Porto Santo, por falta de uma cordilheira montanhosa, não consegue barrar o caminho aos ventos alísios, e por isso recebe muito menos chuva que a ilha que deu o nome ao arquipélago – Madeira.

Porto Santo nasceu de erupções vulcânicas submarinas no período miocénico, na longínqua era terciária. É mais velho que a ilha da Madeira, e nas águas quentes do Atlântico houve tempo suficiente para a formação de uma barreira coralígena à sua volta. Com a descida do nível do oceano, durante as glaciações do Quaternário, os ventos encarregaram-se de desgastar os corais, transportando para a ilha as areias com que construíram a duna da Fonte da Areia, a norte, e a excelente praia que ocupa quase toda a orla sul.

A praia é a grande atracção desta ilha, com apenas 41 km2 e com menos de 5 000 habitantes. São 9 km de areias finas e macias banhadas por águas límpidas e tépidas.

No Verão, a população flutuante ultrapassa largamente o número de residentes, e a fama já ultrapassou os limites do arquipélago. Nos últimos anos, tem vindo a crescer o número de turistas do Portugal continental e do estrangeiro. No entanto, até aqui o turismo de Porto Santo tem tido um carácter sazonal.

Depois da invasão estival a ilha retorna à sua vida sossegada, e é um privilégio passar ali uns dias fora da época alta. Mesmo no Inverno, pode nadar-se, porque a temperatura da água do mar raramente desce abaixo dos 17° C, e muitos são os dias de sol radioso.

Para além da praia, Porto Santo oferece a possibilidade de interessantes passeios a pé, especialmente quando a temperatura está mais fresca. A subida ao cimo do pico Castelo (437 m de altitude) proporciona excelentes vistas sobre grande parte da ilha e permite compreender quão difícil tem sido a tarefa de plantar árvores nesta terra árida situada a menos de 600 km da costa noroeste africana.

Agradável e o passeio na vereda que contorna o pico do Facho (517 m) e o pico Gandaia (449 m). Este percurso é particularmente bonito na Primavera. É um encanto a profusão de flores que brotam das pequenas plantas despertadas pela chuva de Inverno.

Encantadora é igualmente a paisagem que se desfruta da Terra Chã, no pico Branco (450 m). Para lá chegar é simples. A vereda começa na serra de Dentro, mesmo junto à estrada. Nos troços mais perigosos está protegida por varandins feitos com urzes levadas das serras da Madeira, porque no Porto Santo a madeira escasseia.

Na parte ocidental, o pico Ana Ferreira expõe um conjunto de colunas prismáticas de grande beleza. Este monumento geológico é um local de visita obrigatória para quem pretende conhecer um pouco sobre a formação da ilha.

Do cabeço do Zimbralinho, sobranceiro à ponta da Calheta, captam-se belas imagens do ilhéu da Cal, das pequenas enseadas da extremidade oeste e das manchas verdes de pinheiros-de-alepo, que teimam em contrariar a aridez.

Numa ilha que ao longo dos séculos teve a economia assente numa agricultura de sequeiro e que por inúmeras vezes foi saqueada por piratas e corsários, o património edificado é naturalmente pobre, e as obras de arte, escassas.

O monumento principal da pequena cidade de Vila Baleira é a igreja matriz, em honra de Nossa Senhora da Piedade, padroeira do Porto Santo. No Largo do Pelourinho, localiza-se igualmente o edifício dos Paços do Concelho.

O Museu Colombo tem como objectivo relevar a presença do navegador genovês na ilha, onde teria planeado a rota que o levou à América e o seu casamento com Felipa Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, primeiro donatário da ilha do Porto Santo.

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