Num gélido fim de tarde, no mês de Novembro do ano de1588, numa taberna de uma aldeia, no coração da região rural de Somerset, em Inglaterra, havia no ambiente uma agitação maior do que a usual. Muita gente especulava acerca dos resultados do confronto entre a frota inglesa e a armada de Filipe II de Espanha. Um cavalheiro que se encontrava entre os presentes, um advogado abastado, leu em voz alta um boletim de notícias que recebera de Londres, pelo correio, nessa manhã. Quando confirmou as boas notícias de que os Ingleses tinham de facto derrotado os Espanhóis, os aldeãos irromperam em gritos de júbilo — os seus receios de uma invasão tinham desaparecido.

Mexericos na catedral

Nos séculos XVI e XVII , só a algumas, poucas, pessoas de posses era dado beneficiar desse serviço noticioso. A troco de um pagamento anual de cerca de 5 libras, os subscritores contratavam correspondentes particulares para os manter informados dos últimos mexericos da cidade, enquanto eles se encontravam nas suas casas de campo. Estes correspondentes recolhiam as informações nos pontos de encontro da cidade: a nave da Catedral de S. Paulo, em Londres, era um dos locais mais frequentados, e foi por esse motivo que, mais tarde, viriam a surgir as tipografias na vizinha Fleet Street. Uma vez coligidas as mais importantes notícias do dia, os correspondentes regressavam aos seus escritórios, onde ditavam os seus relatórios a um grupo de funcionários que os escreviam à mão.

Alguns subscritores chegavam a receber três boletins do mesmo correspondente por semana. Outros tinham de se contentar com circulares esporádicas, muitas vezes de tema religioso, que referiam batalhas ou desastres naturais, como incêndios e inundações, ilustradas com xilogravuras expressivas.

Em Inglaterra, a publicação de notícias era considerada uma interferência nos assuntos de Estado, e não era permitida sem autorização real. Quanto a notícias do estrangeiro, recorria-se aos Corantos, “livros de notícias” vindos da Holanda e previamente traduzidos para inglês. O primeiro desses livros chegou em 1620, mas passado pouco tempo os editores ingleses começaram a produzir as suas próprias versões.

Em 1632, todos os livros de notícias foram proibidos pelo tribunal real que defendia a segurança do Estado, depois de um artigo ter ofendido simultaneamente o embaixador de Espanha e o da Áustria. A proibição durou até 1638, altura em o Parlamento permitiu, pela primeira vez, a publicação de notícias políticas nacionais.

A partir do início do século XVIII começaram a aparecer os jornais diários. O primeiro, The Daily Courant, publicado entre 1702 e 1735, custava 1 pence. As notícias eram impressas em duas colunas, num dos lados de uma só folha. Ao mesmo tempo, apareceram também alguns dos melhores periódicos ingleses. Em 1704, Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoe, fundou a Review, uma revista semanal. Defoe e os ensaístas Richard Steele e Joseph Addison, seus contemporâneos, que escreviam para o The Tatler e The Spectator, estabeleceram novos padrões na escrita política e satírica. Multados e proibidos, mas nunca Silenciados.

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