Veja aqui sugestões para ter a certeza de que vai conseguir dormir o necessário para maximizar a produção dessas armas.
 
Aceite a nova situação como normal. «Não há nenhuma "cura dos cinco anos"», assevera a Dr.ª Julie Silver, sobrevivente de cancro da mama, professora assistente na Faculdade de Medicina de Harvard e autora do livro Depois do Tratamento para o Cancro. «Mesmo depois de acabado o curso de tratamentos, nunca mais nos sentimos seguras. Mas podemos aprender a viver com isso.»

Quando acorda assustada à noite, combata isso com imagens positivas. Leia livros que lhe prendam a atenção, mas sem argumentos demasiado complicados. «Eu tenho na minha mesa-de-cabeceira livros leves e positivos», diz a Dr.ª Silver, explicando que, ao ler, o cérebro passa literalmente a outra engrenagem, reorganiza-se e parte em nova direcção. «Por isso, concentro-me em povoar o meu cérebro de imagens positivas. »
 
Confie no seu instinto. «Cada uma de nós conhece melhor o seu próprio corpo do que qualquer outra pessoa», diz a Dr.ª Silver. «Nenhum médico alguma vez o conhecerá tão bem como você. Quer se chame a isso intuição feminina ou seja o que for, há qualquer coisa que nos diz quando há algum problema. Por isso, quando suspeitar de que alguma coisa está mal, anote os seus sintomas e aconselhe-se com o médico. E não se preocupe se lhe chamarem hipocondríaca. Confie no seu instinto.»
 
Mexa-se. «Certos estudos revelam que a actividade física beneficia o sono tão eficazmente como as benzodiazepinas», diz o Dr. Kalyanakrishnan Ramakrishnan, professor associado do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Oklahoma. Isto torna o exercício o tratamento contra a insónia de eleição para sobreviventes de cancro.

Mas o que também faz do exercício a receita perfeita é o facto de diminuir a fadiga extremamente debilitante sentida por esses doentes e que é a sua maior queixa - e ainda os ajuda a evitarem acordar repetidamente ao longo da noite preocupados com a possibilidade de recorrência da doença.

Num estudo da Faculdade de Medicina de Harvard abrangendo mais de 3000 mulheres com cancro da mama, os investigadores descobriram que as que faziam caminhadas somando 3 a 9 horas por semana a um ritmo moderado viam reduzido em 20% o risco de recorrência do cancro e de morte. As que caminhavam 9 a 15 horas por semana viam o risco reduzido em 50%. As que andavam 15 a 24 horas por semana viam o risco reduzido nuns incríveis 60%. Acima dessa carga horária, no entanto, ou sessões de exercício mais intenso, não pareciam trazer qualquer benefício adicional.
 
Tome os seus remédios. «A dor é uma das coisas que realmente preocupam as doentes com cancro», diz a Dr.ª Silver.

Dor devido aos tumores, aos tratamentos, à fragilidade física que muitas vezes acompanha os tratamentos, dor durante a convalescença. Infelizmente, acrescenta, «a ansiedade com a possível recorrência da dor pode perturbar o sono quase tanto como a própria dor». O truque é combater a dor com doses regulares de medicação 24 horas por dia. Como explica a Dr.ª Silver, uma pessoa acorda de manhã e sente-se bem, por isso decide não tomar o analgésico receitado pelo médico, ou toma uma dose mais pequena. Muitas mulheres acham que conseguem aguentar a dor ligeira que sentem e guardar a medicação para quando aquela se tornar mais intensa. O problema é que os «bocadinhos de dor» vão-se acumulando ao longo do dia, e à noite a dor já é demasiado forte para a medicação ser eficaz. Por isso, tome a dose de medicação que o médico lhe receitar as vezes que ele prescrever.
 
Esqueça as sestas. Uma vez que o cancro e respectivos tratamentos geralmente provocam grande cansaço, é provável que comece a sentir a necessidade de fazer sestas durante o período em que decorrem os tratamentos. Quando os tratamentos acabam, porém, deve imediatamente interromper o hábito. De outra forma, este começará a interferir com a sua capacidade de dormir à noite.
 
Alerte o seu médico. Por vezes, o seu sono é perturbado pelos efeitos secundários da medicação. Por isso, não considere imediatamente qualquer insónia como urna consequência de ansiedade ou preocupação. Consulte o médico que lhe poderá recomendar passar uma noite num centro do sono, mas será certamente capaz de sugerir soluções. Se a quimioterapia lhe causa afrontamentos, por exemplo, uma solução simples como uma almofada especial arrefecida, ou reduzir a temperatura do seu quarto, pode bastar para lhe dar boas noites de sono.
 
Marque uma consulta especificamente por causa do sono. A insónia e a fadiga são problemas tão habituais em pessoas que tiveram doenças cancerosas que os médicos podem não lhes dar a atenção necessária quando os doentes os mencionam. Há muitos aspectos a ser observados e avaliados durante a consulta e o médico pode ter tendência em concentrar-se mais nuns e menos noutros.

A Dr:ª Silver aconselha que a melhor forma de levar o médico a prestar atenção à questão do sono é fazer um registo escrito. «Anote tudo - a que horas se deita, quanto tempo demora a adormecer, com que frequência e a que horas costuma acordar a meio da noite, se consegue voltar a adormecer ou não e a que horas.»

Depois, marque uma consulta com o médico especificamente para falar disso. Só o facto de se ter dado ao trabalho de fazer um registo demonstrará ao médico como as dificuldades de sono a preocupam.
 
Cumpra as regras. Segundo a Dr.ª Silver, os principias da medicina do sono estão bem estabelecidos. E é possível maximizar as hipóteses de uma boa noite de sono seguindo-os à regra. Planeie sete e oito horas de sono por noite. Evite o álcool, o exercício físico e a cafeína depois das 16. Desligue o computador cedo.

Tome um banho quente
- de imersão, não chuveiro - cerca de uma hora antes de se ir deitar para a ajudar a relaxar. Comer qualquer coisa leve também pode ajudar. Deite-se apenas quando se sentir cansada. Se acordar, deixe-se ficar na cama apenas 20 ou 30 minutos. Se continuar acordada passado esse tempo, levante-se, vá até à sala e volte para a cama só quando tiver sono outra vez. Considere o quarto apenas como um refúgio para dormir e para sexo - bem, para ler umas histórias românticas também.
 
Não Ligue. Quando der por si de olhos esbugalhados às 3 da manhã, não dê demasiada importância ao caso. É verdade que vai perder uma noite de sono, mas qual é o problema? Já tem outras preocupações que cheguem na sua vida.
Combata as náuseas nocturnas. Rale uma colher de sopa de raiz de gengibre para dentro de um copo de água quente. Ponha 10 minutos de infusão e depois vá bebendo. Esqueça o produto embalado - nunca contém a mesma quantidade de ingredientes activos em cada saquinho.
 
Utilize o método dos 4 passos. Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard verificou que as mulheres que sofriam de afrontamentos devido à toma de tamoxifeno sentiam um alívio significativo durante o tratamento quando praticavam a técnica de relaxamento concebida pelo Dr. Herbert Benson, um cardiologista que gere o Instituto Médico Corpo/Mente de Boston. De uma forma esquemática, esta técnica engloba 4 passos:
1. Escolha uma palavra que tenha um significado profundo para si, como «paz».
2. Feche os olhos e concentre-se nessa palavra. Repita-a silenciosamente para consigo. Quando a sua atenção se dispersar, o que é inevitável, esforce-se por voltar a concentrar-se na palavra.
3. Respire fundo. Comece conscientemente a descontrair cada um dos seus músculos, desde o rosto até aos dedos dos pés.
4. No fim, continue a concentrar-se na palavra escolhida por mais 10 ou 15 minutos. Depois, deixe-se adormecer suavemente.
 
Trate o que puder tratar. Por vezes, pode existir uma afecção subjacente - artrite, dores nas costas, ressonar, por exemplo - que sempre tenha perturbado ligeiramente o seu sono, mas nunca tenha representado um incómodo verdadeiramente grave. Ao começar um tratamento de quimioterapia, o problema pode agravar-se seriamente. Quanto à quimioterapia, nada a fazer, claro, mas pode tomar medidas em relação à artrite, às dores nas costas e ao ressonar. Fale com o oncologista sobre o assunto e pergunte-lhe quais as possíveis soluções para o problema que a aflige e qual delas será mais adequada ao seu caso. É provável que, ao tratar o problema mais antigo, a qualidade do seu sono, em geral, melhore.
 
Não dê importância a notícias ou opiniões negativas. Palavras e imagens negativas não são grande ajuda para quem quer dormir. Por isso - pelo menos, algumas horas antes de se deitar -, evite os noticiários na televisão e programas que mais não fazem do que despertar a fúria e a lançar a controvérsia. Vá para a cama livre dessas imagens e vozes.
Procure o equilíbrio. Muitas mulheres não têm por habito mimar-se a si próprias ou a pensar em si em primeiro lugar. Mas o sono é tão necessário para a cura que, num caso destes, não lhe resta outra solução. Se o ressonar do cão a acorda, ponha-o a dormir mais longe do seu quarto. Se o ressonar do seu marido a acorda, seja devido a uma alergia sazonal, uma constipação ou até a apneia do sono, encoraje-o a procurar tratamento. Se ele se mostrar renitente, mande-o dormir para outro quarto também!

«Uma coisa que me estava sempre a acordar e que continua são os meus filhos», admite a Dr.ªSilver. «A minha filha teve pesadelos três vezes esta semana. Tem sete anos, estamos em Setembro e ela está de regresso à escola outra vez, portanto a cabeça dela não pára. Mas o problema é que me acorda, e depois custa-me voltar a adormecer.»

A questão é que não se pode deixar de ser mãe desligando um interruptor. Sim, é verdade que precisa de proteger-se para se curar, mas os seus filhos também vivem a sua doença. Estão preocupados consigo, com eles próprios e com tudo o que mudou nas suas vidas. Por isso, tem de olhar por si própria, mas consciente dos limites que a sua realidade impõe.
«Não se pode mandar para a cama uma criança que está com medo», diz a Drª Silver, «mas eu usava todos os truques possíveis para conseguir que os meus filhos acalmassem e voltassem a adormecer.» Também usava algumas tácticas que noutras circunstâncias acharia péssima ideia como prometer-lhes presentes se eles fossem dormir.

«Em tempo de guerra, não se limpam armas», justifica. «Se estamos no meio dos tratamentos, tentando desesperadamente melhorar bom, talvez esta não seja a forma como educaríamos os nossos filhos em circunstâncias normais, mas estamos dispostos a tudo para que eles - e nós - consigam dormir.»

Não se isole. Procure os amigos e a família, ligue à sua melhor amiga, sente-se no jardim com um vizinho enquanto ele rega as suas plantas, peça à sua mãe para vir fazer-lhe o almoço, convide os seus amigos da paróquia para aparecerem. Aproveite o facto de ser parte integrante de uma rede humana de apoio.
 
Peça que rezem por si. «Eu pedia às pessoas para rezarem por mim às 9 da noite todas as noites», conta a Dr.ª Silver. «A essa hora, os meus filhos já estavam na cama, e eu sozinha no meu quarto, tentando controlar as dores e adormecer. Sentia-me terrivelmente sozinha e assustada. A minha rotina habitual tinha mudado. Deitava-me muito mais cedo, e quando me deitava, sentia-me muito preocupada e sozinha.» Julie Silver hesita e depois continua: «Sabe, o cancro é uma doença solitária. Eu tenho um marido realmente maravilhoso, filhos fantásticos, uma família óptima e grandes amigos. Mas o cancro é uma doença solitária que se enfrenta sozinha. Sentir-me rodeada e apoiada pela oração ajuda.»
 
Se tem crenças religiosas, a serenidade que isso lhe traz e o apoio espiritual de pessoas com as mesmas crenças são uma grande ajuda.
 

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