Halle Berry: melhor actriz no filme da vida | Selecções do Reader's Digest

Halle Berry: melhor actriz no filme da vida

Lemos notícias sobre eles todas as semanas: celebridades egoístas e excêntricas, gente com dinheiro a mais e bom senso a menos. Mas, claro, nem todos os habitantes de Hollywood são assim. Alguns associam-se a determinada causa por motivo de uma experiência difícil, como a doença de uma pessoa amiga ou de um familiar. De repente, apercebem-se, como diz Halle Berry, de que «essas coisas não desaparecem por si».

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Centenas de nomes famosos da televisão, cinema, música, desporto e comunicação social dedicam tempo e dinheiro a angariar fundos e a chamar a atenção para as causas que lhes são queridas.

Halle Berry, de 38 anos, actriz de beleza incontestável e já galardoada com um Oscar, é um exemplo notável do espírito generoso de Hollywood. Sendo diabética, ajuda na angariação de fundos para a investigação e tratamento da diabetes infantil. Colabora pessoalmente em abrigos para mulheres vítimas de violência doméstica. Como a mãe e a irmã mais velha foram vítimas de abuso do seu próprio pai, e Halle admite ser parcialmente surda de um ouvido porque um homem com quem esteve envolvida a agrediu, a actriz conhece muito bem esta situação. Também colabora com a Fundação Make-A-Wish, que tenta realizar os sonhos de crianças com doenças terminais. Berry esteve recentemente com a Reader’s Digest e falou das suas causas, e da realização que lhe proporcionam. Aqui fica o testemunho.

HÁ ALGUMAS SEMANAS, passei o dia com um rapazinho de 11 anos que tem cancro e que queria vir à Califórnia conhecer-me. A viagem foi organizada através da Fundação Make-A-Wish. Ele nunca tinha andado de avião e os seus desejos incluíam visitar a Disneylândia e a Universal City. Andámos nas atracções, almoçámos e jogámos mini-golfe - divertimo-nos à grande. A parte difícil é ter de dizer adeus no fim do “dia de sonho”. A maioria destas crianças tem doenças terminais, por isso, quando realizamos os seus desejos, sabemos que pode ser a última vez que os veremos. Houve uma altura em que pensei: “Não consigo fazer isto.” Depois, percebi que tinha a oportunidade de fazer uma criança sorrir uma última vez. Então, disse a mim mesma que seria muito egoísta se deixasse que o meu desconforto me impedisse de fazer algo tão importante. Este rapazinho – simplesmente não me consegui separar dele. E agora, enquanto ele cá estiver, faz parte da minha vida. Falo com ele imensas vezes. Ele quer ver como se faz um filme, por isso, seja lá qual for o meu próximo filme, disse-lhe que pode vir ver como é.

Muitas das crianças com quem estive através da fundação têm de enfrentar o facto de serem diferentes de uma maneira ou de outra: devido à sua etnia, à sua situação socioeconómica, ou mesmo por causa da doença. O simples facto de terem uma doença terminal distingue-os dos outros, e muitos deles sofrem os efeitos de serem considerados diferentes numa idade tão jovem. Penso no meu caso quando era pequena. A minha mãe era branca, o meu pai era negro, e eu sempre me senti diferente e, por vezes, deslocada. Falo com este miúdos sobre as minhas experiências e sobre como podem lidar com a sua diferença.
Tenho uma enorme compaixão por crianças, e a alegria que advém de as ajudar é incomensurável. Quero desesperadamente ter filhos meus e espero não ter perdido essa oportunidade. Mas se a perdi, aprendi por experiência própria que tenho capacidade para amar, como se fosse minha, uma criança que não o é. E sei que vou continuar a criar laços com crianças como o rapazinho com quem passei o dia – como se fosse uma família alargada só de crianças.
À medida que vou envelhecendo, é para mim cada vez mais importante encontrar maneiras de ajudar os outros.

Depois de me ter sido diagnosticada diabetes, tinha eu 20 anos, Barbara Davis, mulher do falecido magnata do cinema Marvin Davis, tomou-me sob a sua protecção. Os Davis fundaram a associação de beneficência Carousel of Hope para crianças com diabetes, e eu fiquei espantada com a quantidade de pessoas que não sofriam da doença, mas que contribuíam para gente como eu. Vi os progressos das pesquisas graças aos dólares que essas pessoas doavam em prol da descoberta de uma cura. E eu beneficiei directamente. Foi uma experiência que me abriu os olhos.

Por isso, escolhi algumas causas nas quais sinto que a minha presença pode ter valor. Há cerca de cinco anos, associei-me ao Jenesee Center. É uma organização que tem agora muitos abrigos, mas começou por baixo. O grupo aloja mulheres que são vítimas de violência doméstica e que geralmente trazem consigo os filhos. Tentamos ajudá-las a recuperar a estabilidade, a reentrar no mercado de trabalho e a tomar conta de si mesmas. Também tratamos dos filhos e damos-lhes roupas novas. Lembro-me de uma menina que um dia chegou e por quem logo me apaixonei. Passei o dia com ela ao colo.

Quando cheguei a casa à noite, estava cheia de comichões. Na manhã seguinte, acordei com uma infestação de piolhos que apanhara daquela criança. Algumas das mulheres e crianças que nos chegam passam mesmo muitas necessidades.

O meu pai era alcoólico e muito violento para com a minha mãe e a minha irmã. Nunca o foi para comigo, provavelmente porque a minha mãe e a minha irmã se rebelavam e insurgiam, ao passo que eu fugia e escondia-me, sem ripostar.

Desde então, tornei-me numa pessoa diferente. A minha mãe arranjou acompanhamento para mim e para a minha irmã quando éramos crianças, e fiz muitos anos de terapia, enquanto a maioria destas mulheres nunca teve esse apoio. Por isso, tento transmitir-lhes coisas que tive a sorte de aprender.

A minha mãe ensinou-nos que, se algum homem nos levantar a mão, a última coisa que vê é o pó dos nossos sapatos, porque nós pomo-nos a andar. Não se fica à espera para sofrer a pancada. Mesmo assim, muitas mulheres voltam para os maridos, e pode levar muito tempo até que descubram uma nova forma de viver. Parte do nosso trabalho consiste em convencê-las de que têm de fazer outras opções. Também lhes lembramos que os filhos assistem a tudo o que se passa.

Comecei a sondar a minha alma, a questionar-me sobre o meu objectivo na vida. Olhei para aquilo que faço. Faço de conta em filmes; entretenho as pessoas e sou paga por isso. Às vezes, parece uma existência muito frívola. Quão insignificante é isso na estrutura da vida? Mas se posso aproveitar para fazer algo de bom no Mundo, consigo perceber: é isto que devo fazer com a sorte que me foi dada.

Acredito no carma e traz-me paz saber que estou a retribuir o muito que recebi da vida. «A quem muito é dado, muito é pedido.» Sei que sou só uma pessoa e que, no máximo, consigo ajudar uma ou duas pessoas por mês. Mas se toda a gente fizesse isso, todos acabariam por ser ajudados.

Contado a Sara Davidson

Dados a Dar

N. F. MENDOZA

Instrumentos de Aprendizagem

Duas viagens de beneficência ao Iraque em 2003 levaram Gary Sinise, estrela da série «CSI: Nova Iorque», a dar início à Operação Crianças Iraquianas. «Foi uma sensação intensa ver aquelas crianças abraçadas aos nossos soldados», conta Sinise. Quando regressou a casa, criou, juntamente com a sua amiga Laura Hillenbrand, autora de Seabiscuit, aquela instituição de caridade que recolhe conjuntos de material escolar para as crianças irquianas. Até agora, a instituição já enviou cerca de 100 000 conjuntos através da FedEx. «Sempre que uma caixa de material é entregue pelas nossas tropas, é mais um passo na direcção da aliança com os Iraquianos», afirma Sinise.

Uma Casa para Eles

Em 2001, quando a actriz Sela Ward descobriu que no seu estado de origem, o Mississípi, não havia um lugar para acolher crianças dadas para adopção e que ainda não tinham encontrado famílias de acolhimento, criou a Fundação Hope Village. Comprou um antigo orfanato em Meridian e transformou-o na Hope Village for Children (Aldeia da Esperança para Crianças), estabelecimento que aloja até 32 crianças, desde recém-nascidos a adolescentes, em três edifícios. As crianças podem ficar até completarem 18 anos e, se tiverem irmãos, podem permanecer com eles. Todos os verões, Sela Ward passa um mês em Meridian e faz várias visitas ao local ao longo do ano.

Passos mais Seguros

Tyra Banks, supermodelo e uma das mais belas mulheres do Mundo, recebe muitas cartas de admiradoras adolescentes. Nem todas são animadoras. Algumas, conta, «revelam perturbadores padrões de falta de autoconfiança, de má imagem do próprio corpo e de pressão dos pares –sentimentos que eu vivi enquanto jovem». Em 1999, Tyra lançou o projecto TZONE, através do qual raparigas entre os 13 e os 15 anos passam uma semana num acampamento em Los Angeles, no qual desenvolvem a sua autoconfiança, capacidade de relacionamento com os outros e respeito pela diferença, seguindo-se reuniões mensais e projectos de serviço comunitário ao longo do ano. Até ao momento, houve 262 «diplomadas». Tyra, principal patrocinadora da TZONE, espera conseguir apoio privado de forma a alargar o projecto a outras cidades.

O Coração do Problema

Quando tinha apenas 5 anos, Brian Littrell foi internado devido a uma infecção nas válvulas cardíacas a que não se esperava que sobrevivesse. Em grande parte graças aos médicos do Hospital St. Joseph, em Lexington, Kentucky, não só sobreviveu como alcançou a fama no grupo Backstreet Boys. Em 1999, fundou o Brian Littrell Healthy Heart Club for Kids em St. Joseph.

Aberto a crianças com idades entre os 8 e 12 anos que sofrem de problemas cardíacos, o programa proporcionou educação para a saúde, exercícios, alimentação e acompanhamento a cerca de 150 crianças até hoje. «As crianças e os pais precisam de um local onde aprendam o que é e o que não é bom para o coração», diz Littrell, «e é isso que nós oferecemos.»

Apostar no Sucesso

Las Vegas pode ser a cidade das luzes, mas para crianças que vivem na pobreza e em situações de risco, a cidade representa um perigo. Em 1994, Andre Agassi, estrela do ténis, natural de Las Vegas, fundou a Andre Agassi Charitable Foundation, que junta 11 instituições com programas educativos e recreativos para crianças em risco de Las Vegas. Todos os custos administrativos da fundação são suportados por contribuições feitas pessoalmente por Agassi ou provêm dos seus negócios, pelo que os donativos podem ser canalizados directamente para a beneficência. O evento que mais fundos disponibiliza é o Grand Slam for Children, que ocorre no Outono e que inclui um concerto, um jantar e um leilão. Até à data, este evento angariou 42 milhões de dólares para a causa.

Perceber o Autismo

Há dez anos, Doug Flutie, jogador dos San Diego Chargers, e a sua mulher, Laurie, descobriram que o filho de 3 anos, Doug Jr., era autista. Em 2000, já tinham criado a Doug Jr Foundation for Autism, com o objectivo de consciencializar a população para a importância desta doença neurológica que afecta cerca de 300 000 crianças nos Estados Unidos. «Eu e a minha mulher reparámos no custo da terapia, dos brinquedos especiais e de outros acessórios para o Dougie», conta Flutie. «Temos a sorte de poder comprar essas coisas e quisemos ajudar outras famílias que não podem fazê-lo.» A fundação, que já angariou 3 milhões de dólares, também disponibiliza bolsas a organizações que fazem pesquisa sobre a causa e a cura do autismo.

Travar Um Velho Combate

O actor David Hyde Pierce, galardoado com um Emmy e bem conhecido pelo seu papel de Dr. Niles Crane na série televisiva «Frasier», é porta-voz da Alzheimer’s Association. O seu pai e o seu avô padeceram da doença que afecta 4,5 milhões de americanos hoje em dia. «A doença de Alzheimer deixou a minha família desamparada e desesperada, mas a Alzheimer’s Association deu-nos esperança e a possibilidade de amparar outros», diz Pierce. O actor está empenhado em angariar fundos para a pesquisa de uma cura para a doença e lembra que, por volta do ano 2050, cerca de 16 milhões de americanos serão afectados. A Alzheimer’s Association já investiu mais de 165 milhões em projectos de investigação.

Árvores para a Vida

Todos os anos, as condições climatéricas e os fogos devastam a costa árida do Sul da Califórnia, destruindo milhões de árvores fornecedoras de oxigénio. Desde 2001 que o actor Leonardo DiCaprio apoia a associação TreePeople, que há 31 anos se concentra na conservação de água e energia, na prevenção de inundações e poluição de ecossistemas e nas árvores – das quais o grupo já plantou quase dois milhões.

A fundação de DiCaprio adquire dedicatórias de árvores em honra de amigos e colegas e encoraja os admiradores do actor a fazerem doações para apoiar os esforços de reflorestação das áreas montanhosas destruídas pelos incêndios de 2003.

Não É Só Conversa

Quando o apresentador televisivo Montel Williams recebeu o relatório médico que lhe diagnosticava esclerose múltipla, em 1999, pensou encontrar-se perante «uma sentença de morte». Mas no espaço de um ano criou a Montel Williams MS Foundation, que doa 100% dos fundos aos investigadores que procuram uma cura para a doença, a qual atinge um milhão de americanos. «Hoje, há vários tratamentos para a esclerose múltipla», diz Williams, «mas são tudo medidas paliativas.» Até à data, a sua fundação distribuiu 603 000 dólares por cinco organizações diferentes.

Uma Oportunidade para as Crianças

Amy Grant, cantora de gospel e pop, além de artista de cinema, doa o seu tempo oferecendo-se como porta-voz de duas causas que lhe são queridas, a Scolarship America e a Compassion International. Ao longo dos anos, a Scolarship America já contribuiu com mais de um bilião de dólares para cerca de um milhão de estudantes universitários. «Imaginem como as suas vidas seriam diferentes sem esta ajuda», diz Grant, que é mãe de quatro filhos e também já doou receitas da venda dos seus CDs à organização.

A Compassion International oferece apoio espiritual, emocional e financeiro e junta os doadores com crianças de países em vias de desenvolvimento que vivem na pobreza. «Estas crianças são ricas em amor, valores familiares e tradição», afirma Grant, «mas pobres em oportunidades. As relações directas que estabelecem através de cartas ou de troca de presentes no seu aniversário são fantásticas.» Grant e a sua família apoiam três crianças através da Compassion International.

Top de Estrelas Filantropas

Há décadas que as celebridades dão uma ajuda a uma série de causas humanitárias. Aqui ficam alguns nomes que já contribuíram muito:

* A AIDS Foundation de Elizabeth Taylor já angariou 10 milhões de dólares;

* Michael J. Fox doou pessoalmente mais de um milhão de dólares à Fundação para a Pesquisa da Doença de Parkinson;

* Katie Couric ajudou a National Colorectal Cancer Research Alliance a angariar 22 milhões de dólares para a pesquisa do cancro colorectal;

* A instituição criada por Gene Wilder, Gilda's Club, com o nome da sua falecida mulher, a comediante Gilda Radner, apoia famílias que lutam contra o cancro;

* A instituição de Paul Newman, Newman’s Own, já doou mais de 150 milhões a inúmeras organizações de caridade;

* Steven Spielberg doou mais de 10 milhões de dólares à Survivors of the Shoah Visual History Foundation;

* A Angel Network de Oprah Winfrey angariou 27 milhões de dólares.

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