Factores de risco para as doenças do coração

O Factor Fibrinogénio
O fibrinogénio é um componente do sangue - uma proteína que, ao aumentar a adesividade das plaquetas (as células do sangue envolvidas na coagulação), faz que o sangue fique mais espesso e viscoso. Apesar de ainda não se conhecer o mecanismo subjacente, os resultados de vários estudos sugerem que o aumento dos níveis de fibrinogénio é um factor de risco para doença do coração e acidente vascular cerebral.
Alguns estudos demonstraram que o tabagismo desencadeia uma alteração no gene que codifica o fibrinogénio, e isso poderá constituir um eventual mecanismo. Os investigadores sugerem que os níveis elevados de fibrinogénio provocados pelo gene deficiente podem implicar coagulação e inflamação excessivas, aumentando o risco de ataque cardíaco e/ou acidente vascular cerebral.
Também se demonstrou que os níveis elevados de fibrinogénio são um potencial sinal de aviso da presença de uma forma perigosa de LDL, ou « colesterol mau », na corrente sanguínea. É normal as mulheres terem níveis mais elevados de fibrinogénio, o que poderá constituir uma das razões que faz que o fumar seja particularmente perigoso para o sexo feminino. Esta situação é um exemplo do modo como os factores de risco actuam lado a lado, aumentando o risco de doença do coração.
Excesso de Peso
O excesso de peso aumenta o risco de doença do coração. Apesar de ninguém saber exactamente por que motivo isto acontece, não há dúvida de que uma das razões reside no facto de, quando se tem excesso de peso, ser maior a probabilidade de desenvolver diabetes que, como já vimos, está associada ao desenvolvimento de doença do coração.
O excesso de peso também aumenta a probabilidade de ter níveis elevados de colesterol e tensão arterial alta, porque o peso a mais exige maior esforço do coração. O excesso de peso também não facilita a actividade física, que ajuda a proteger da doença do coração. Mesmo quando é moderado, o excesso de peso aumenta em 80% o risco de doença do coração.
Quando se tem excesso de peso, o factor mais importante que determina se se está ou não em risco de doença do coração é o modo como a gordura se distribui. A gordura acumula-se em dois locais principais.
Nas pessoas em forma de «maçã», o excesso de gordura acumula-se em redor do abdómen, dando origem ao clássico «pneu». É mais provável que este padrão de distribuição de gordura afecte os homens e as mulheres pós-menopáusicas, o chamado «aumento de peso da meia-idade».
Nas pessoas em forma de «pêra», sobretudo em mulheres pré- menopáusicas, a gordura acumula-se nas coxas e nas nádegas. Este padrão de distribuição de gordura, a típica «figura em ampulheta», é mais saudável para o coração.
Na prática, isto significa que, se for homem, a medida da cintura não deve ser superior a 90% da medida da anca. Ou seja, se tiver 102 cm de anca, a cintura não deve ser superior a 91 cm. Se for mulher, a medida da cintura não deve ser superior a 80% da anca. Assim, se tiver 102 cm de anca, o ideal será que a cintura não ultrapasse os 81 cm.
As pessoas em «forma de maçã» estão em maior risco de doença do coração, tensão arterial alta, níveis aumentados de gorduras no sangue, níveis de glicemia elevados e diabetes. Em todas estas situações, os níveis de insulina no sangue estão elevados devido à resistência à insulina.
É preciso não esquecer que, quando se verifica resistência à insulina produz-se insulina, que não é bem utilizada pelo organismo. A tendência para uma determinada forma e a presença de resistência à insulina são, em grande parte, determinadas geneticamente; se um dos seus pais ou ambos forem «maçã», justifica-se que tenha um cuidado particular com a dieta e com o exercício para perder o excesso de gordura e manter o peso controlado.
Inactividade
A inactividade - ver demasiada televisão, andar de carro em vez de andar a pé, estar muito tempo sentado - pode prejudicar a saúde do coração. Quando se está inactivo, a circulação reduz-se, fazendo que as células do organismo recebam menos oxigénio e nutrientes. A falta de actividade também reduz a capacidade do organismo para utilizar o oxigénio do sangue, enfraquece os ossos (conduzindo a risco de osteoporose) e os músculos e promove o aumento das gorduras do sangue.
Níveis de Homosisteína Elevados
Já toda a gente ouviu falar do colesterol e sabe que esta substância desempenha um papel importante no desenvolvimento de doença do coração. Não há, contudo, muitas pessoas que tenham ouvido falar da homocisteína, apesar de actualmente se considerar que esta substância é o elo que faltava na história das doenças do coração.
A homocisteína é um aminoácido - um dos componentes das proteínas que o organismo utiliza para produzir os tecidos. Deriva de outro aminoácido, a metionina, que existe em alimentos que contêm proteínas animais, como a carne, o leite e os ovos. Nos últimos anos, tornou-se evidente que a presença de níveis elevados de homocisteína aumenta o risco de doença do coração. De facto, cerca de uma em cada cinco pessoas com doença do coração tem um nível de homocisteína elevado.
Ainda não se sabe exactamente através de que processo os níveis elevados de homocisteína provocam lesões nas artérias. No entanto, demonstrou-se em laboratório que os níveis elevados de homocisteína provocam lesões no endotélio, o revestimento interior das artérias, o que, como já vimos, constitui uma etapa crucial do desenvolvimento da aterosclerose. Demonstrou-se igualmente que os níveis elevados de homocisteína são um factor-chave na oxidação do colesterol e na sua transformação em LDL prejudicial; também parecem aumentar a coagulação do sangue.
Curiosamente, a homocisteína pode ajudar a explicar o modo de acção de outros factores de risco para doença do coração. Tanto o tabagismo como a inactividade, por exemplo, dão origem a níveis elevados de homocisteína. Por outro lado, antes da menopausa, os níveis de homocisteína da mulher são cerca de um quinto mais baixos do que os do homem, o que pode ajudar a explicar por que razão, durante os anos de vida reprodutiva, as mulheres correm menor risco. Considera-se que, para serem «saudáveis», os níveis de homocisteína devem ser iguais ou inferiores a 12 mmol/l.
Causas de níveis elevados de homocisteína:
- Dieta pobre em ácido fólico.
- Dieta pobre em vitaminas 86 e 812. Idade.
- Hipotiroidismo (níveis baixos
de hormonas da tiróide).
- Doença renal. Psoríase.
- Lúpus eritematoso sistémico (LES).
- Alguns fármacos como o metotrexato (utilizado no tratamento da artrite reumatóide e da psoríase), a teofilina (utilizada no tratamento da asma e da bronquite) e o ácido nicotínico (utilizado para
baixar os níveis dos lípidos).
- Homocistinúria - carência, de origem genética, dos enzimas que processam a homocisteína.
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