A vila de Alpiarça, que se desenvolve ao longo de uma rua muito extensa e envolvida num centro agrícola de muita produção, já é registada por Gil Vicente no Auto da Nau d'Amores, embora como sede de concelho seja de época bastante recente:
“ ... vai-te tu ao Crato,
Porque Mafoma e Mafamede
Afaqui e Alfaqueque
São do Bispo d'Alencastro,
Almofariz e almofada,
Almoface e almofreixe,
Alfourroubeira e Alcouchete
E Alqueidão.
Sandas terras de Soldão,
E Alfaiates e Alfanete,
Alfareme e Alcaprema,
Alpiarça e Alfazema
E Alpedriz
São do mestrado d'Aviz.
"
No entanto, a presença humana nestas paragens data da Pré-História, como testemunham as Estações Arqueológicas do Castelo de Alpiarça, do Cabeço da Bruxinha, da Necrópole do Meijão e do Cabeço da Bruxa, da Necrópole do Tranchoal dos Patudos. Na Quinta da Goucha, prova-se a permanência do homem pelo menos desde as épocas neolíticas até à romana.

Vinhas, campos, planície, tudo nos invade. Mas o mais curioso é que no meio desta vasta planície fértil e sabiamente aproveitada pela mão do homem do campo fica um tesouro do nosso património artístico: a Casa dos Patudos. Ao fundo de uma larga carreira bordada de árvores, destaca-se, entre maciços de verdura, a encantadora habitação que pertenceu a José Relvas. "Mas, se o exterior da Casa dos Patudos nos atrai e nos encanta pela sua simplicidade, a parte interna surpreende-nos pela elegância requintada das suas salas e pelas preciosidades artísticas que as adornam, numa disposição de um bom gosto inexcedível. Nessas vastas salas sente-se a impressão de que cada objecto está no seu lugar próprio, sem se aglomerarem, sem se prejudicarem uns aos outros, tão discretamente estão dispostos, num conjunto único de harmonia e de sobriedade. O mobiliário, as porcelanas, as pinturas e as tapeçarias constituem o núcleo principal das obras de arte tão carinhosamente e inteligentemente reunidas na Casa dos Patudos." (Almeida Moreira.)

Este passeio permite-nos, em pleno Ribatejo, conviver com a natureza humanizada e com a criação artística do homem, que se protege na belíssima Casa-Museu dos Patudos, edifício construído entre 1905 e 1909, segundo o projecto do arquitecto Raul Lino.

 

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