Colesterol
O primeiro encontra-se nos alimentos, o segundo é essencial para os processos metabólicos do organismo.
O que é o colesterol?
O fígado fabrica por dia até 1 g de colesterol para o sangue, a matéria gordurosa que é um componente de todas as células. O colesterol do sangue também participa na formação de algumas hormonas e na produção da vitamina D e dos ácidos biliares, que ajudam a digestão.
Os principais riscos de doenças cardíacas causadas por índices elevados do colesterol do sangue têm a sua origem na estrutura genética, embora a alimentação e a obesidade sejam factores também importantes. E se não podemos alterar os aspectos hereditários, a alimentação, pelo contrário, podemos controlar.
Como a dieta pode ajudar
A redução das gorduras saturadas é a mais eficaz de todas as medidas dietéticas a tomar sobre os níveis de colesterol no sangue, podendo chegar a baixá-los 14%. Estudos recentes sugerem que a
ingestão de alimentos com fibras solúveis — como papa de aveia, feijão cozinhado, fruta rica em pectina, como a
toranja, e fruta seca — pode reduzir ainda mais os níveis de colesterol. Certos compostos do alho também inibem a produção de colesterol pelo fígado.
As quantidades de colesterol na dieta não se reflectem nos níveis medidos no sangue, os quais são essencialmente determinados pela quantidade de gorduras saturadas nos alimentos. Pensa-se hoje que os alimentos ricos em colesterol não aumentam acentuadamente o risco de doença cardíaca nas pessoas saudáveis. Contudo, na sua maior parte, os especialistas concordam que as pessoas com problemas cardíacos, com uma história familiar de doenças cardíacas ou com níveis altos de colesterol no sangue devem restringir o colesterol da alimentação.
Encontram-se níveis altos de colesterol nas gemas, nos miúdos (particularmente fígado e miolos) e nos camarões. Mas é controversa a medida em que estas fontes—especialmente os ovos, pobres em gorduras saturadas mas ricos em colesterol — influenciam os níveis
de colesterol.
Enquanto a Organização Mundial de Saúde afirma que até 10 ovos por semana não são prejudiciais, para outras entidades 3—4 ovos por semana é o número máximo seguro. Em Portugal, a ingestão média diária de colesterol é de cerca de 390 mg para o homem e 290 mg para a mulher — o suficiente para elevar em cerca de 5 % os níveis de colesterol no sangue.
Felizmente, o organismo consegue neutralizar eficientemente as subidas de colesterol dietético: na maioria das pessoas, o fígado produz automaticamente menos colesterol quando os níveis fornecidos pelos alimentos são demasiado altos. Mesmo quando há uma ingestão grande de gorduras, a pessoa saudável não corre risco.
Como o sangue é sobretudo formado por água, que não se mistura com gordura, o colesterol percorre o organismo ligado a proteínas específicas, as lipoproteínas. Há dois tipos destas proteínas: lipoproteínas de baixa densidade, ou LDL (low density lipoproteins), e lipoproteínas de alta densidade, ou HDL (high density lipoproteins). As LDL transportam cerca de ¾ do colesterol no sangue, e níveis altos de LDL reflectem em geral níveis altos de colesterol, ou seja, um risco acrescido de doença cardíaca. Níveis altos de HDL, que transportam muito menos gorduras, indicam um risco de doença cardíaca abaixo da média.
Os grupos de risco
Os níveis elevados de LDL são frequentemente resultado de um defeito (muitas vezes hereditário) num receptor do fígado que devia remover essas lipoproteínas do sangue. Quando este receptor não funciona bem, forma-se um revestimento nas paredes das artérias que se torna permanente, a aterosclerose. As pessoas com diabetes ou problemas de tiróide podem também «desligar» os receptores.
Como a hormona feminina estrogénio aumenta o número e a eficácia dos receptores de LDL, ajudando assim a manter baixos os níveis de colesterol, as mulheres estão menos sujeitas a doenças cardíacas antes da menopausa.
Por outro lado, as mulheres têm tendência para níveis mais altos de HDL, o que reduz ainda mais o risco de aterosclerose e doença cardíaca.
O exercício pode contribuir para baixar os níveis de LDL e elevar os de HDL.
Medir os níveis de colesterol
Os níveis de colesterol no sangue são medidos em miligramas/decilitros (mg/dl) ou em milimoles/litro (mmol/l).
Colesterol :
• 180-200 mg/dl ou (5,2 mmol/l) – Risco baixo.
• 200-250 mg/dl ou (5,2-6,5 mmol/l) – Risco médio.
• 250-300 mg/dl ou (6,5-7,8 mmol/l) – Risco moderado.
• > 300 mg/dl ou (7,8 mmol/l) – Risco alto.
No cálculo do risco, porém, devem ser considerados outros factores, como história familiar de doença cardíaca e o tipo de vida do doente. Um nível de colesterol de, por exemplo, 250-300 mg pode ser aceitável num homem em boa forma física e sem outros factores de risco, mas ser preocupante no caso de um doente com angina de peito ou cuja família tenha uma história familiar de colesterol.
Alimentação e o controle do colesterol
Até há pouco, afirmava-se que muitos problemas do coração, como a trombose coronária e as doenças coronárias, eram causados por altos níveis de colesterol, termo que abarcava o colesterol da alimentação e o do sangue. Embora o primeiro possa afectar a saúde, é o colesterol do sangue – cujos níveis altos são muitas vezes hereditários – que é hoje considerado a principal ameaça ao coração.
Estudos recentes mostram que os ácidos gordos saturados e gordos-trans podem fazer subir o colesterol no sangue até níveis perigosos. Uma dieta adequada protege contra os níveis excessivos de colesterol no sangue, além de reduzir os que já se encontram altos.
Alimentos que podem fazer subir o colesterol
• Margarinas duras e gorduras sólidas para cozinhar, que são ricas em ácidos gordos saturados e ácidos gordos-trans.
• Carne gorda e produtos derivados, como costeletas de cordeiro, picados, hambúrgueres, bacon, salsichas, salames, pâtés, tartes.
• Bolachas, bolos, chocolates e pastelaria.
• Lacticínios gordos, como queijo de pasta dura, natas e manteiga.
Alimentos que podem fazer baixar o colesterol
• Pão integral, pão de centeio e pão de mistura (trigo e centeio).
• Fruta, como laranjas, maçãs, peras, bananas e frutos secos, como alperces, figos e ameixas.
• Papas de aveia e cereais de pequeno-almoço que contenham farelo cozido.
• Legumes, como milho-doce, ervilhas-tortas, cebolas, alho, favas, feijão-encarnado e feijão de debulhar.
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