Do Fundão ao Paul

Rodeado pela Gardunha e pela Estreia, o Fundão é o pólo aglutinador da Cova da Beira. Se o visitar em qualquer segunda-feira, pode percorrer o seu típico mercado, onde se transaccionam os variados produtos agrícolas da região. Deles se destacam as maçãs e as cerejas da Gardunha.

A igreja matriz, do século XVIII, com vários altares em talha dourada, a da Misericórdia, do século XVI, as Capelas de S. Sebastião, Nossa Senhora da Luz (século XVI), com o seu original cruzeiro de granito, que ostenta num dos lados da cruz a imagem de Cristo e no oposto a da Virgem Maria, a de Santo António e a de S. Francisco, com o seu cruzeiro de granito, ambas também do século XVI, o Chafariz do Espírito Santo (século XVIII) e o original Chafariz das Oito Bicas (século XIX) são marcos da história local de interesse.

Se gostar de arqueologia, vá até ao Largo da Câmara e visite o descuidado museu, que alberga rico espólio do período romano. Se quiser adquirir antiguidades, são diversos os antiquários a percorrer.

Rume em direcção ao Paul, pequena aldeia no sopé da Estrela. Raros são já os exemplares da arquitectura tradicional, de varandas alpendradas com rendilhados balaústres de madeira, em que uma sábia e original técnica aproveitava como material de construção os blocos rochosos, rolados pelos glaciares que, no Quaternário, cobriam a Estrela.

Mas a riqueza profusa das águas das ribeiras onde se criaram viveiros de trutas, a leveza do ar, os altos milheirais, que, no início do Verão, tingem de verde os campos baixos, e, sobretudo, a beleza agreste da encosta da montanha que a rodeia, a norte, de rocha nua com laivos de prata, conferem a esta aldeia o sabor de um mundo onde apetece viver.

Dos Unhais até à Covilhã

Daqui siga para Unhais da Serra, situada na base sudoeste da ribeira do mesmo nome, que resulta da confluência da ribeira da Estrela com a da Alforfa. Rodeada por terras de cultura, os lameiros, que, em alguns casos, raros, trepam as encostas disputando o espaço aos pinhais. O milho, o centeio e variados produtos hortícolas contam-se entre os produtos cultivados, ainda por técnicas de marcado arcaísmo.

No espaço da aldeia destacam-se a matriz (talvez da segunda metade do século XVIII), os edifícios do forno, do lagar e das termas e do antigo hotel e casino que albergava os aquistas que buscavam a cura nas virtudes terapêuticas das duas nascentes termais: Fonte do Cortiço e Fonte do Banho.

Os vários engenhos ao longo da ribeira de Unhais, marcas de um tempo em que a força motriz das águas constituía a energia necessária aos engenhos da indústria de lanifícios, são pontos de interesse a visitar. Nos restaurantes da aldeia pode saborear uma boa truta.

Rume em direcção à Covilhã e siga até à ampla Praça do Município. Aí comece a subir em direcção à serra. Pare no miradouro da Varanda dos Carquejais e deixe os olhos pairar sobre os horizontes largos da Cova da Beira e o emaranhado das ruas da velha Covilhã, que daqui se avista em toda a sua plenitude serena e grave.

Um pouco mais adiante, deixe a imaginação voar junto à Pedra do Urso, gigantesco bloco granítico que a erosão caprichosamente modelou. Uns metros mais acima, as Penhas da Saúde. Pode parar para repousar ou almoçar.

Se gostar de passeios a pé, caminhe até à Varanda dos Pastores e deixe perder os olhos nesses horizontes largos e infinitos de cabeços e planuras agrestes e azuis que se estendem até à linha da raia.

Retomando a estrada, lance um olhar pelo lago Viriato, que recorda esse herói mítico da resistência lusitana aos soldados de Roma, e pare na Nave de Santo António, com o bloco errático do Poio do Judeu. Interne-se na serra. Se a visitar sem neve, aventure-se pelos múltiplos trilhos que a percorrem.

Se gostar de percursos pedestres de duas horas, vá até à lagoa dos Cântaros e ao vale das Candieirinhas. Para mais perto, maravilhe-se com a grandiosidade dos Cântaros, admire a beleza agreste do Covão d' Ametade, explore os leitos do Alva e da ribeira das Corgas, deslumbre-se com o vale do Zêzere, instalado na rota de um antigo glaciar. Mire-se na serenidade líquida e misteriosa das suas lagoas, que velhas lendas afirmam comunicar com o mar. Suba até aos 1991 m do planalto da Torre.

No caminho, contornados os Cântaros, visite o monumento a Nossa Senhora da Boa Estrela, num nicho escavado no cinzento agreste do granito. Aqui, o silêncio envolvente da montanha, a paz serena desta paisagem grandiosa, convidam a orar a esta Virgem protectora de pastores e rebanhos.

Chegado à Torre, observe o tapete natural nos mais variados tons de verde e amarelo dos musgos e Líquenes que aqui crescem, essas pequenas mas importantes plantinhas que retêm a água e fixam o azoto. Deixe pairar o olhar no amarelo dourado dos narcisos silvestres, se a visitar na Primavera. Se vier no Inverno, não esqueça os esquis, e divirta-se nas pistas da Torre, respirando o ar puro, deixando-se envolver pela brancura da neve.

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