Como Falar com os Adolescentes Sobre Amor

Quando a sua filha de 15 anos teve uma paixão arrasadora por um rapaz, Susan Johnson quis ajudar a filha adolescente a compreender esta irresistível atracção. Mas sabia que, como quase todos os adolescentes, a sua filha seria super sensível à menor sugestão de crítica. Por isso, iniciou a conversa admitindo que ela própria, quando estava a crescer e era adolescente em Inglaterra, também sentia paixões – uma vez, por exemplo, ficou inebriada com um rapaz do coro.
«Costumava espiá-lo de detrás dos bancos do coro», contou ela à filha. «E depois ia a pé para casa, seguindo-o, na esperança de que ele se voltasse para trás e falasse comigo.»
Susan Johnso não é apenas mãe: é professora de Psicologia Clínica da Universidade de Ottawa, e uma das terapeutas de relacionamentos entre casais mais conhecida do continente americano. E segundo ela, uma das melhores formas de os pais falarem aos filhos sobre o amor é contando histórias sobre si próprios. Isto ajudará os adolescentes a sentirem-se mais confortáveis com os seus sentimentos mais fortes e perturbantes.
Não sendo nunca fácil iniciar uma conversa com adolescentes sobre os altos e baixos do amor, os especialistas dizem que há maneiras de o fazer e mensagens valiosas a passar. Aqui estão algumas:
Amor Não É Só Fazer o Que a Outra Pessoa Quer
«Os adolescentes enamoram-se num abrir e fechar de olhos», diz Meg Hickling, autora de The New Speaking of Sex (Uma Nova Maneira de Falar Sobre Sexo). Depois de 30 anos a viajar por todo o Mundo como educadora de saúde sexual, Meg Hickling, que vive em Vancouver, diz que aprendeu que a maior parte dos adolescentes não entende que o amor leva tempo.
«Costumo dizer-lhes que o verdadeiro amor tem respeito e dá espaço para a outra pessoa crescer», diz Meg Hickling. «Muitos adolescentes pensam que amor é estarem à mercê um do outro.» Preocupam-na em particular as adolescentes que acreditam que «amar um rapaz é fazer tudo aquilo que ele quer».
Algo semelhante precocupava Karen Gram, mãe e jornalista de Vancouver, quando a sua filha Yette – que não tinha grande experiência de sair com rapazes – se apaixonou por um rapaz do Ontário que conhecera através da Internet.
Com o computador da família na cozinha para melhor controle, Karen via a filha, aluna do 10.º ano, a corresponder-se com o rapaz. «Perguntei à minha filha do que é que ela gostava especialmente neste rapaz», conta Karen, «e ela respondeu-me “Ele faz-me rir”. Era compreensível.»
Mesmo assim, Karen tentou preparar a filha para uma prevista visita do rapaz. «Disse-lhe que quando finalmente o conhecesse em pessoa, poderia não haver qualquer atracção entre eles. E ela aceitou isso. Disse-lhe mais:”Às vezes eu gosto de pessoas porque elas gostam de mim, mas não me parece que seja razão suficiente para se ter um relacionamento com alguém.” Pedi-lhe que tivesse isso em conta para poder controlar a sua própria vida. Estava a tentar dar-lhe segurança através de uma demarcação de limites antes de conhecer o rapaz.»
Amor É Difícil e Pode Magoar
Os adolescentes merecem respeito durante o seu acesso ao mundo emocionante e difícil dos relacionamentos. «Todos os pais tentam instilar espírito crítico e sensatez, mas é claro que esses esforços são inúteis», diz Susan Johnson a rir. «Não vale a pena pedir à minha filha, da maneira mais simpática possível “Não achas que este rapaz está a ser um pouco manipulador?” Não vale a pena porque ela tem uma paixão por ele.»
Em vez disso, Susan Johnson tenta aproximar-se da filha da mesma forma que se aproxima dos seus clientes nas sessões de terapia para casais adultos. «O que tento dizer são coisas como “O que é que sentes quando estás perto deste rapaz de quem gostas? O que é que sentes de bom neste relacionamento? O que é que não te parece bem?”.»
A estas perguntas, diz Susan Johnson que a filha lhe tem respondido que, dado que os outros miúdos fazem pouco dela, sente-se mais segura quando o rapaz está por perto. Susan Johnson, por sua vez, confirma-lhe que segurança é uma das coisas que se deve sentir quando se está apaixonado.
«E depois poderei talvez perguntar-lhe “Há algum momento difícil, com este rapaz?”. E ela talvez me responda “Sim, tenho ciúmes porque acho que ele gosta mais da outra rapariga do que de mim.” Depois podemos falar de como o amor pode ser assustador porque é um risco.»
Amor É Amizade
Ben Klassen lembra-se de ter conversas sérias sobre amor com seu pai, Brian, quando ambos iam de carro ver jogos de futebol. «É sempre um pouco incomodativo quando os nossos pais nos falam de assuntos íntimos», diz ele. Mas embora os amigos deste rapaz de 16 anos lhe dissessem para não perder tempo com a rapariga de quem gostava porque ela não era gira, Ben e o pai depressa concordaram que a grande inteligência dela a tornava boa companhia, uma boa amiga para as noites de cinema e para longas conversas. Quem sabe o que poderia vir a desenvolver-se a partir dali?
«É esse o problema com a TV e o cinema», diz Ben. «Tratam as relações como se fosse um grande jogo; é só espectáculo e toda a gente tem de ser linda.»
Nem sequer o compromisso é uma prioridade nos tempos que correm. «No Liceu é assim», diz ele. «Os namoros duram uma semana.»
Meg Hickling concordaria. «Para mais de três quartos dos adolescentes, a ideia de um compromisso para toda a vida é inconcebível. Alguns nunca viram compromissos de longa duração.»
Mas Adina Bogert-O´Brien – cujos pais estão casados há muito tempo – está com o seu companheiro desde que se conheceram na adolescência em Ottawa. «Muitos colegas do 9º ano saíam com pessoas que mal conheciam só porque lhes achavam graça», diz a jovem de 23 anos. «Mas o meu namorado foi, em primeiro lugar, o meu melhor amigo. Eu vi o lado positivo de a amizade fazer parte do amor.»
Amor Inclui Cometer Erros
«Amor é nunca ter de pedir desculpa». Esta é uma das muitas parvoíces que os media ensinam aos adolescentes, diz Susan Johnson. Quando quer ensinar os seus adolescentes sobre o amor, ela não deixa de sublinhar os seus próprios erros.
Há pouco tempo, tentou falar com a filha sobre o que alguns rapazes querem das raparigas. E admite qjue acabou por provocar uma discussão. «Estraguei tudo. Parei de ser razoável», conta ela. «Mas depois fui ter com ela e disse-lhe que “tinha todo o direito de se zangar comigo. Eu tinha perdido a cabeça e pedia-lhe desculpa”.»
Quando os pais fazem isto, ensinam aos filhos adolescentes o que é amor. Amor não é ser bonzinho e sereno o tempo todo. Amor é cometer erros e admiti-lo, e procurar a pessoa novamente. A ligação é mais importante do que o orgulho de ter sempre razão.»
Amor Significa Confiança
Brian Klassen confessa que por vezes reage demais quando a filha de 18 anos, Jacqueline, volta para casa mais tarde que a hora combinada depois de uma saída à noite com o namorado. «Eu berro-lhe coisas. Faço-lhe perguntas: ‘O que é que vocês fizeram? Que espécie de limites é que te pões? Podem ser momentos críticos.»
Klassen sabe que os momentos de irritação não são os melhores para um pai religioso e protector se envolver em conversas sobre amor com uma filha adolescente. Mas Jacqueline diz que, em ocasiões menos norteadas pela disciplina, gosta de falar com os pais sobre amor, relacionamentos e sexualidade. Klassen, por seu lado, considera que tais conversas resultam melhor quando ele sai com a filha para tomar um café, ou quando anda com o filho de carro.
Klassen defende que os pais não devem bombardear os filhos adolescentes com perguntas pesadas. Devem começar a conversar sobre outros assuntos, como desporto ou escola, antes se atirarem a temas tão sensíveis como as relações.
Partilhar opiniões sobre programas de televisão, filmes e canções também podem ser momentos de aprendizagem – aqueles momentos em que pais e filhos adolescentes têm oportunidade de discutir a diferença entre o que Jacqueline considera «um tipo de amor falso» cheio de conotações sexuais promovido pela indústria do entretenimento, e os relacionamentos mais autênticos, cheios de desafios, acerca dos quais os adolescentes ouvem através das famílias e da sua vida em geral.
Amor É Mostrar Como Se Faz
Feitas as contas, as acções dizem mais do que as palavras. Podem ocorrer grandes momentos durante conversas francas entre pais e filhos adolescentes. Por exemplo, quando a mãe de Jacqueline lhe perguntou se ela estava a ter um relacionamento sexual com o namorado, ela respondeu que sim com franqueza.
Mas independentemente da forma como os filhos respondem a perguntas tão íntimas como esta, Klassen insiste para que os pais não percam a cabeça. E que evitem pressionar, porque ele a melhor forma de falar com os adolescentes sobre amor é através do exemplo.
«Sabemos o pouco poder que temos sobre os filhos adolescentes. A Jacqueline está no 12.º ano, ela é que faz as suas próprias escolhas. Mas queremos que ela saiba que a aceitamos e amamos, e estaremos a seu lado, mesmo que as suas escolhas não sejam as que desejaríamos para ela. Para mim, isso é uma demonstração do que o amor é.»
Sugestões para Falar de Amor Com os Filhos Adolescentes
+ Controlem a ansiedade quando os seus filhos adolescentes tiverem um relacionamento. Preocupação a mais dificulta a atenção e a empatia.
+ Partilhem as vossas experiências de adolescentes sobre amor, sexo e relacionamentos. Isso ajuda os adolescentes a sentirem que os seus sentimentos, por vezes confusos, são normais.
+ Crie espaços e momentos confortáveis para uma conversa. Jante muitas vezes com os seus filhos adolescentes, saiam juntos para tomar um café, leve-os ao futebol ou às lições de dança, vão a concertos juntos.
+ Vejam televisão e filmes em conjunto e partilhem a vossa opinião sobre o que viram.
+ Evitem pontificar ou fazer juízos de valor.
+ Façam perguntas que deixem espaço para qualquer tipo de resposta tais como: Como estás? Como estás com os teus amigos? Como vais com os teus relacionamentos? Como é que te sentes quando estás com ele/ela? O que é que te faz sentir bem neste relacionamento? O que é que te faz sentir mal?
+ E mais importante do que tudo: na sua vida pessoal, dê o exemplo de relacionamento de uma pessoa responsável, respeitosa e interessada.
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2 Comentários |
| Jaqueline Martins on 20 July 2011 ,20:15 oláa eu tenho 15 anos e ja tentei conversar com meus pais sobre namoro, estou conhecendo um rapaz e ele quer me pedir em namoro mas primeiramente queria conversar com meus pais, para que eles possam me orientar e me ajudar mas eles não me dão essa abertura! não sei mais o que falar pra eles e queria ajuda de vocês .. espero que me entendam, obrigada! |
| Luana Cunha Ferreira on 25 Setembro 2010 ,10:37 Bom dia, Estou a realizar uma investigação para Doutoramento, sobre Casais e Intimidade, no âmbito do Programa Doutoral Interuniversitário em Psicologia (Psicologia de Família e Intervenções Familiares) nas Universidade de Lisboa e na Universidade de Coimbra. O projecto tem o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Venho desta forma pedir a vossa colaboração na divulgação deste estudo. Encontrará, em baixo, um texto de divulgação do projecto, que se quiser e/ou puder, pode divulgar aos seus amigos, familiares e colegas, ou até no seu site ou blog. Muito lhe agradeçemos esta contribuição, já que estamos a precisar de muitos participantes. Os interessados podem participar através de uma entrevista presencial ou através do preenchimento de um questionário online (anónimo e individual). Obrigada pela sua colaboração! Luana Cunha Ferreira --------------------------- Nova Fase do "Projecto Intimidades O "Projecto Intimidades", uma investigação no âmbito do meu Doutoramento em Psicologia Clínica (FPUL, FPCEUL) focado na intimidade conjugal, e apoiado pela FCT, entrou numa nova fase. Agora, poderá participar nesta investigação de 3 formas distintas (escolher uma): A) Participar, com o seu cônjuge ou parceiro/a, numa entrevista presencial > Participação em casal*: envie um email com os seus dados paraprojectointimidades@gmail.com ou ligue para o 913301540 para efectuar a marcação (deixe mensagem com os seus contactos e entraremos em contacto consigo). Poderá ver a... |
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