Por vezes chamadas micróbios, as bactérias foram reconhecidas como causa de doenças há mais de 100 anos, mas ainda não se sabe exactamente por que motivo algumas pessoas adoecem enquanto outras permanecem sãs quando expostas às mesmas fontes de infecção. Abundantes no ar, no solo e na água, as bactérias são, na sua maioria, inofensivas para os seres humanos. Algumas são até benéficas, por exemplo as que vivem no intestino e ajudam a decompor os alimentos. As bactérias que causam doenças chamam-se patogénicas.

As bactérias foram descobertas no século XVII por Anton van Leeuwenhoeck, depois do aparecimento do microscópio, mas só em meados do século XIX é que o cientista francês Louis Pasteur provou, para além de qualquer dúvida, que elas eram a causa de muitas doenças.

Tipos
As bactérias patogénicas cIassificam-se, segundo a forma, em três grupos principais: cocos (esféricos), bacilos (em forma de bastonetes) e espiroquetas ou espirilos (em forma de espiral).

Entre a grande variedade de doenças causadas por cocos, salientam-se a pneumonia, a amigdalite, a endocardite bacteriana, a meningite, a síndroma do choque tóxico e várias doenças da pele.

Os bacilos provocam tuberculose, febre tifóide, infecção por salmonelas, tosse convulsa, tétano, difteria, doença dos legionários e botulismo, entre outras.

As espiroquetas, que são o terceiro e mais pequeno grupo de bactérias, são responsáveis pela sífilis, bouba, leptospirose e doença de Lyme.

Crescimento, movimento e reprodução
As bactérias que vivem no corpo humano proliferam em ambiente quente e húmido. Algumas são aeróbias - isto é, precisam de oxigénio para se desenvolverem e multiplicarem - e, por isso, encontram-se habitualmente na pele ou no sistema respiratório. As bactérias anaeróbias~proliferam onde não há oxigénio nas camadas profundas dos tecidos ou nas feridas.

Muitas bactérias são naturalmente estáticas e só se deslocam pelo corpo quando arrastadas pelas correntes do ar e dos líquidos. Algumas, porém, tais como as salmo nelas (responsáveis pela intoxicação alimentar e pela tifóide), são altamente móveis e deslocam-se nos líquidos, sacudindo os seus flagelos (caudas filamentosas, semelhantes a chicotes).

As bactérias reproduzem-se por divisão em duas células que, por sua vez, também se dividem, e assim sucessivamente. Em condições ideais (a temperatura certa e alimento suficiente para todas as células), esta divisão pode dar-se de 20 em 20 minutos, uma velocidade de reprodução extremamente rápida. Num período de seis horas, uma só bactéria pode multiplicar-se em mais de 250 000. Contudo, isto acontece muito poucas vezes, porque as condições ideais raramente ocorrem, e num indivíduo saudável o sistema imunológico do corpo destrói as bactérias invasoras.

Alguns tipos de bactérias, além de se dividirem - como, por exemplo, as cIostrídias (responsáveis pelo botulismo, pelo tétano, pela colite pseudomembranosa e pelo carbúnculo) -, também se multiplicam, embora de maneira mais restrita, produzindo cada uma um esporo, uma única nova bactéria protegida por uma membrana resistente e que pode sobreviver a altas temperaturas, secura e falta de alimento.

Como as bactérias penetram no corpo
As bactérias podem penetrar no corpo, através dos pulmões, por inalação das gotículas expulsas pela respiração, tosse ou espirros de uma pessoa infectada. A difteria e a tosse convulsa, por exemplo, são contraídas desta maneira.

O tracto digestivo pode ser infectado por ingestão de alimentos contaminados. As bactérias podem estar presentes nos alimentos desde o local de produção das matérias-primas ou transportadas até eles por moscas ou mãos contaminadas.
Entre os microrganismos que penetram no sistema urogenital, incluem-se os que causam doenças transmitidas sexualmente (por exemplo, sífilis, doença inflamatória pélvica ou gonorreia).

As bactérias penetram na pele de várias maneiras: através dos folículos pilosos (como acontece nos furúnculos), através de cortes ou escoriações na superfície da pele (o que pode provocar erisipelas) ou de feridas profundas, como acontece no tétano.

Como as bactérias causam doenças
As bactérias podem produzir toxinas, que são nocivas para as células humanas. Se estiverem presentes em quantidade suficiente e a pessoa afectada não estiver imunizada contra elas, o resultado é a doença. Algumas bactérias libertam as chamadas endotoxinas, que podem provocar febre, hemorragias e choque. Outras produzem as exotoxinas, que são responsáveis por lesões graves em doenças como difteria, tétano e síndroma do choque tóxico.

Resistência no organismo
A primeira forma de defesa do organismo contra a invasão de bactérias nocivas são as substâncias hostis às bactérias, que existem na pele e no revestimento das vias respiratórias, do tubo digestivo e do sistema urogenital. Os olhos são protegidos por um enzima presente nas lágrimas e o estômago segrega ácido clorídrico, que mata muitas bactérias dos alimentos e da água.

Se as bactérias romperem estas defesas, dois tipos de glóbulos brancos (do sangue) atacam-nas: os neutrófilos, que devoram e destroem muitas destas bactérias, e os linfócitos, que produzem anticorpos contra elas. Os anticorpos atacam directamente as bactérias. Depois de uma infecção,^alguns anticorpos permanecem no sangue durante um tempo considerável - muitos anos, no caso da varíola, da rubéola, da febre tifóide e da escarlatina - impedindo geralmente ataques posteriores da doença ou tornando-os muito mais ligeiros.

Tratamento das doenças bacterianas
A resposta do sistema imunológico à doença bacteriana é, por vezes, suficiente para, por si só, conduzir à recuperação, mas em muitos casos énecessário tratamento médico, que consiste principalmente na administração de antibióticos. Alguns, como a penicilina, destroem as bactérias invasoras; outros, como a tetraciclina, impedem a sua multiplicação e permitem que o sistema imunológico vença os invasores.

Algumas doenças - entre elas a difteria, o tétano, o botulismo e a gangrena gasosa - são tratadas por meio de injecções de soro antitoxinas (líquido retirado do sangue de uma pessoa ou de um cavalo que recebeu uma série de injecções de imunização e cujo sangue contém, portanto, anticorpos contra a doença).

As inflamações superficiais e as feridas infectadas podem ser tratadas com soluções anti-sépticas.

Prevenção
Adquire-se a imunidade a certas doenças bacterianas (por exemplo, difteria, tifóide, tosse convulsa e tétano) através da imunização activa (injecção de formas enfraqueci das ou mortas das bactérias ou seus venenos) - chamada vacina. As pessoas com infecções devem tomar medidas para impedir a sua disseminação; as vítimas de infecções respiratórias devem manter-sé afastadas de lugares cheios de gente para evitar transmitir a infecção por gotículas e devem servir-se sempre de um lenço se tossirem ou espirrarem. As pessoas que preparam alimentos devem ser cuidadosas no que respeita à sua saúde e à sua higiene pessoal.

Qualquer ferida, deve ser lavada com uma solução anti-séptica que destrua as bactérias e depois coberta com um penso limpo e seco.

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1 Comentários

Maria Mariana on 05 Junho 2010 ,16:17

gostei muito achei super legal

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