Falta de memória | Selecções do Reader's Digest

Falta de memória

Por volta dos 40 ou 50 anos é frequente surgirem pequenos lapsos de memória, que a maioria das pessoas não leva muito a sério. De facto, as falhas de memória temporárias são normais e podem surgir em qualquer idade. Muitas vezes estão relacionadas com a fadiga com o stress ou simplesmente a falta de atenção. O psicólogo Daniel Schacter da Universidade de Harvard é inclusive da opinião que os lapsos de memória têm um lado positivo. “Se os nossos cérebros arquivassem tudo o que vemos, ouvimos e lemos, ficaríamos atafulhados de memórias. A nossa capacidade de encaixar pedaços de informação necessária e deitar fora o resto é essencial ao pensamento”, refere o psicólogo. Uma teoria bastante tranquilizadora.

Quando o meu marido, Ted, começou a «perder» o carro, eu fiquei preocupada. Quando ele tinha 30 ou 40 anos, saía de uma loja ou do cinema e encaminhava-se directamente para o automóvel, sem problemas. Mas pouco depois do seu 50.° aniversário, o Ted entrava na garagem de um centro comercial e parava. Coçava a cabeça e perguntava: «Onde é que deixámos o carro?»

Nos meses seguintes, comecei a reparar que, de vez em quando, se esquecia de onde deixara os óculos, as chaves, a carteira … E um dia, ao passarmos por um restaurante, disse: «Lembraste do belo jantar que tivemos aqui?» Eu nunca tinha estado naquele restaurante, e disse-lho. Mas ele insistiu: tinha encomendado linguado, e eu, salmão; ambos havíamos concordado que era um dos melhores restaurantes a que tínhamos ido.

Embora as falhas de memória do Ted me perturbassem, a maioria dos especialistas diz que esses esquecimentos não indicam necessariamente um problema. «Esses lapsos não são motivo para preocupação, a não ser que haja um declínio claro e consistente da memória ou que a pessoa não seja capaz de funcionar no trabalho», diz o psicólogo Daniel L. Schacter, da Universidade de Harvard. Se for esse o caso, então é necessário uma visita ao médico.

Para a maioria das pessoas, esses lapsos são parte da vida; aborrecidos, mas normais. Uma perda ligeira da memória começa aos 40 ou aos 50 anos e vai aumentando com a idade, mas o stress, a fadiga e a falta de atenção podem desencadear falhas de memória temporárias em pessoas de todas as idades.

Eis alguns dos tipos mais frequentes e as formas de minimizá-los.

«Tenho-o na ponta da língua.»

Começamos a apresentar um velho amigo a alguém, e de repente, não conseguimos lembrar-nos do nome da pessoa, apesar de termos a sensação de o termos debaixo da língua. Ou não conseguimos recordar o nome de um filme que acabámos de ver. Este tipo de incidentes acontece a toda a gente, diz Deborah Burke, uma psicóloga da Califórnia.

Estes lapsos não têm nada a ver com lembrarmo-nos do significado de uma palavra, mas antes com o seu som. «Muitas vezes, o som de uma palavra é arbitrário e desprovido de sentido», diz ela. Esta arbitrariedade pode, por vezes, dificultar que encontremos a palavra.

A melhor maneira de prevenir o problema é usar o nome da pessoa ou objecto tão frequentemente quanto possível. «Digo aos meus clientes que façam como os vendedores — que repitam muitas vezes o nome da pessoa antes de irem visitá-la», diz a psicóloga Liz Zelinski, de Los Angeles.

Estes episódios de termos um nome na ponta da língua mas não conseguirmos recordá-lo podem parecer piores quando uma palavra de som semelhante, mas incorrecta, nos entra na cabeça e não quer sair. Deborah Burke conta a história de uma estudante que tentava lembrar-se do nome de um veículo todo-o-terreno. A estudante queria a palavra Winnebago, mas só lhe vinha à cabeça rutabaga. Quando isto acontece, pense noutra coisa qualquer, sugere Deborah. «Se deixar de mastigar o assunto, a palavra correcta acabará por aparecer-lhe.»

«Onde é que deixei as chaves?»

A maioria dos episódios de distracção — esquecermo-nos de onde deixámos uma coisa ou do que vínhamos fazer ao entrarmos na sala — são causados por simples falta de atenção, diz Daniel Schacter. «Devíamos lembrar-nos de uma coisa qualquer, mas não a registámos devidamente.»

Este acto de registar, explica Schacter, é uma forma especial de prestar atenção a um acontecimento que tem um impacto importante ao relembrá-lo mais tarde. Não registarmos devidamente uma coisa pode criar situações aborrecidas. Se deixarmos o telemóvel num bolso, por exemplo, e não prestarmos atenção ao que fizemos, porque estávamos envolvidos numa conversa, é provável que esqueçamos que o telemóvel está agora no bolso do casaco que deixámos pendurado no armário. «Não é a memória que nos está a falhar», diz Schacter. «Nós é que não demos à nossa memória as informações necessárias.»

A falta de interesse também pode levar ao mesmo. «Um homem capaz de recitar uma lista de resultados desportivos de há 30 anos atrás pode não se lembrar de meter uma carta no correio», diz Liz Zelinski. «As mulheres têm ligeiramente melhor memória que os homens, possivelmente porque dão mais atenção ao que as rodeia, e a memória apoia-se nisso mesmo.»

As pistas visuais podem ajudar a prevenir a desatenção, diz Schacter. «Mas assegure-se de que a pista é clara e disponível», avisa ele. Se quiser lembrar-se de tomar um medicamento ao almoço, ponha o frasco dos comprimidos em cima da mesa da cozinha, não o deixe na gaveta dos medicamentos, escrevendo uma nota que enfia no bolso.

Outro episódio comum de distracção: entrar numa sala e perguntar-se o que é que foi ali fazer. Muito provavelmente, estava a pensar noutra coisa qualquer. «Isto acontece-nos a todos de vez em quando», diz Liz Zelinski. O melhor a fazer é voltar aonde estava. Muito provavelmente, voltará a lembrar-se do que ia fazer.

«Não me lembro disso assim.»

À maioria de nós já aconteceu cometer um erro de memória que consiste em lembrarmo-nos correctamente de algo que aconteceu, mas atribuí-lo à pessoa errada. Por exemplo, conta uma história a um amigo, dizendo que aconteceu ao Jim, conhecido de ambos. Embora a coisa tenha acontecido ao John — que foi, aliás, quem lha contou —, fica convencido de que a coisa se passou com o Jim.

De maneira semelhante, as pessoas surgem muitas vezes com ideias que vieram de outra pessoa, um fenómeno a que se chama plágio não intencional. Uma noite, ao jantar, uma amiga minha relatou o que «lhe» acontecera recentemente numa loja: ao ver uma mãe transportar a sua filhinha numa mochila, ela reparara num brinquedo que a criança tinha na mão. «Oh, não, isto não é dela!», exclamara a mãe. «Deve tê-lo tirado de uma prateleira.»

Então, a filha da minha amiga interrompeu e disse: «Mãe, isso aconteceu-me a mim. Fui eu que te contei isso no mês passado.»

As falsas memórias, uma outra partida que a mente pode pregar-nos, estão intimamente relacionadas com a atribuição de factos à pessoa errada. Poderá «lembrar-se» de ter caído do molhe quando o seu pai o levou à pesca, embora, na realidade, o que aconteceu foi que viu essa cena num filme há muitos anos.

Por muito irritantes que estes lapsos de memória possam ser, eles têm um lado positivo, segundo Schacter. Se os nossos cérebros arquivassem tudo o que vemos, ouvimos e lemos, ficaríamos atafulhados de memórias. A nossa capacidade de encaixar pedaços de informação necessária e deitar fora o resto é essencial ao pensamento.

Acho esta teoria tranquilizadora. Agora, quando o meu marido se esquece de onde deixou o carro, digo a mim mesma que a sua mente estará por certo mais ocupada a seleccionar e arquivar informação realmente importante para ele — tal como reservar bilhetes para um evento desportivo —, em vez de concentrar-se em trivialidades. E quando passamos pelo restaurante em que ele insiste que jantámos há anos, sorrio e deixo-o saborear a memória de um repasto delicioso… e obviamente inesquecível.

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