Castelo de Guimarães

Sugerimos que rume primeiro ao castelo, um local carregado de simbolismo das origens, pois, além da nacionalidade portuguesa, também terá sido aí que nasceu, segundo alguns, o nosso primeiro rei.

O que se sabe ao certo é que a fortaleza foi mandada construir, no século X, pela condessa Mumadona, e depois ampliada, já no século XII, pelo conde D. Henrique. A seguir, foi palco de vários episódios marcantes da nossa história, sendo talvez o mais significativo o cerco que lhe moveu D. João I, em 1385, durante 2 meses, obtendo a rendição dos partidários de Castela que aí se encontravam.

Ao longo dos anos, o castelo perdeu muita da sua magnificência, mas não deixa de conservar um certo fascínio, sobretudo ao pôr do Sol. Lá dentro, encontrará um pátio exíguo, vários penedos imponentes e, ao centro, a Torre de Menagem. Suba, apesar de o último lanço de escadas ser um pouco perigoso (atenção às crianças!): lá de cima, a vista vale a pena. Preste atenção, sobretudo, ao Monte da Penha - fica à sua esquerda, quando estiver virado para o Paço dos Duques -, já que passará por lá, mais tarde, neste percurso.

Igreja de São Miguel do Castelo

A poucos metros do castelo, encontra-se a Igreja de São Miguel, um austero mas envolvente templo românico do século XII. A tradição afirma que aí terá sido baptizado D. Afonso Henriques, apesar de, também neste caso, não haver quaisquer registos que o confirmem.

Foi igreja paroquial e capela real e esteve, durante muito tempo, associada a ritos de maternidade, devido ao facto de albergar uma bela imagem de Santa Margarida, considerada a padroeira das parturientes.

Paço dos Duques de Bragança

A seguir, desça um pouco mais, até ao largo onde se situa a entrada do Paço dos Duques de Bragança. Trata-se de uma lindíssima casa senhorial, de influência normanda, mandada construir no século XV por D. Afonso, filho bastardo de D. João I, sobre os alicerces do palácio do conde D. Henrique.

Foi deixada ao abandono a partir do século XVI, mas restaurada no século passado, na década de 30. Actualmente, é residência oficial do Presidente da República no Norte e inclui um museu, distribuído por várias salas decoradas com mobiliário do século XVII e diversas tapeçarias, além de outras curiosidades.

Estátua de D. Afonso Henriques

Saindo do Paço, aproveite para dar um pouco mais de atenção à imponente estátua de D. Afonso Henriques. A imagem é sobejamente conhecida, pois tem presença assídua nos manuais escolares.

Porém, mesmo entre os adultos, são poucos os que sabem que se trata de uma obra do escultor Soares dos Reis. Inaugurada em 1887, no Terreiro de São Francisco, pelo rei D. Luís e D. Maria Pia, foi transferida para a zona do castelo em 1940, a fim de se juntar aos restantes monumentos emblemáticos da fundação da nacionalidade.

Monte da Penha

O nosso destino é agora o alto do Monte da Penha, sobranceiro à cidade, mas é claro que muito haveria ainda para explorar em Guimarães. Por isso, não deixe de considerar a possibilidade de se demorar um pouco mais.

Limitamo-nos a sugerir um breve passeio pelo, centro histórico, em cujas ruas estreitas se respira ainda um ambiente medieval, e uma visita ao Museu da Sociedade Martins Sarmento, na Rua Paio Galvão (possui núcleos de arqueologia, etnologia e numismática.

Notas:

- Partindo de Guimarães, existem duas formas de chegar à Penha. Uma delas é pelo teleférico ou telecabina: para isso, saindo da zona em frente ao Paço dos Duques, desça pela rua de calçada e, no final, vire à esquerda. Chegará ao Largo da Condessa Mumadona, onde se encontra uma rotunda.

Vire aí à direita e desça ao longo da antiga muralha, até encontrar nova rotunda (ao fundo, culminando um tapete formado por canteiros relvados e floridos, vê-se o belo recorte da Igreja dos Santos Passos).

Na rotunda, siga a indicação Penha e depois Teleférico. Irá ter a um largo, onde poderá deixar o automóvel junto de uns edifícios de construção relativamente recente. Depois, para chegar à entrada da telecabina e iniciar a interessante viagem, bastará subir um pequeno lanço de escadas que aí se encontra.

- A alternativa (ou complemento, consoante os casos) ao teleférico consiste em levar o automóvel até ao topo, por uma estrada razoavelmente bem sinalizada, que vai serpenteando serra acima. Vá sem pressas, pois o trajecto tem os seus atractivos. Poderá parar algumas vezes, para apreciar diferentes perspectivas da cidade de Guimarães.

Mas é chegando ao cimo, no miradouro junto ao Santuário da Senhora da Penha, que a paisagem aparece em toda a sua plenitude: em dias de boa visibilidade, a vista estende-se até ao Atlântico.

Além do Santuário, o local, tem outros pontos de interesse (por isso, é muito procurado durante os fins-de-semana, sobretudo no Verão). Vale a pena citar a Capela de Nossa Senhora do Carmo, a Gruta do Ermitão e a escultura de homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, além de um vasto parque de merendas. Um minicomboio, que sai do parque de estacionamento central, faz o circuito dos pontos mais interessantes.

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