Em Braga

A minhota cidade de Braga tem tido um grande desenvolvimento nos últimos anos, em grande parte graças à animação universitária. No entanto, não deixou de ser um dos principais centros da tradição religiosa do país, o que está bem patente nas igrejas, que se vêem quase por toda a parte e continuam bastante frequentadas, e nos diversos santuários que a rodeiam. Talvez seja por isso que em Braga se respira um ambiente que é, ao mesmo tempo, antigo e moderno, num entendimento aparente. mente exemplar entre diferentes formas de estar e sentir.

Para se aperceber do que acabámos de dizer, sugerimos um passeio a pé pelo centro histórico da cidade, começando, por exemplo, pela zona do Largo da Porta Nova. Deixe o carro no parque de estacionamento da estação da CP e, no Largo da Estação, tome a Rua Andrade Corvo, que o levará ao Arco da Porta Nova Entrará numa zona de edifícios antigos, mas com muita actividade comercial, que, dependendo da hora e da altura do ano, tanto poderá ostentar a característica azáfama dos grandes centros urbanos como a inesperada calmaria das aldeias de província.

Chegando à Rua D. Diogo de Sousa, ande mais alguns metros e detenha-se durante alguns momentos no pavimento empedrado do Largo do Paço, onde se encontra um bonito chafariz. Aproveite para apreciar as belas fachadas do Paço Episcopal. Quase em frente ao largo, inicia-se uma pequena artéria com o curioso nome de Rua de Nossa Senhora do Leite. Siga por aí. Alguns metros depois, descobrirá a razão deste nome: nas traseiras do edifício da Sé encontra-se a imagem de uma senhora amamentando um bebé (representando, certamente, a Virgem e o Menino Jesus).

Continue caminho, contornando as traseiras da Catedral. Chegará ao Rossio da Sé, um espaço amplo ao lado da mesma. Aproveite para apreciar alguns dos curiosos edifícios que se encontram nessa zona. Daí terá também uma interessante perspectiva lateral das belas torres sineiras. Depois, continuando a contornar o monumento, chegará à Rua do Cabido, por onde poderá entrar no templo. Construída durante os séculos XI e XII, a Sé de Braga é um dos monumentos mais característicos da cidade. Sofreu diversas alterações ao longo dos anos, pelo que nela se podem reconhecer diversos estilos, do românico ao barroco. No interior, encontram-se os túmulos do conde D. Henrique e de D. Teresa, pais do nosso primeiro rei.

Volte depois ao Largo do Paço e siga pela Rua do Souto, na direcção da Avenida dos Combatentes. Após algumas dezenas de metros, irá ter a uma zona ampla, com um jardim na parte central. A meio da tarde, nos dias soalheiros, verá estudantes sentados nas esplanadas, crianças brincando no parque infantil, namorados passeando no jardim.

Não muito longe, perto do Largo de São Francisco, encontra-se a Torre de Menagem, um dos poucos vestígios do antigo Castelo de Braga. E, um pouco adiante, já na Avenida dos Combatentes, vislumbra-se a fachada da Igreja dos Congregados, um imponente exemplar do estilo barroco (a propósito, Braga é justamente considerada a capital lusa do Barroco).

É claro que muito mais existe para ver na cidade, e nem sequer é preciso ir muito longe: nas traseiras do Largo do Paço, encontram-se os edifícios da Biblioteca (séc. XVII) e da Universidade do Minho (séc. XVIII), bem como o agradável Jardim de Santa Bárbara; logo abaixo fica a Praça Municipal, onde, como o nome indica, se situa o edifício da Câmara, também ele um interessante exemplar barroco dos finais do século XVIII; e poderíamos continuar. Sugerimos, por isso, no caso de se sentir especialmente atraído por esta bela cidade, que faça uma visita ao Posto de Turismo de Braga. Localizá-lo-á facilmente: fica na Avenida da Liberdade, num edifício que faz gaveto com a referida Avenida dos Combatentes e que fica de frente para quem vem da Rua do Souto.

Santuário do Bom Jesus

Quando sentir o apelo para a descoberta de outros locais, pegue no carro e saia da cidade, seguindo sempre as indicações Bom Jesus. Se tiver deixado o carro onde sugerimos (no parque de estacionamento junto à estação da CP), o melhor será virar logo à direita, no Largo da Estação.

Irá ter à Praça do Condestável e, fazendo meia rotunda, deverá seguir pelas avenidas da Imaculada Conceição, João XXI e João Paulo II. Seguir este trajecto é aconselhável. não só porque se trata de uma forma fácil de se dirigir ao seu destino, mas também porque lhe permitirá aperceber-se de onde fica a Bracalândia, um espaço de diversão que lhe proporemos, mais tarde, para fechar com chave de ouro este percurso. Para isso, vá com atenção, pois antes de encetar a subida para o Bom Jesus, a Bracalândia surgirá, bem visível, à sua direita.

O caminho até ao Santuário faz-se sem quaisquer problemas, subindo uma belíssima encosta de frondosa vegetação. Aqui e ali encontrará miradouros ou simples reentrâncias nas bermas da estrada, onde poderá parar durante uns instantes e aproveitar para admirar a beleza da paisagem que vai ficando para trás.

Chegando ao topo, siga primeiro a indicação Parque de Estacionamento, à esquerda. Deixe aí o carro e, depois, faça a sua escolha: poderá dirigir-se imediatamente ao Santuário, um templo de estilo neoclássico, da autoria do arquitecto bracarense Carlos Amarante; ou dar primeiro um passeio pela Mata do Bom Jesus, onde talvez possa, entre outras coisas, passear de barco, no lago, com toda a família.

Qualquer que seja a sua opção, entrará em domínios de uma das mais características tradições nortenhas: a peregrinação ao Santuário do Bom Jesus e o passeio pela mata que o rodeia fazem parte das experiências incontornáveis das gentes minhotas. A propósito, durante o mês de Agosto a afluência é tanta que o aconselhamos seriamente a pensar duas vezes antes de rumar a estas paragens...

Sameiro

A seguir, saia do Bom Jesus (seguindo em frente na estrada que o levou ao parque de estacionamento), na direcção de Citânia de Briteiros e Guimarães. Passado pouco tempo, surgirão indicações que o levarão ao Monte Sameiro onde, no alto dos seus 467 metros, se encontra o segundo maior santuário mariano do país (o primeiro é o de Fátima). Deixe o carro no parque previsto para o efeito, logo à entrada, e inicie a descoberta do local.

Também o Sameiro é destino de peregrinação secular das gentes do Norte. Nos finais do século XIX, apenas havia aí uma imponente imagem da Virgem. Só mais tarde surgiu a ideia de criar, no cimo do monte, um lugar de culto. Além de uma visita ao templo (o altar-mor é todo em granito polido, retirado de pedreiras da região) e respectiva cripta, vale bem a pena subir ao zimbório da Basílica e apreciar o magnífico panorama que daí se tem sobre a cidade de Braga e arredores (e que, nos melhores dias, se prolonga até ao mar!). Repare também, à sua esquerda, na casa dos ex-votos e na mata que rodeia o monte, onde sombras muito atractivas convidam a um curto repouso, antes de continuar viagem.

Briteiros

O trajecto para a Citânia de Briteiros, a partir do Santuário do Sameiro, também está bem assinalado. Pelo caminho, vamo-nos apercebendo da típica ocupação das terras nortenhas, cheias de pequenas propriedades dominadas por moradias (algumas de aspecto incaracterístico) e alguns solares. Chegando ao local. onde, em tempos remotos, se fixou uma população de muito provável origem celta, a primeira coisa que chama a atenção é o excelente estado de conservação e a extensão do povoado.

Passando a Casa do Guarda, acede-se a um circuito demarcado, que nos leva por arruamentos antigos até ao "coração" do antigo castro, onde ainda é possível ver numerosas construções, de diferentes tipos e formas. Olhando mais atentamente, notará a existência de algumas caleiras, que conduziam a água até à fonte pública, uma construção circular com alguns bancos, que era, muito provavelmente, o local onde se realizavam as reuniões do conselho comunitário, e espaços de formato rectangular destinados ao gado.

A sensação de recuo no tempo é inevitável, sobretudo tendo em conta que se está num dos locais que terão dado origem ao povo lusitano. Aproveite também para subir a um dos penedos e perscrutar o horizonte. Repare na excelente localização do povoado, que dominava toda a paisagem em redor, e lembre-se de que o castro estava ainda protegido por várias cinturas de muralhas. Um povoado assim fortificado era quase intransponível.

Caldas das Taipas

Continue o percurso seguindo pela mesma estrada que o levou à citânia, até chegar a um cruzamento onde terá de virar à direita, na direcção de Caldas das Taipas e Guimarães. Passados alguns quilómetros, chegará aquela pitoresca vila. Ao entrar na localidade, siga a indicação Termas, que o levará a uma zona agradável junto do hotel das referidas Termas, onde poderá deixar o carro sem problemas de maior.

- Ara de Trajano: Sugerimos que dê um pequeno passeio pelas redondezas, aproveitando o agradável enquadramento da zona. Um pouco acima, encontra-se uma igreja e, ao lado desta, numa pequena elevação relvada, vê-se um bloco maciço de pedra: a Ara de Trajano. As inscrições latinas indicam que se trata de um monumento dedicado ao imperador Trajano Augusto. É um eloquente testemunho de que as águas das Taipas já eram frequentadas pelos romanos, graças às suas virtudes terapêuticas.

- Parque Fluvial: Depois, vá até a rua central e siga as indicações Praia Fluvial e Campismos. Encontrará uma zona arborizada à beira-rio, com um pequeno parque infantil, sanitários, zona desportiva e praia fluvial. Infelizmente, perto da zona da praia há um esgoto a céu aberto, pelo que o banho é desaconselhável. No entanto, o local não deixa de ter alguns recantos atractivos, nomeadamente junto ao parque infantil. Também dispõe de algumas mesas e bancos de pedra.

Um pouco antes do parque fluvial, à direita de quem desce, existem piscinas ao ar livre, que funcionam entre Julho e Setembro. Mas convém evitar, sobretudo, o mês de Agosto, devido à grande afluência de residentes e emigrantes.

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