Cacela-a-Velha
Perto do limite leste da ria Formosa, no topo de uma colina sobranceira aos sapais, ergue-se a Fortaleza de Cacela-a-Velha, reconstruída após o terramoto de 1755.

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Ao seu redor, existe um dos conjuntos arquitectónicos mais bem preservados da região. Sobre esta aldeia, escreveu Sophia de Melo Breyner:
As praças-fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Porém Cacela Foi desejada só pela beleza.
E beleza é o que não falta aqui. Estando a fortaleza ocupada pela GNR, impossibilitados, por isso, de gozar a vista do alto das muralhas, podemos, apesar de tudo, debruçar-nos do muro adjacente e contemplar os últimos quilómetros da ria Formosa. Aldeia e forte foram construídos no ponto em que a arriba de arenito mais se ergue acima da ria.
Umas centenas de metros para nascente, no chamado Sítio da Fábrica, já o desnível é menor e o acesso ao areal e à água mais fácil. O espelho de água que rebrilha desde a aldeia de Cabanas torna-se aqui cada vez mais estreito, separado do mar por um cordão de dunas, e irá morrer umas centenas de metros para poente, pouco antes da praia da Manta Rota.
Na maré baixa, quase se consegue atravessar a pé e tornam-se visíveis os madeiramentos dos viveiros onde os pescadores continuam a criar bivalves. Verdeja também a vegetação de sapal, adaptada ao cobrir e descobrir pelas águas salobras ao longo de muitos milénios de evolução.
No lugar desta modesta aldeia, quase totalmente abandonada após o terramoto, existiu um importante castelo, disputado por cristãos e mouras entre 1240 e 1242. Antes, por aqui comerciaram fenícios e se estabeleceram romanos. E neste local nasceu o poeta árabe Ibn Darraj, aquele que escreveu que «ficar é morreo), pois «a morada do cobarde é o seu túmulo».
Muito mais tarde, em 1808, os pescadores de Cacela vibraram com o levantamento dos seus companheiros de Olhão contra os franceses de Junot, e em 1833 acolheram em triunfo os liberais, aqui desembarcados após o cerco do Porto. Depois, a atracção da Estrada Real (que seguia sensivelmente o traçado da actual EN 125) e do caminho de ferro originou o êxodo para a vizinha Vila Nova de Cacela.
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