No início da sua carreira, no pub dos seus pais, The Cricketers, no Essex, no Reino Unido, o atrevido «Naked Chef»  trabalhou no duro, logo aos 8 anos, a descascar batatas. Quando chegou aos 11 anos – diz o próprio –, já conseguia cortar
legumes «como um demónio».

Devotou a sua vida a ajudar-nos a criar refeições frescas, saudáveis e deliciosas. Tem a sua própria revista, a Jamie, uma série de livros de cozinha que são campeões de vendas, DVDs, produtos de cozinha, aplicações para iPhone e restaurantes espalhados pelo Mundo, como os Fifteen em Melburne, Amsterdão e Londres.

Também fundou uma organização de caridade, a Fifteen Foundation, que forma crianças e jovens desfavorecidos para se tornarem chefs de cozinha. É, sem sombra de dúvidas, um dos britânicos mais famosos e influentes do Mundo.

Quando não está ocupado a atacar os hábitos alimentares do mundo ocidental, dedica o seu tempo a Jools, sua mulher há 10 anos, e às filhas, Poppy, de 8 anos, Daisy Boo, de 7, e Petal Blossom, de 1. Quando falámos com ele, recarregava baterias antes do nascimento do seu filho Buddy Bear Maurice.
 
Reader’s Digest – Com mais um filho a caminho, qual é a sua opinião acerca da obesidade infantil?

Jamie Oliver – É uma tremenda preocupação. Sempre que conheço novas estatísticas sobre a obesidade, seja no Reino Unido, na Austrália, onde for, sinto-me cada vez mais assustado. E há uma solução simples, que é garantirmos que os miúdos aprendem coisas básicas sobre os alimentos e têm noções de cozinha, de forma que consigam alimentar-se e às suas famílias. Isso não significa o fim das guloseimas ou da comida rápida – todos adoramos essas coisas de vez em quando. O problema surge quando a «guloseima» se torna uma coisa «quotidiana» e os alimentos processados e os take away substituem a cozinha.
 
RD – Começou como chef, mas neste momento tenta melhorar os hábitos alimentares do Mundo inteiro. Como explica este salto?

JO – Não o vejo como um grande salto, porque, mesmo com os programas do The Naked Chef, eu tentava inspirar as pessoas a cozinhar e também mostrar-lhes que cozinhar era divertido e fácil e que podia realmente ajudar a poupar dinheiro. Não é segredo para ninguém que no meu mundo perfeito toda a gente saberia cozinhar alimentos frescos e conseguiria ir às compras com inteligência, sendo capaz de poupar dinheiro, ao mesmo tempo que cozinharia pratos brilhantes e saborosos.
 
RD – Sente que faz a diferença?
 
JO – Sim, bastante. Todos os dias ou recebo e-mails de pessoas cujos filhos estão a ir melhor na escola porque a alimentação ao almoço os está a ajudar a concentrar-se melhor na parte da tarde, ou de gente que aprendeu a cozinhar nos centros do Ministério da Alimentação e conseguiu poupar dinheiro e perder peso.
 
RD – Como é que consegue lidar com tudo quando está num dia mau?

JO – Para dizer a verdade, sou bastante descontraído e tenho uma equipa de gente fantástica a trabalhar comigo, por isso é raro ter um dia mau. Se alguma coisa corre mal, simplesmente vou para casa, falo com a Jools sobre o assunto e sigo em frente.
 
RD – O que é que o motiva, o que o faz continuar e o que o inspira?

JO – Há uma série de coisas que me inspiram, especialmente as minhas viagens. Estou sempre a aprender coisas novas a partir de outras culturas, outras formas de cozinhar. É por isso que as séries de televisão Jamie Does … e Jamie’s American Road Trip são tão fantásticas de fazer, porque cada sítio que visito me inspira. O que me faz continuar creio que é o mesmo que sempre foi: fazer boa comida acessível e divertida para toda a gente, seja através dos livros, da televisão, dos restaurantes ou dos produtos de cozinha.
 
RD – O que faz para relaxar ou para se «mimar»?

JO – Sou igual a toda a gente – noites tranquilas com a minha mulher, ver um filme, tomar um copo de vinho, brincar com os miúdos, ver amigos. Coisas normais.
 
 
 
 
Tagine de Frango com Azeitonas e Limão em Conserva
 
Receita para 4-6 pessoas
 
Ingredientes
• 1 frango inteiro (cerca de 1,5 kg), de preferência biológico ou orgânico, com pele, trinchado em 4 (peça no talho que o cortem)
• Azeite • 1-2 bolbos grandes de funcho
• 2 cebolas descascadas e picadas grosseiramente
• 1 pequeno ramo de coentros frescos (talos e folhas)
• 4 dentes de alho pelados e fatiados
• 2-3 limões de conserva pequenos, sem sementes e cortados
• 80 g de azeitonas pretas e verdes esmagadas
• Um bom punhado de açafrão
• 500 ml de caldo de galinha orgânico quente
 
Para o tempero de especiarias
• 1 colher de chá cheia de sementes de coentros esmagadas
• 1 colher de chá rasa de cominhos em pó
• 1 colher de chá cheia de gengibre em pó
• 2 colheres de sopa de azeite
• Sal do mar e pimenta-preta moída de fresco
 
A palavra tagine refere-se não só ao prato em si, mas também ao tacho especial em que é cozinhado.

Estes espessos tachos de barro são usadas em todo o Marrocos e foram introduzidos por nómadas que os utilizavam directamente sobre o fogo e cinzas para criar toda a espécie de deliciosos guisados com cabra, borrego e frango.

Aparentemente, é uma das suas formas de mostrar amor e afecto. Fazer este prato numa tagine definitivamente dá-lhe beleza, mas no essencial é um guisado com sabores profundos e adoráveis, e é possível ter um sabor autêntico usando uma convencional caçarola de fundo pesado.

Julgo que esta receita nunca falha e tira todo o partido de um dos sabores-estrela da tagine: o limão em conserva,  que se pode comprar ou fazer em casa.

Para a tagine, misture primeiro todas as especiarias numa tigela pequena. Coloque os pedaços de frango numa tigela grande e esfregue-os com a mistura de especiarias. Depois, cubra com película e coloque no frigorífico a marinar por um par de horas, ou, ainda melhor, de um dia para o outro. Quando estiver pronto para cozinhar, aqueça um gole generoso de azeite numa tagine ou tacho tipo caçarola e frite os pedaços de frango em lume médio a forte, primeiro com a pele para baixo, por cerca de 5 a 10 minutos, ou até ficarem de um castanho-dourado.

Enquanto a galinha frita, corte cada bolbo de funcho em 8 fatias e junte-as à caçarola com as cebolas, talos de coentros e alho. Mexa bem e frite por mais uns dois minutos e depois adicione os limões de conserva, as azeitonas e o açafrão. Junte o caldo quente, mexa tudo bem e tape com a tampa ou folha de alumínio e deixe apurar em lume brando por hora e meia, ou até a carne começar a separar-se do osso. A meio do tempo, verifique e mexa bem. Vá vigiando e junte água se começar a secar. Quando terminar o tempo e a sua galinha parecer perfeita, mexa devagar. Se ainda tiver muito líquido, deixe secar sem a tampa até ficar ligeiramente espesso.

Prove e adicione sal e pimenta se achar que precisa, depois salpique com folhas de coentros. Sirva com uma tigela grande de cuscuz levemente temperados e acabados de cozer.

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