Muita gente preocupa-se por não ter actividade intestinal com frequência suficiente, mas, na verdade, a regularidade e o conforto do trânsito intestinal são mais importantes que a frequência. Contudo, qualquer alteração persistente do padrão de actividade dos intestinos deve ser investigada pelo médico.

Causas

A causa mais comum da obstipação nos países desenvolvidos é a insuficiência de fibras na alimentação. As fibras, presentes em alimentos como o pão integral, a fruta fresca e as saladas, fornecem o volume de que os músculos do cólon (intestino grosso) necessitam para estimular a propulsão das fezes.

Outra causa de obstipação é a falta de hábitos regulares de funcionamento intestinal. Isso pode resultar da má educação nesse sentido durante a infância ou de repetidamente se ignorar a vontade de defecar. Nos idosos, esta atitude deve-se por vezes à imobilidade. Outra causa de obstipação em certas pessoas idosas é o enfraquecimento dos músculos do abdómen e do pavimento pélvico, o que impede a pressão adequada para defecar.

Nas pessoas que sofrem de hemorróidas ou de fissura do ânus (laceração da pele do ânus), a dor experimentada com a passagem das fezes pode ser suficientemente intensa para inibir os movimentos intestinais.

No cólon irritável, ou cólon espástico, a obstipação pode ser intermitente, alternando por vezes com diarreia. No hipotiroidismo, a motilidade do cólon torna-se mais lenta, resultando em obstipação crónica. Um estreitamento localizado do cólon devido a doença diverticular ou a cancro, por exemplo, é outra causa possível de obstipação.

Diagnóstico

O médico avalia habitualmente a obstipação através de uma história clínica detalhada, um exame físico e, por vezes, exames especiais para estudo da motilidade e trânsito intestinais.

Caracterizada a obstipação, compete ao médico a decisão de, em casos seleccionados, executar exames radiográficos e/ou endoscópicos para diagnóstico de eventual lesão orgânica.

Tratamento

O uso prolongado de laxantes prejudica o funcionamento normal do cólon e deve, em geral, ser evitado. Nos casos em que o esforço para a passagem das fezes vai agravar outra situação existente, como as hemorróidas, pode ser indispensável o seu uso a curto prazo.

A obstipação pode habitualmente resolver-se com algumas medidas auto-aplicadas -estabelecer uma rotina periódica de uso da sanita, nunca reprimir a vontade de defecar, aumentar o volume de fibras na alimentação e beber mais líquidos. Se a obstipação persistir apesar destas medidas, deve procurar-se orientação médica.

Deve igualmente consultar-se o médico se a obstipação se verificar após anos de hábitos intestinais normais ou for acompanhada de sangue nas fezes, dores no ânus ou recto, cólicas abdominais ou perda de peso.

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