À sombra do Roxo

Relacionados
De aldeia em aldeia, entre ruínas romanas, minas ancestrais e manifestações de arte popular, assista ao milagre da água no vale do Roxo.
Beja • Ervidel • Messejana
Entre os abundantes vestígios da presença romana nesta região, destaca-se a villa de Pisões, com acesso sinalizado na estrada Beja-Aljustrel, antes da povoação de Penedo Gordo. As escavações desta villa, que se pensa ter sido ocupada pelos Romanos entre os séculos I e IV e pelos Visigodos nos séculos VII-VIII, puseram a descoberto a sua parte urbana, merecendo especial atenção a luxuosa casa do proprietário, com pavimentos de mosaico policromo, lajes de mármore e paredes com estuque pintado.
Regresse a estrada, passe Penedo Gordo e siga para Santa Vitória. Logo à entrada, está indicado o caminho para Mina da Juliana, pequena aldeia nascida da exploração de minas de cobre e ouro, encerradas em 1910. Situada junto a um braço da albufeira da Barragem do Roxo, a sua cota permitiu-lhe escapar à submersão, e o casario ali ficou, isolado e branco, com a traga dos antigos quartéis a guardar a memória da mina (ida e volta, 14 km).
Ainda mal se saiu de Santa Vitória e já Ervidel surge ao longe, trepando a encosta. Entre na povoação, tome a esquerda e pare na Praça da República. As duas torres da aldeia, que daqui se avistam, orientarão o seu percurso: a da igreja matriz, para um lado, e a da antiga cadeia, junto à Ermida de S. Pedro, para o outro. Subindo a matriz, desfruta-se a primeira grande panorâmica da albufeira do Roxo.
A Rua Oriental da Zorreira começa perto e nela se encontram dois artesãos da madeira: o Sr. Botas e o Sr. Campaniço. De novo na praça, e tomando a direcção da Ermida de S. Pedro, os interessados em adegas privadas com tinto bem reputado terão motivo de paragem na Adega do Lóio, na Rua de Aljustrel; mais adiante, no Largo do Mercado do Povo, o Sr. Clemente revela um terceiro estilo de arte pastoril; na Rua da Boavista, retempere forças no simpático espaço abobadado do Celeiro.
Na estrada para Aljustrel sinaliza-se o acesso ao paredão da barragem. O cenário justifica o desvio.
Aljustrel, a Vipasca dos Romanos, mantém o destino ligado às minas e às vicissitudes da sua exploração. De carro ou em peregrinação pedestre escadório acima, vale a pena subir a Ermida de Nossa Senhora do Castelo (século XVII). Junto ao marco geodésico, enquanto o velho castelo mouro aguarda que os arqueólogos o tomem mais visível, o olhar perde-se em todas as direcções.
A saída para Messejana faz-se perto dos escritórios da mina, na direcção de Odemira. O património desta vila, que acompanhou a sua importância passada e se oferece, em exposição permanente, na Associação Engenho e Arte, excepção feita ao pelourinho manuelino, ao Palacete dos Morgados e à Igreja da Misericórdia, não tem recebido o melhor tratamento.
Em contrapartida, a alegria do casario caiado, quase todo debruado a azul, a convivialidade que se respira na praça e a beleza da envolvente rural convidam a permanecer para descobrir o presente, provar o mel, o queijo e os enchidos da terra e gozar a calma do campo.
Do adro da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, tem-se uma excelente panorâmica e avista-se, para poente, a Ermida de Nossa Senhora da Assunção. As ruínas do Convento de S. Francisco, que se vêem para nascente, são um óptimo pretexto para um pequeno passeio a pé.
Messejana • Ferreira do Alentejo
A partir de Messejana, que se deixa tomando a direcção de Rio de Moinhos, em particular se viajar sob um tórrido sol estival, entregue-se totalmente à inesperada paisagem do perímetro de rega da Barragem do Roxo, que se oferece a vista de Montes Velhos e prossegue por Gasparões até Ferreira do Alentejo. Aqui, será recebido por novíssima piscina.
Logo a seguir, junto ao chafariz vermelho, uma encruzilhada: se continuar em frente, faz uma espécie de circular à vila, que passa junto da célebre Capela do Calvário e dá acesso ao IP para Beja; subindo a Rua 5 de Outubro, encontra a igreja paroquial, com um belo portal manuelino, e entra na zona mais aristocrática da vila, onde pode apreciar várias casas solarengas; se virar tudo à direita, para a Rua do Sábio Pasteur, tem uma das surpresas mais fascinantes deste passeio: os trabalhos que ocupam os dias do
Sr. Carlos Soares desde que entrou na reforma e se descobriu artista.
Ferreira do Alentejo • Beringel • Beja
Procure a saída para Beja e, percorridos 2 km, desvie cuidadosamente para a esquerda, na direcção de Cuba e Beja. O próximo destino é a pequena e ancestral povoação de Peroguarda, onde têm sido encontrados múltiplos vestígios das civilizações luso-romana e visigótica.
A Igreja Paroquial de Santa Margarida, de fachada seiscentista, tem um interior interessante: mantém do período de Quinhentos a abóbada de nervuras que recobre a Capela de Nossa Senhora do Rosário e, sob a mesa do altar da Capela do Santo Cristo, esconde um túmulo do Senhor Morto, fechado por portas de madeira pintadas com as figuras da Virgem Dolorosa e de S. João Evangelista, da época filipina. Para visitar, procure a D. Inês (Rua do Lobo, 6), que faz tapetes de Arraiolos, veste bonecas com trajes regionais e é um
activo membro do Grupo Coral de Peroguarda.
O caminho alcatroado que conduz a Beringel, além de valer pelo passeio, proporciona uma visão da aprumada estrutura urbanística desta povoação, que nunca se tem quando se lhe passa ao lado pela estrada principal.
Logo à entrada, ergue-se a fachada tardo-renascentista da igreja matriz, com a sua torre sineira coroada de agulha e pináculos decorativos; junto ao cemitério, no topo à esquerda, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição (séculos XVII-XVIII) e, um pouco mais abaixo, a Capela de Santa Maria Madalena, ou Calvário das Pedras Negras (século XVII), antes em terreno liberto e hoje envolta em casario.
Semelhante ao que se observou em Ferreira do Alentejo, embora de menores dimensões, o pequeno templo caiado apresenta-se igualmente cravado de pedras graníticas, irregulares e de diferentes tamanhos, que simbolizam o caminho espinhoso do Gólgota.
Circulando sem destino pelas ruas da povoação, há-de encontrar-se o Largo Dr. Miguel Bombarda, que, tal como o da Misericórdia e a Rua da Cadeia, ou do Talho, oferece vários imóveis representativos da arquitectura civil dos séculos XVIII-XIX. Foi esta a época mais florescente de Beringel, que ganhou justa fama pela qualidade das suas olarias, onde se produziam objectos utilitários e obras de arte popular. Destas muitas gerações de oleiros restam hoje dois artesãos: José Francisco Bolinhas, na Rua da Escola, e António Mestre, especializado no fabrico de talhas de vinho, na Rua do Norte.
Mantenha-se fora do IP. Regresse ao ponto por onde entrou e tome a
estrada para Trigaches junto ao cemitério. Fazendo mais estes quilómetros de campo, atravessará a zona de pedreiras de onde se extraiu o calcário para a construção da torre do relógio de Messejana e de tantos outros monumentos da região e terá oportunidade de descobrir um forno de cal ainda em funcionamento.
Depois de S. Brissos, com uma igreja paroquial que ainda conserva da fundação a abside manuelina, o Aeródromo de Beja surge à esquerda e, no horizonte, o inconfundível casario da cidade, que se faz anunciar de longe pela torre de menagem mais alta do Alentejo.
|
| ||||||
Faça um Comentário
| Nome* | |
| Comentário* | |

Mais Populares
Mais Populares
Favoritos da Semana
![]() Receitas e Alimentos | ![]() Dicas e Truques | ![]() Alimentação Saudável | ![]() Destinos e Viagens | ![]() Notas de Lazer | ![]() Consultas de Especialistas |
Precisa-se: Uma Boa História!
Precisa-se: Uma Boa História!
Escreva-nos e poderá ganhar:
50€ por cada história verídica e inédita que for publicada em Flagrantes da Vida Real.
20€ por cada texto publicado em Rir é o Melhor Remédio.

Partilhe






















