"É a primeira povoação que dá indício de estarmos nas férteis margens do Nilo português." (Almeida Garrett.) .
A vila está ligada ao Tejo, que passa 3 km a sul, por um canal que se chama vala da Azambuja e é orlado de arvoredo, sobretudo álamos. Paralelo ao Tejo, com uma extensão de 25 km, segue o canal da Azambuja. O canal era navegável, nos 17 km, de penetração das marés, para barcos de 30 a 35 t. Hoje, resta-nos a memória desta estrada fluvial que recolhia os produtos agrícolas das terras da Azambuja e do Cartaxo. Iremos acompanhar este canal até ao Palácio das Obras, cais-entreposto importante do Tejo.
Visite o centro histórico da vila, o Largo do Município, com o seu belo pelourinho, a estação da CP, com os bonitos painéis de azulejos com motivos da região, e depois atravesse a linha do caminho de ferro e passe ao lado da vala do Esteiro, onde já pode começar a observar as embarcações dos avieiros-saveiros.
Prossiga pela estrada ladeada de arvoredo e passe a ponte sobre a vala da Azambuja, de onde se podem ver os caminhos da sirga.
Siga a estrada que atravessa vastos campos cultivados até encontrar, à direita, um caminho, também entre campos, que leva ao Palácio das Obras Novas, quase na foz da vala da Azambuja. Antes de chegar ao palácio, depara-se-Ihe uma avenida de palmeiras que segue paralela à vala. Um local romântico onde são evidentes os sinais de abandono e de ruína, quer nos edifícios quer no cais, e até mesmo no canal, que não tem merecido a limpeza e tratamento das suas margens.
Mas esta situação não é nova. Tem quase um século. Em 1905, já Cardoso Gonçalves afirmava: "O nosso desmazelo, a incúria dos governos e a falta de iniciativa dos povos têm deixado inutilizar para uma navegação cómoda o útil canal da Azambuja, assim como têm consentido no assoreamento do rio, cuja balizagem, aliás, foi ultimamente tentada." E continua a propósito da paisagem que nos envolve: "Devemos, porém, observar que a paisagem do Ribatejo é mais para se ver em pormenores do que para se admirar em conjunto. A luz é crua e forte, não detalhando contornos senão quando o Sol inclina ao ocaso ou os ventos do oeste mais carregados de vapor de água destacam nitidamente os planos."
Aqui os recantos são maravilhosos e as cenas campesinas encantadoras, que só por si constituem motivo de gozo espiritual e de idealização poética.
Depois de uma longa paragem à sombra do denso choupal que envolve este sítio, onde as árvores de sombra reverdecem com toda a pujança das regiões tropicais, voltamos ao ponto de partida.