O risco de cancro da mama aumenta com a idade, sobretudo depois da menopausa. O risco é também mais elevado entre mulheres que tenham tido o primeiro filho depois dos 30 anos; que tenham tido a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos) ou uma menopausa tardia (após os 50 anos), ou que tenham uma parente próxima, como uma irmã ou a mãe, a quem tenha sido diagnosticado cancro da mama antes da menopausa. A detecção precoce é o factor mais importante para sobreviver ao cancro da mama. A Sociedade Oncológica Americana recomenda que se faça uma mamografia com um intervalo de um ou dois anos entre os 40 e os 50 anos.

Alguns estudos associaram uma dieta com elevado teor de gordura a um aumento do risco de cancro da mama, mas outros não foram concludentes. Os especialistas em cancro realçam o facto de cerca de 70% dos casos de cancro da mama surgirem em mulheres sem nenhum dos factores de risco acima mencionados. Em certos casos, raros, que representam menos de 5% do total das ocorrências, os homens também desenvolvem cancro da mama.

Diagnóstico e exames complementares
A detecção precoce é o factor mais importante para sobreviver ao cancro da mama, pois os tumores malignos localizados detectados em fase inicial são curáveis em mais de 90% dos casos. É recomendável que todas as mulheres de idade igual ou superior a 20 anos façam a autopalpação mensal dos seios. Embora mais de 80% dos nódulos descobertos pelas mulheres durante o auto-exame sejam benignos, as mulheres são as primeiras a descobrir mais de 85% do total de cancros da mama.

O exame dos seios feito por um médico é recomendado a intervalos de três anos entre os 20 e os 40 anos de idade, e anualmente a partir dos 40. Em contrapartida, continua a ser objecto de controvérsia a idade em que as mulheres devem começar a submeter-se a um rastreio regular por mamografia. Não há dúvida de que a mamografia é o meio mais eficaz de detecção precoce de cancro da mama em mulheres de idade superior a 40 anos, pois pode localizar regiões suspeitas muito antes de um tumor ter tamanho suficiente para ser sentido pela mulher ou pelo seu médico (1 cm).

O facto de as mulheres mais jovens deverem submeter-se ou não a rastreio através de mamografias continua a ser objecto de debate por parte dos especialistas. Deste modo, a Sociedade Oncológica Americana recomenda que se faça uma mamografia com um intervalo de um ou dois anos entre os 40 e os 50 anos; por sua vez, o Instituto Oncológico norte-americano recusou-se a tomar posição, sugerindo que deve ser cada mulher e o seu médico a decidirem sobre a necessidade de efectuar mamografias antes dos 50 anos. Antes dos 40 anos, o exame preferencial é a ecografia mamária.

A mamografia deve ser marcada na semana a seguir à menstruação, quando é improvável que os seios estejam inchados e doridos. Para não ter que repetir uma mamografia, não se deve aplicar desodorizante, pó, creme ou outra substância nos seios ou nas axilas nesse dia, pois isso poderia provocar resultados enganadores.

Se forem detectadas regiões suspeitas na mamografia ou no exame físico, o médico pode mandar fazer outros exames, como ecografia, por exemplo. É necessário fazer uma biopsia para eliminar a hipótese de cancro. Na maior parte dos casos, o médico tentará obter uma amostra de tecido por meio de aspiração, procedimento segundo o qual uma agulha oca é inserida no nódulo. Se se conseguir extrair líquido, será analisado com vista à detecção de células malignas, mas esses nódulos, sobretudo aqueles que desaparecem após a aspira-ção, são normalmente quistos inofensivos.

Se um nódulo ressurgir rapidamente, não se conseguir extrair líquido ou forem detectadas células malignas no líquido, é necessário fazer outra biopsia. Com um novo exame, denominado aspiração por meio de agulha estereotáxica, é utilizada uma técnica especial de investigação por meio de raios X durante a aspiração para localizar áreas suspeitas demasiado pequenas para serem detectadas.

 

 

Em certos casos, é necessário fazer uma biopsia cirúrgica. Esta pode ser excisional, quando toda a massa é removida, ou incisional, quando só parte do nódulo é extraído. Em seguida, um patologista determinará se o tecido é canceroso e, caso o seja, de que tipo de cancro se trata. As células de um nódulo canceroso serão também analisadas para determinar se são estimuladas por estrogénio ou progesterona, descoberta que poderá influenciar a escolha de medicamentos antineoplásicos. Se for diagnosticado cancro da mama, são necessários exames adicionais para descobrir se há metástases para outras partes do corpo. Estes exames podem incluir uma TAC aos ossos, radiografias e amostragem de gânglios linfáticos.

Tratamentos médicos

Cirurgia
O tratamento varia consoante o tipo e a fase em que se encontra o cancro, mas a cirurgia continua a ser a escolha de eleição para a maior parte dos tumores. Na maior parte dos casos, as operações actuais provocam menos desfiguração que a mastectomia radical, que foi o recurso-padrão até aos anos 70. São as seguintes as operações em casos de cancro da mama:

A mastectomia radical extensiva traduz-se na remoção da mama, gânglios linfáticos da axila e músculos peitorais subjacentes. Este procedimento, hoje em dia raramente efectuado, está reservado a mulheres com tumores grandes ligados ao músculo peitoral ou que o tenham invadido e respectivos tecidos conjuntivos. Se os gânglios linfáticos mamários das regiões profundas do peito estiverem envolvidos, serão também removidos.

A mastectomia radical modificada consiste na remoção da mama, gânglios linfáticos da axila e, por vezes, parte do músculo peitoral. A quantidade de tecido removido da axila depende do grau de disseminação do tumor. Esta continua a ser a operação mais comum em mulheres com cancro da mama invasivo.

A mastectomia total, ou simples, consiste na remoção de toda a mama, incluindo as suas extensões até à axila e, por vezes, até perto da clavícula. Como os gânglios linfáticos são deixados intactos, a operação costuma ser seguida de radioterapia.

A mastectomia subcutânea implica a remoção de tecido da mama, deixando a pele e o mamilo intactos. Depois, é introduzida uma prótese sob a pele. Este só raramente é feito, pois pode deixar células cancerosas e o resultados cosméticos são muita vezes fracos.

 

 

A mastectomia parcial, ou tumo rectomia, traduz-se na remoção do nódulo canceroso e de uma margem circundante de tecido saudável. Alguns dos gânglio linfáticos da axila são também removidos e analisados, e a intervenção é seguida de radioterapia.

A mastectomia preventiva, ou profiláctica, consiste na remoção de uma mama para evitar desenvolvimento de cancro. Esta operação só se pratica se um mulher correr um risco muito elevado de cancro da mama e estiver tão preocupada com a perspectivas futuras que não consiga levar uma vida normal.

A reconstrução da mama por um cirurgião plástico pode ser realizada imediatamente após mastectomia, mas é feita na maior parte dos casos depois da incisão ter sarado. Se o outro seio for maior, pode ser reduzido para condizer com o reconstruído quer aquando da reconstrução quer numa intervenção posterior.

No passado, a escolha de eleição para a reconstrução recaía num implante cheio de gel de silicone. Como se levantaram questões quanto à segurança a longo prazo do silicone, muitas mulheres têm vindo a optar por implantes cheios com uma solução salina ou por uma abordagem mais aprofundada em que se utiliza tecido adiposo das próprias nádegas — ou de outra parte do corpo — da mulher para reconstruir o seio.

Radioterapia
Este tratamento visa destruir quaisquer células cancerosas que possam ter escapado à remoção cirúrgica. As radiações são administradas por rotina após uma simples mastectomia e tumorectomia ou se tiverem sido afectados numerosos gânglios linfáticos. Também é prescrita para tratar cancro recorrente ou inoperável e aliviar a dor provocada por cancro em fase avançada. Em geral, os tratamentos com radiações começam duas ou três semanas após a cirurgia.

Os efeitos secundários imediatos incluem bolhas na pele e fadiga. Mais tarde, a pele exposta às radiações pode tornar-se mais escura e mais espessa e perder a sensibilidade se quaisquer terminações nervosas tiverem sido atingidas. As complicações de longo prazo podem incluir deterioração da função pulmonar devido a tecido cicatricial, risco aumentado de doença cardíaca e facilidade de fractura das costelas.

Quimioterapia
Alguns estudos indicam que a quimioterapia coadjuvante aumenta grandemente a sobrevivência a longo prazo, mesmo em mulheres com cancro localizado em fase I. Embora possa ser começada antes da cirurgia, a quimioterapia é geralmente iniciada algumas semanas depois daquela. Este tratamento é também prescrito para cancros recorrentes ou inoperáveis.

A quimioterapia parece ser mais eficaz na prevenção de recorrência em mulheres mais jovens que ainda não tenham atingido a menopausa. Os efeitos secundários — perda de cabelo, náuseas, imunidade reduzida às infecções, úlceras da boca, fadiga e problemas hemorrágicos — são temporários, mas mesmo assim difíceis de suportar. Por esta razão, a quimioterapia poderá não ser recomendada para uma mulher mais idosa, sobretudo se o seu cancro for localizado.

Terapia hormonal
Os especialistas crêem hoje que quase todas as pacientes com cancro da mama podem beneficiar com a terapia hormonal mesmo que os seus tumores não sejam do tipo estimulado pelo estrogénio ou progesterona. O tamoxifeno, que bloqueia o estrogénio, é o tratamento de eleição. Tem menos efeitos secundários que os medicamentos anti-cancerígenos, embora possa provocar afrontamentos e outros sintomas de menopausa em mulheres mais jovens.

Outras abordagens mais radicais incluem a ablação dos ovários, procedimento em que estes são removidos cirurgicamente ou destruídos por meio de substâncias químicas ou radiações, e talvez a remoção de outras glândulas produtoras de hormonas.

 

Tratamentos experimentais
As mulheres com cancro da mama avançado podem ser candidatas a terapias experimentais, como a hipertermia, em que são induzidas febres muito altas para matar células cancerosas; a terapia fotodinâmica, que utiliza uma substância anticancerígena sensível à luz, e transplante de medula óssea, mediante o qual a medula da mulher é destruída por meio de substâncias químicas e depois substituída por medula saudável para reforçar a capacidade do organismo para combater o cancro.

Medicinas alternativas
O cancro requer um escrupuloso tratamento médico e cirúrgico. Não obstante, certas terapias alternativas podem ter um papel coadjuvante no seu tratamento.

Fitoterapia
Os fitoterapeutas recomendam há muito pervinca-de-madagáscar para tratar o cancro da mama e outros tumores malignos. De facto, um alcalóide desta planta é usado para fazer a vincristina, um potente agente quimioterápico. No entanto, os oncologistas recomendam que este remédio só deve ser usado sob cuidadosa vigilância médica e que não se deve recorrer a extractos de pervinca-de-madagáscar obtidos da própria planta, que podem ser altamente tóxicos.

Meditação, auto-hipnose e visualização
Alguns estudos indicam que as mulheres com cancro da mama em fase avançada que participem em sessões de apoio de grupo que incluam estas técnicas registam taxas de sobrevivência significativamente mais elevadas do que aquelas que não participam. Os cientistas não foram ainda capazes de explicar, mas uns defendem a teoria de que estes métodos mobilizam o sistema imunitário para combater a disseminação do cancro.

Terapia pela nutrição
Alguns nutricionistas recomendam suplementos diários de betacaroteno (precursor da vitamina A) e de vitaminas C e E tanto para ajudar a evitar o cancro como para inibir o seu crescimento. Contudo, alguns estudos sugerem que alimentos com elevado teor destes antioxidantes são mais eficazes. Boas fontes de betacaroteno são os legumes cor de laranja e verde-escuros e os frutos amarelos e cor de laranja; de vitamina C, muitos frutos e legumes, sobretudo citrinos e pimentos; de vitamina E, o germe de trigo, as leguminosas, o marisco e as aves de capoeira.

Embora o papel de outros componentes dietéticos continue a ser objecto de controvérsia, alguns estudos sugerem que uma dieta com baixo teor de gorduras pode reduzir o risco de cancro da mama e a sua recorrência. Esse regime requer a limitação da ingestão de gorduras, sobretudo de origem animal, bem como de proteínas animais, e um aumento da ingestão de alimentos ricos em fibras.

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