Mas, à medida que os tempos passaram, os povos foram assimilando o milagre cíclico das culturas espontâneas e, conforme as cirunstâncias, tendo necessidade de encontrar, a partir de uma agricultura ainda primitiva,) os alimentos de que necessitavam, e cada vez em maior quantidade.

A princípio, o homem não se preocuparia em instalar-se em zonas férteis, nem teria porventura essa noção. A necessidade mais forte era a de um abrigo, um esconderijo contra) inimigo, o que teria levado as populações a procurar os lugares privilegiados dos altos jos montes de difícil acesso e fácil defesa, protegendo-se com muralhas rudimentares de erra ou pedra solta, que se mostravam, no seral, eficientes para os conhecimentos da época. Outras populações embrenharam-se na ioresta quase impenetrável, onde os caminhos abirínticos defendiam os habitantes de surpreias desagradáveis.

Só bem mais tarde, conseguidos outros meios de protecção, as populações caminharam para os campos férteis das margens dos .ios ou das planícies. Mesmo assim, tratou-se linda de uma ocupação temporária que não Ibdicava da existência de refúgios nos locais nontanhosos. Só posteriormente o homem coneçou a estabelecer povoações fortificadas unto aos campos de cultura.

Como é evidente, os povos começaram a cultivar algumas plantas locais que de início simplesmente colhiam, passando assim a dispor delas primeiro em maior quantidade e mais tarde em melhor qualidade também.

O conjunto de plantas que cada povo conhecia foi-se sucessivamente enriquecendo com a chegada de outras, normalmente trazidas de locais distantes pelos povos invasores ou provindo de povos de outras paragens que eram subjugados. Com o tempo, devido à facilidade de contacto e à abertura de vias de comunicação, as relações entre os povos conhecerem grande incremento.

Naturalmente, nem todos os países atingem, numa dada época, situações idênticas de desenvolvimento. Basta ver-se como, no momento actual, alguns países desenvolvidos se socorrem quotidianamente de processos muito aperfeiçoados e muito práticos para dispôr de alimentos (conservados pelo frio, calor, enlatasos, précozinhados, desidratados, liofilizados) nos quais os constituintes fundamentais estão devidamente equilibrados, ao mesmo tempo que em países num estádio mais sado se continua a praticar um tipo de cultura obsoleto, com base num sistema rante, e os habitantes se alimentam, quantiva e sobretudo qualitativamente, mal, lando carências alimentares graves.

Ainda existem grupos populacionais com uma alimentação quase exclusivamente baseada em amiláceos (banana, batata-doce, milho, inhame, arroz, etc.), manifestando carências proteicas e vitamínicas graves, e outros onde a proteína é obtida a partir da fauna selvagem, cada vez mais escassa, ou de pequenos animais (lagartas vivas ou secas, torradas, cozidas ou moídas, gafanhotos, formigas, caracóis, ratos, etc.). Na realidade, ainda hoje se conhecem grupos humanos que, tendo aprendido por tradição milenária que as substãncias minerais são importantes para o crescimento, o desenvolvimento e a saúde e tendo como base da sua alimentação produtos muito pobres nestes constituintes, juntam aos alimentos, como se de sal se tratasse, pequenos «tijolos» de terra argilosa seca ao sol que se desfaz na água de confecção dos seus alimentos tradicionais ou simplesmente comem terra nos «Iambedouros», como os animais o fazem por instinto.

Romanos e Árabes na Península
No espaço que hoje constitui o nosso país, é natural que o peixe tenha assumido um lugar muito importante como base alimentar na zona litoral e ao longo dos rios, e nada custa a admitir que o acidentado do terreno tenha permitido encontrar no leite e seus derivados e na carne dos rebanhos uma parcela muito importante da alimentação. Entre as plantas naturalmente que o castanheiro, ao norte, e os carvalhos, especialmente ao sul, devem ter fornecido alimentos amiláceos importantes a partir dos seus frutos.

Mas a Península sempre despertou a curiosidade de outros povos, atraídos pela ambição de conquista de novas terras ou de exploração das suas riquezas. Assim, foi sucessivamente invadida por povos diversos, uns provenientes do Norte e do Nordeste, outros que a atingiam através do Mediterrâneo. Todos eles traziam consigo as plantas que já conheciam e que cultivaram, difundiram e introduziram na alimentação dos povos dos territórios que passaram a dominar.

Os que vieram do Norte trouxeram para a Península as plantas cuja cultura era viável nos climas mais frios, e por essa via nos devem ter chegado os cereais praganosos, em especial o trigo. Sobre este convém não esquecer que os Romanos, ao aperceberem-se das suas potencialidades, tudo fizeram para o difundir, chegando atentar transformar a Península Ibérica num dos celeiros do seu vasto império.

Os Romanos, à medida que ocupavam vastas áreas do mundo antigo, chegando a atingir as zonas subtropicais da Ásia e de África, conheceram e trouxeram outras plantas de climas mais suaves, muitas das quais encontraram na bacia do Mediterrâneo excelentes condições de desenvolvimento.

Os Árabes já conheciam, graças ao contacto com o Oriente, algumas plantas do mundo tropical. Foram eles que as trouxeram até às costas meridionais da Europa. A eles se deve um tipo de agricultura de que, passados que são mais de 700 anos do seu afastamento do actual território português, ainda hoje existem reminiscências (a nora, a azenha, o aqueduto, o açude...), o que abona bem da sua importância e da sua perfeita inserção nas características do meio.

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2 Comentários

ana carolina on 29 Março 2011 ,12:16

Eu adorrei muito é muito importante saber varias dicas de alimentação...........

thais on 29 Março 2011 ,12:02

eu gostei muito do texto é muito interessante...a falar sobre alimentação.......... beijossssssssss

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