De Seia à Guarda, passando pela Torre

Relacionados
De Seia a Torre
Os pelourinhos ainda existentes (Carvalhal, Casal de Travancinho, Santa Marinha e Valezim) relembram-nos que os serranos prezam a sua autonomia. A posição estratégica de Seia fez que fosse disputada entre cristãos e muçulmanos e entre D. Afonso Henriques e sua mãe.
Com numerosos vestígios românicos na igreja matriz e Capela de S. Pedro, reconstruídas posteriormente, sendo visíveis azulejos mudéjares e frescos, Seia tem também monumentos de outras épocas, como acontece com a Igreja da Misericórdia (com uma fachada joanina) e com a Casa das Obras, também do século XVIII (pombalina). Foi no Solar dos Albuquerques que Wellington instalou o seu quartel-general.
De Seia, terra de Afonso Costa, podemos dizer o mesmo que de Gouveia: é um dos acessos à serra e é por aqui que vamos subir, depois de um pequeno salto a S. Romão para visitarmos, junto ao rio Alva, a Ermida de Nossa Senhora do Desterro. É um conjunto caracteristicamente barroco, com uma sucessão de capelas que representam cenas da Paixão de Cristo, que culminam num idílico cenário com a capela, casa do ermitão e estruturas de apoio aos romeiros. Muito próximo, encontra-se a curiosa formação geológica granítica que se chama Cabeça da Velha.
Valezim, Loriga e Alvoco da Serra são aldeias que nos evidenciam que a surpresa é a nota dominante na serra da Estrela. Cascatas, pastores, casas, azenhas, afloramentos rochosos, cursos de água cristalina, florestas, a geometria dos campos cultivados e, sobretudo, a forma como todos estes elementos se articulam entre si contribuem para nos dar uma perspectiva sempre nova dos espaços e comunidades que vivem da agricultura e da pecuária.
É um percurso que, certamente, vai deixar fortes impressões e pode até acontecer que se cruze com algum rebanho que ainda não perdeu o sentido dos primitivos percursos de transumância.
São aldeias que valem como conjuntos, são habitantes que nos lembram o Viriato dos montes Hermínios e o domínio e respeito que têm pela serra. Conhecem-na como ninguém e, por isso, a amam e respeitam.
A serra é imprevisível, rude e bela. Continuemos o percurso até à Torre, que, com os seus 1991 metros de altitude, marca o ponto mais elevado de Portugal continental. A denominação de Torre advém do facto de D. João VI aí ter mandado erguer, em 1806, uma pirâmide com 9 metros de altura, para assim se atingirem os 2000 m.
Deliciemo-nos com a paisagem, façamos alguns dos percursos pedestres sinalizados e preparemo-nos para descer o mais importante vale glaciário português - o do Zêzere - até Manteigas.
De Torre a Guarda
Os Cântaros (Magro e Gordo), imponentes afloramentos graníticos resultantes do movimento de glaciares, como que nos obrigam a parar mal iniciamos a descida. A passagem pelos Piornos faz-nos lembrar a promessa, que se vai materializando a pouco e pouco, de virmos a ter uma estação de turismo de Inverno; o Covão da Ametade leva-nos a sentir desejo de ficar e fruir um pouco mais as delícias da altitude.
Pelo vale do Zêzere vamos descendo até Manteigas, sempre com apelos a novas paragens (desde abrigos de pastores cobertos de colmo a cascatas que caem por cima da estrada), e podemos fazer uma digressão até ao sempre espectacular Poço do Inferno, verdadeira maravilha da Natureza, com uma formosa cascata que, no Inverno, se transforma numa escultura de gelo.
Os viveiros de trutas indicam-nos a proximidade de Manteigas. A arqueologia industrial tem aqui alguns dos seus exemplares mais característicos em velhas fábricas que se instalaram nesta zona para aproveitamento da força hídrica.
Antes de retomar o percurso que o levará até à Guarda, poderá, se quiser, continuar a fruir aspectos pitorescos da serra, fazer uma digressão até às Penhas Douradas e ir mesmo à aldeia portuguesa mais alta - Sabugueiro.
Valhelhas e Gonçalo ficam no percurso, e é precisamente em Gonçalo que vamos encontrar um dos principais núcleos artesanais de todo o distrito, com o fabrico de cestos e mobiliário de verga. É gente afável, que tem na cestaria um importante complemento para os parcos proventos agrícolas.
Siga pela estrada da montanha e, em Seixo Amarelo, deixe-se tentar pela belíssima água que jorra pelas duas bicas do chafariz enquanto aprecia, ao longe, para nascente, uma morfologia denteada onde pode vislumbrar a vila de Sortelha. Vale de Estrela é a última aldeia deste percurso montanhoso que culmina na cidade dos FF (Forte, Fiel, Farta, Fria e Feia/Formosa) – a Guarda.
|
| ||||||
Faça um Comentário
| Nome* | |
| Email* | |
| Comentário* | |

Mais Populares
Mais Populares
Favoritos da Semana
![]() Receitas e Alimentos | ![]() Dicas e Truques | ![]() Alimentação Saudável | ![]() Destinos e Viagens | ![]() Notas de Lazer | ![]() Consultas de Especialistas |
Precisa-se: Uma Boa História!
Precisa-se: Uma Boa História!
Escreva-nos e poderá ganhar:
50€ por cada história verídica e inédita que for publicada em Flagrantes da Vida Real.
20€ por cada texto publicado em Rir é o Melhor Remédio.

Partilhe






.jpg)
















