Azeitão- Portinho - Setúbal

Azeitão, constituído por duas localidades, Vila Nogueira e Vila Fresca, foi concelho durante cerca de um século. Desmembrado do concelho de Sesimbra em 1759, foi integrado no de Setúbal em 1855. Pertenceu aos duques de Aveiro e foi terra da Ordem Militar de Santiago.

A praça principal de Vila Nogueira de Azeitão é composta por três edifícios, dos quais se destaca o Palácio dos Duques de Aveiro. Construção renascentista, mandada edificar por D. Jorge de Lencastre, nela foi preso o último duque de Aveiro, D. José de Mascarenhas, com a sua família.

Contrariamente aos outros imóveis da família, este paço ducal não foi derrubado, nem o seu chão salgado, aquando da execução do último duque e seus descendentes, em Janeiro de 1759. Actualmente, alberga as instalações do Instituto da Vinha e do Vinho.

Fronteiro ao palácio, encontra-se o pelourinho, de quatro ganchos e argolas encimadas pela esfera armilar, mandado construir em 1786 pela rainha D. Maria I. O restante largo é composto pelo antigo Convento dos Frades Dominicanos, edificado em 1435, e os armazéns de fiação (ambos pertencentes actualmente à Companhia José Maria da Fonseca).

Antes de prosseguir em direcção à Arrábida, tome o sentido contrário e visite, em Vila Fresca de Azeitão, a Quinta da Bacalhoa, construída nos finais do século XV e assim designada por o seu proprietário em 1609, D. Jerónimo Manuel, ser conhecido pelo Bacalhau. Esta quinta, de feições arquitectónicas mistas de arte florentina e muçulmana, lembra a Fortaleza de Ormuz, que D. Afonso de Albuquerque (pai) conquistou em 1515. Hoje classificada como monumento nacional, é um referente para os estudiosos da azulejaria hispano-árabe.

De regresso a Vila Nogueira, aproveite para tomar um chá na Quinta das Torres, que tem entrada pela estrada de ligação a Setúbal e cujo palácio pertenceu outrora à Casa de Murça.

Já novamente no Rossio de Azeitão, encontrará, do lado direito da estrada, a Igreja de S. Lourenço, que marca presença desde 1344.

Instituído o Círio de Nossa Senhora da Arrábida de Vila Nogueira de Azeitão, em 1845, era defronte desta igreja que se cantavam as loas em homenagem à Senhora, aquando da partida dos círios, na véspera do domingo do Espírito Santo, para o local de culto no Convento da Arrábida, de onde se regressava na segunda-feira seguinte.

A rua principal de Vila Nogueira é o centro da vida comercial e social. Nela se encontram os cafés, pastelarias, mercearias, antiquários, e, se tomou um chá na Quinta das Torres, pode aqui provar a famosa torta de Azeitão, doce conventual que começou a circular pela população após a extinção das ordens religiosas.

Nesta artéria, e próximo da igreja, repare no chafariz, chamado dos Pasmados, com bebedouros para os animais. É também nesta via que se encontram as instalações da Companhia José Maria da Fonseca, que, desde finais do século XIX, fabrica o tão afamado moscatel de Setúbal.

Deixando Azeitão, parta à descoberta da serra da Arrábida - tome a estrada para oeste, passe pela Aldeia de Irmãos e, à saída desta, descubra entre o arvoredo as zonas agrícolas, onde predominam as videiras. A cerca de 300 m desta povoação, no entroncamento, vire à esquerda (a via da direita dá acesso a Sesimbra), para a estrada da serra da Arrábida. Imediatamente após tomar essa via, verá, do lado direito, a Quinta do Lapidário, com a sua loja de artesanato e salão de chá.

Enquanto sobe a vertente norte da serra, a paisagem vai-se desdobrando entre vales, ora por extensas áreas cobertas de variadíssima vegetação, onde se destaca o carvalho-cerquinho, o pinheiro-manso e alguns sobreiros, ora por áreas cultivadas, ora por áreas delimitadas onde pastam rebanhos de ovelhas.

Para Azeitão, emigravam sazonalmente gentes oriundas de outras localidades. Foi um desses emigrantes- Gaspar Henriques de Paiva- que, por volta de 1830, fixando residência nestas paragens, se dedicou à criação de ovelhas da raça bordaleira, que mandara vir da sua terra, na Beira Baixa, e introduziu o fabrico de queijos do tipo Serra, contando, para o efeito, com a colaboração de queijeiros da serra da Estrela. Estava criado o conhecido queijo de Azeitão, cujo sabor se fica em muito a dever à vegetação calcícola da Arrábida.

A meio da subida, encontrará Casais da Serra, envolvida por vinhas; continuando, dê conta, à esquerda, da entrada do El-Carmen, onde a duquesa de Aveiro, D. Madalena Giron, mandou construir casas de apoio aos romeiros que, por aqui passavam.

Ao cimo da estrada, pare e admire o vale que se estende à sua direita. É o vale do Casal do Meio, delimitado a sul pela serra do Risco (ponto mais elevado da costa continental portuguesa, atingindo os 380 m), que cai abruptamente sobre o mar.

Se quiser aproveitar, existem vários trilhos pedestres que pode percorrer até à serra do Risco, de onde se vislumbra um magnífico panorama: toda a costa da Galé até Sines, se as condições atmosféricas forem favoráveis.

À medida que se afasta da vertente norte e se aproxima da do sul, a paisagem altera-se ligeiramente. A frondosa vegetação de medronheiros, carvalhos e murta, que atinge nos vales mais húmidos alturas invulgares, dá lugar, em solos pouco fundos, a afloramentos rochosos, resultando numa paisagem salpicada de branco, que contrasta com o azul do mar.

Continuando na mesma estrada, desça até ao Portinha. A densa mata do Solitário (reserva integral do Parque Natural da Arrábida) desenvolve-se à direita da via serpenteante.

Deleite-se a passear sobre o areal, enquanto sente a brisa marinha e os aromas da terra e do mar. Visite o Museu Oceanográfico do Parque Natural, instalado no antigo Forte de Santa Maria, construído em 1676. Desça, antes de partir deste local, à Gruta de Santa Margarida.

Retome a estrada, vá até ao cruzamento e siga no sentido das praias de Galapos, Figueirinha e de Setúbal. Não deixe de contemplar o Convento dos Frades Arrábidos, mancha branca entre a imensidão do verde.

No percurso até à cidade de Setúbal, será sempre acompanhado, à direita, pelo oceano, enquanto, à esquerda, sobressaem as escarpas da serra. Faça algumas paragens, nomeadamente nas praias ou em outros locais que se encontram devidamente assinalados (Fortes de Alburquel, do Outão, parque de merendas), mas, sobretudo, não deixe de admirar a deslumbrante paisagem envolvente.

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