A aldeia de Mealha situa-se sensivelmente a meio caminho entre o Cachopo (no cruzamento da EN 124, que vem de Tavira, com a EN 397, que vem de Barranco do Velho) e o Ameixial. O trajecto, de 10 km, faz-se por uma estrada secundária, parte de alcatrão e parte de terra, que atravessa paisagens muito parecidas com as do Norte de Marrocos: as mesmas colinas arredondadas, a mesma vegetação escassa e até uma forma idêntica de cruzar os cursos de água torrenciais com pontões submersíveis.

Fruto do isolamento, Mealha não mudou muito, e a testemunhá-lo encontram-se logo à entrada as construções circulares de xisto e colmo, antigas habitações hoje usadas para guardar cereais ou gado. Na zona de Barrancos, chamam-lhes safurdões, e tanto o método de construção como o uso são semelhantes.

A anta das Pedras Altas situa-se cerca de 1 km para sul da aldeia, e nos anos em que o caminho está mais bem conservado é possível ir de automóvel até junto dela. Como o próprio nome indica, a anta ergue-se numa cumeada sobranceira à aldeia, possibilitando, por consequência, vasto panorama.

Sendo o subsolo xisto-grauváquico, a paisagem é dominada por cabeços arredondados e separados uns dos outros por fundas ravinas, cavadas ao longo de milénios pela erosão dos cursos de água.

Esta orografia gera um clima muito especial (com níveis de precipitação muito superiores aos do litoral) que favorece o crescimento do montado de sobro: ainda hoje, a cortiça continua a ser uma das grandes fontes de rendimento da região (até aos anos 20, as maiores fabricas transformadoras chegaram a situar-se não no Norte do País, como hoje sucede, mas à volta da não muito distante vila de São Brás de Alportel).

A criação de porcos e o consequente fabrico de enchidos são a outra grande actividade económica da freguesia (do Cachopo), podendo o visitante encontrar algumas curiosidades, como o fabrico de mantas de lã, a feitura de bonecas de juta ou pano e a produção de aguardente de medronho.

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