«Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo! Ai Deus, e u é'?»
Leiria é essa grandiloquência de um vasto pinhal de lenda e de verdade que guarda o interior povoado das areias do mar e se tornou casco de barcas e naus de conquista até às Índias.
Zona privilegiada pelo rei D. Dinis, que ali mandou fazer importantes obras, entre elas o enxugo do paul do Ulmar e o desenvolvimento da mata de Leiria, também chamada o pinhal do Rei, de que ainda hoje verdejam extensas áreas. Leiria é hoje a aventura dos seus campos abertos ao tempo novo da indústria e do turismo.

O Santuário de Nossa Senhora da Encarnação é local de peregrinação onde muita gente acorreu em busca de milagres testemunhados por quadros de ex-votos. Fica situado no monte de Santo Estêvão, fronteiro ao castelo, e sobe-se a este sacra monte por avantajado escadório erguido pelo bispo D. Frei Manuel de Bulhões na segunda metade do século XVIII.
O santuário, que substituiu a Ermida de São Miguel e foi levantado a partir de 1588, está rodeado por uma galilé que o singulariza e protege os romeiros nas voltas que prometeram dar ao templo.
O seu interior; de uma nave bem iluminada, possui como maior riqueza os azulejos de tapete do século XVII e a cúpula, com o seu lanternim no cruzamento do transepto. A vista que se colhe do adro da capela ou da poética galeria alpendrada justifica uma subida ao monte, mesmo que se faça a pé.

Leiria nasceu e criou-se dentro daquele berço de pedra, mas das primeiras pedras quase não se tem notícia. Em 1135, D. Afonso Henriques conquista o reduto, mas só em 1195 o castelo se torna de todo cristão. Dentro da muralha levantada por D. Fernando e D. João I, a alcáçova com a torre de menagem evoca a importância militar. Os Paços Reais, onde viveram D. Dinis e Santa Isabel, ficariam decerto no exterior, mas o imaginário dos homens situa ali um idílico viver real. Ernesto Korrodi realizou no princípio do século XX importantes obras de reconstrução do castelo.

A Igreja da Nossa Senhora da Penha, num ângulo do terreiro da alcáçova, foi erguida por D. Afonso Henriques e reedificada por D. João I. Resta da igreja a abside, um portal e o arco manuelino que liga o coro à nave. Bela também a torre sineira, quadrada.

Desde épocas muito antigas fizeram-se no rio Lis moinhos para aproveitamento da energia hidráulica. Em 1411, a comunidade judaica construiu um engenho de fabrico de papel, considerado o primeiro do género instalado em Portugal. Actualmente. na margem direita do Lis funciona um moinho de cereais e mais a montante, junto à nascente, pode encontrar-se uma azenha com mós que ainda trabalham.

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