado em psiquiatria ou psicologia.

As unidades de dor de nível II têm capacidade para tratar doentes com dor em ambulatório, internamento ou urgência. Podem lidar com situações de dores crónica, oncológica ou não, e aguda não-cirúrgica. A equipa, multidisciplinar, é constituída pelo menos por 3 médicos treinados em tratamento de dor, sendo um deles especializado em psiquiatria. Existem 9 em Portugal. Em 2007, deverão ser 16.

As unidades de dor de nível III têm, além das características das unidades de nível II, capacidade para investigação e formação na área da dor. Têm de estar integradas em instituição de investigação ou ensino universitário. Em Portugal, não existe nenhuma, e pretende-se até 2007 criar duas.
 
 
Como se tem acesso a uma unidade de dor?
O doente deverá ser encaminhado para uma unidade de dor pelo seu médico assistente (ou médico de família), o que implica a necessidade de comunicação entre as unidades de dor e outros profissionais hospitalares e dos centros de saúde.
 
 
A primeira consulta
As condições de consulta diferem de um estabelecimento para outro: por vezes, é necessário trazer um relatório do médico assistente explicando que a dor dura há pelo menos 6 meses e que não foi possível aliviá-la com nenhum tratamento. Em todos os casos, para a primeira consulta leve o seu dossier médico o mais completo possível: resumos do diagnóstico e dos tratamentos redigidos pelo seu médico assistente, descrição da causa e consequências da hospitalização, resultados de exames e análises e quaisquer outros elementos que pense poderem ser úteis para esclarecer a sua situação.
 
 
Três tipos de dor
Estas definições são apresentadas no Plano Nacional de Luta contra a Dor.
Dor pós-operatória: dor num doente cirúrgico. de qualquer idade e em regime de internamento ou ambulatório, causada por doença preexistente devido à intervenção cirúrgica ou à conjugação de ambas.
Dor crónica: dor prolongada no tempo. normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, que causa sofrimento, podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos.
Dor aguda: dor de início recente e de provável duração limitada, havendo normalmente uma definição temporal e/ou causal.

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