Barcos, uma página de história
O casario de Barcos ordena-se ao longo de dois grandes caminhos, um seguindo o outro a partir do Largo da Igreja Matriz, onde se levantava o pelourinho, hoje perdido.

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Eram caminhos de ligação entre este e oeste que atravessaram os rios Távora e Tedo em velhas pontes de pedra. Eram também caminhos para Santiago de Compostela.
A visita pode iniciar-se neste largo.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção é uma edificação tardo-românica com elementos decorativos típicos nos portais da fachada e nos portais laterais, que se abrem para a nave, onde há dois arcos-solios sem arca tumular. A capela-mor possui um retábulo de talha dourada dos finais do século XVII, onde se salienta o trono com a imagem do orago. O tecto é constituído por um conjunto de 24 painéis pintados por artista de mérito, que representou cenas da vida de Cristo e da Virgem para doutrina do povo. Na sacristia, guardam-se livros, imagens e alfaias que são memória da face religiosa da comunidade.
Na rua fronteira à igreja, fica o velho edifício da Casa da Câmara com a sua peculiar sineira, a Casa do Forno e a rua do mesmo nome. Mais além corre a Rua do Pelourinho, para a qual se abrem recantos de saborosa organização arquitectónica e onde fica a Casa da Roda e a residência paroquial (até 1910). Há ainda ao fundo uma fonte, e desta zona de arrabalde partia o velho caminho que levava ao morro da Forca e à igreja românica do Sabroso, ainda distante.
Contra a face norte da Igreja, está o Largo Ilídio Meio Cabral. O casarão que ali foi construído para Casa da Câmara já não cumpriu o seu destino porque Barcos perdeu os foros de vila. Ficou amaldiçoado e sem uso. Dali parte a Rua Macedo Cabral, com a casa brasonada dos Cunhas e outras moradias de fidalgos e de gente do povo.
Da igreja para este corre a Rua do Padre Ismael Vilela (falecido em 1938), para onde dá a Rua D. Afonso 111 e onde fica o amplo edifício setecentista da Colegiada, com largos espaços a merecer dignificante ocupação. Ao lado, ficam as moradas fidalgas dos Magalhães Coutinhos. Junto da igreja, iniciava-se uma Via Sacra constituída por vários nichos com Passos pintados e cruzes que levavam até ao sítio do Calvário, a sul, junto da actual Capela de Santa Bárbara, onde se conserva o corpo meio incorrupto de uma mulher que foi talvez formosa, de seu nome Maria Adelaide Sá Meneses. O povo que a conheceu acreditou facilmente que a preservação do corpo era um sinal de virtude, aureolou-a com fama de santa, fez transferir-lhe o corpo sumido para uma arca aberta que se encontra na capela e agora chama-lhe piedosamente a Servinha e pede-lhe milagres.
Do sitio do Calvário colhe-se uma bela panorâmica sobre a povoação, junto da qual se levanta uma rede de campos cultivados.
Mas a visita feita a Barcos parece não ficar completa se não subirmos ao cerro do Sabroso, sobre o poente, para olhar a modéstia de uma antiquíssima capela românica, sobre cujo adro se levantam muitas lajes de sepulturas e o silêncio de todos os homens que habitaram o castro que ali existiu.
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