Isabel Jonet e o Banco Alimentar Contra a Fome

Isabel Jonet acredita num mundo melhor. «What a Wonderful World», de Louis Armstrong, que ela aponta como a canção da sua vida, celebra essa convicção. Sobretudo, Isabel Jonet acredita que ela é elemento de mudança. Que todos somos elos dessa cadeia. Uma cadeia que diariamente toca a vida de 232 000 pessoas em Portugal – as que são abrangidas pela acção do Banco Alimentar Contra a Fome.
Há 15 anos, ela regressou da Bélgica, onde vivia com o marido e os filhos – hoje tem cinco. Fez do voluntariado um propósito e imprimiu ao Banco Alimentar a dinâmica de uma grande empresa. Mas insiste que se trata de uma obra colectiva – e por isso pede que as fotografias transmitam essa ideia. Tem uma vida muito cheia. A entrevista começou com um sério atraso, pelo qual se desculpou incontáveis vezes. Mas antes de mim, havia uma pessoa que precisava bem mais dela do que eu… E essas estão sempre à frente. Bem-haja!
Selecções do Reader’s Digest - Como é que a sua vida veio dar ao Banco Alimentar Contra a Fome (BACF)?
Isabel Jonet - Vim oferecer-me para colaborar. Procurei um projecto de voluntariado com o qual me identificasse. Que fizesse sentido para a minha vida. O BACF tem uma coisa extraordinária: o inconformismo com a sociedade de consumo e individualista em que vivemos. Vivemos num mundo em que é mais importante ter coisas do que ser pessoa. Este projecto permitia-me intervir directamente numa coisa que para mim é até um dever: ajudar as pessoas a terem garantido um direito básico – o direito à alimentação.
SRD – Numa das imagens da campanha de sensibilização, usa-se a frase: «Se não podes fazer o milagre da multiplicação, faz o da divisão.» A imagem é a de um pão a ser partido, e a envolvê-lo há uma luz dourada que lhe confere uma carga religiosa. Dir-se-ia sagrada. O pão tem para si esta aura?
IJ – Tem porque ele é fonte de vida. E tem esta parte espiritual, quase sagrada. Por isso me indigno quando fazem, como agora, especulação financeira com bens de consumo, em que se atribui ao trigo o valor do ouro.
SRD – A população em geral identifica-se com a causa da luta contra a fome. Expressão disso é a adesão nas campanhas de supermercado.
IJ – A última campanha envolveu os 13 bancos em actividade e permitiu recolher 1 702 toneladas; envolve 3 milhões de sacos de plástico. Portanto, há 3 milhões de pessoas que dão para o BA. Todas elas se identificam profundamente com a causa da luta contra a fome. Quando vim cá oferecer-me, vim apenas por seis meses. Estava decidida, depois disso, a voltar a trabalhar por conta de outrem.
SRD – O que é que a fez ficar?
IJ – Identifiquei-me de tal forma com este projecto que nunca mais consegui sair. Foi há 15 anos. O que tinha para dar, no início, eram duas tardes por semana. Ao fim de um mês, estava a dar 8 horas por dia. Acho que de alguma forma contribuí para o êxito deste projecto. E sobretudo para a possibilidade de levar esta semente de inquietação a tantas pessoas.
SRD – Onde é que radica a sua inquietação? Nos princípios que lhe foram passados na infância? A sua mãe levou-a a fazer voluntariado com 12 anos…
IJ – Cada pessoa é o que é e a sua circunstância – o Ortega y Gasset dizia isso. Tenho a certeza de que a educação que recebi em casa muito contribuiu para esta desinquietação, para este não cruzar os braços quando podemos ajudar outras pessoas que têm menos do que nós. Menos do ponto de vista material e menos do ponto de vista das oportunidades. E aqui, ao dar o alimento, estamos a permitir que instituições façam com cada família um trabalho de inclusão social. Isto é um projecto humanizado, e nunca posso esquecer que a minha principal tarefa é atender as pessoas. A minha força vem de nunca ter perdido o contacto com quem estou a ajudar. Sempre que posso, visito instituições e vejo pessoas. Diariamente, recebo pessoas em desespero.
SRD – Surpreende-me assistir à sua comoção. Imaginei que iria encontrar uma economista que exige a si mesma uma distância emocional e que de outro modo não conseguiria lidar com os problemas de carência com que lida todos os dias.
IJ – Isto é uma grande empresa e tem de ser gerido como uma grande empresa. Tenho aqui dois papéis: o de gestora eficiente e quase implacável – até porque temos recursos que nos são confiados por pessoas e empresas que acreditam em nós. Mas a parte humana é que permite a este projecto ele ser aquilo que é. Trabalho cerca de 14, 15 horas por dia, voluntária. Se não tivesse essa parte humana, se calhar não aguentava.
SRD – Explique melhor isso.
IJ – Uma vez, uma pessoa disse à Madre Teresa de Calcutá, que estava a tratar de feridos pestilentos cheios de feridas: «Eu não era capaz de fazer isso nem por um milhão de dólares.» E ela respondeu: «Eu também não.» Identifico-me imenso com isto. Aquilo que se faz não tem preço. Imensa gente me diz: «Se és tão boa gestora, porque é que não estás numa grande empresa a ganhar dinheiro?» Porque eu não quero ganhar dinheiro. Para já, tenho a sorte – embora isso exija alguns sacrifícios a toda a minha família – de poder prescindir de um salário. Mas se falar com qualquer uma das pessoas que trabalham aqui, assalariada ou voluntária, nota que todas elas têm esta componente humana profundíssima. E é por isso que se conseguiu atingir esta dimensão, e humanizada.
SRD – Felizmente, não precisa de ordenado. Mas queria que me falasse do ganho emocional que retira do seu trabalho no BA.
IJ – É muito enriquecedor do ponto de vista pessoal. Hoje em dia, no BA vivemos com tudo aquilo que já ninguém quer. Com excepção das campanhas de recolha, em que há essa interpelação do público e que são essenciais para a vida dos BA, vivemos com os alimentos que a agricultura e a indústria alimentar já não querem. Que retiram do mercado por razões meramente comerciais – por causa do prazo de validade, ou porque a imagem da marca mudou, ou porque houve fusões de empresas e unificaram marcas, ou porque houve um sinistro com uma camioneta e ficou uma palete de enlatados amolgada, uma de 30, e as empresas declaram tudo como sinistro. Abrimos o banco de bens doados, que replica o conceito do BA com detergentes, artigos de higiene pessoal, roupa, mobiliário de escritório, equipamento informático, etc. Mas na génese deste conceito está o viver com aquilo que as pessoas já não querem. Com os produtos e também com as pessoas.
SRD – As pessoas? Como assim?
IJ – As pessoas que trabalham cá, muitas delas foram mandadas para a reforma cedo demais, estando embora em óptimas condições para trabalharem. O mercado de trabalho é de tal forma competitivo que se dá ao luxo de desperdiçar recursos humanos válidos. São colocadas nos quadros de excedentários quando estão na força da sua vida e quando conquistaram maturidade. Não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar as pessoas.
SRD – Desperdício é a palavra a partir da qual trabalha?
IJ – É o motor da minha vida: a luta contra o desperdício. Desperdício de tempo, de afectos, de pessoas, de bens alimentares, de produtos não-alimentares; e contra um grande desperdício que há hoje em dia, que é o desperdício de talentos. Todos nós temos talentos. Por exemplo, a minha mãe é engenheira agrónoma e faz maravilhosamente casaquinhos de bebé. Todos os dias faz um casaquinho para dar a alguém. Ela não precisa de sair de casa para ser feliz a realizar o seu talento. Se conseguirmos identificar qual o nosso talento e pô-lo a render, até em prol dos outros e da sociedade, realizamo-nos. Porque nos sentimos melhor enquanto pessoa.
SRD – As pessoas, regra geral, têm dificuldade em separar-se dos livros que já leram, da roupa que já não usam, dos objectos que deixaram de ter utilidade. Da sua querida «tralha».
IJ – Tralha que tem utilidade social para outros. O Banco de Bens Doados ( bancodebensdoados.pt ) tem uma componente ambiental fortíssima. No fundo, trata-se de recuperar objectos que já não têm utilidade e de dar-lhes uma nova vida. Às pessoas que trabalham aqui e diariamente colaboram, só em Lisboa mais de 250 voluntários, tenho a certeza de que lhes demos uma nova vida.
SRD – Os voluntários são sobretudo pessoas de meia-idade? E todos fazem tudo?
IJ – Há uma história fantástica de um senhor de 82 anos que quis ser voluntário. A pessoa que recebe os voluntários mostrou-lhe o Banco e disse-lhe que a única coisa que tínhamos era trabalho de armazém. Mas o senhor estava em boa forma física e quis fazer. Depois daquela conversa toda, pediu para fazer um telefonema; o outro pensou que ele queria chamar um táxi ou coisa parecida. Era para a mulher. Agarrou no telefone e disse: «Fui aceite.» Aquele homem de 82 anos tinha sido aceite! E esteve cá até aos 86.
SRD – Como é que isto funciona? Esta é a casa-mãe com bancos espalhados por todo o País?
IJ – Este é o primeiro BA em Portugal. Abriu em 1992. Eu juntei-me ao projecto em 1994. Depois, abriu um segundo, no Porto. Eu já apoiei a criação dos que foram abrindo, sucessivamente, noutras zonas do País. Há 13, congregados na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, que representa os bancos a nível nacional e internacional e coordena a actividade. Todos os bancos são autónomos juridicamente e independentes financeiramente. Cada um tem uma direcção própria. A nível europeu, há 230 BA congregados na Federação Europeia – eu faço parte do conselho de administração dela.
SRD – O seu nome é indissociável do Banco Alimentar de Lisboa. Fez dele um caso de sucesso.
IJ – O BACF em Lisboa é o banco mais eficiente de toda a Europa, é aquele que recolhe mais toneladas. Só o Banco de Lisboa recolhe mais toneladas do que a Federação Belga junta – são 11 BA. Acho que é por causa da identificação profunda com este projecto. Em Portugal, todas as pessoas conhecem o BA e confiam muito nele.
SRD – A ideia da confiança é fundamental. Não se trata de dar dinheiro cuja utilização se desconhece. Como é que se conquista isso?
IJ – É com trabalho. E é isto: você pede para vir cá, vem no dia seguinte, fica uma hora à espera – peço desculpa outra vez! –, mas viu tudo o que se passa.
SRD – Transparência é fundamental – é o que está a dizer. As generalizações são difíceis, mas podemos dizer que os Portugueses são solidários mas desconfiados?
IJ – Essa confiança é fundamental: ganha-se com anos de trabalho. E com isenção e transparência. Temos as contas auditadas por uma empresa, damos contas a todas as pessoas que confiam em nós e nos dão produtos ou apoios financeiros – os BA também precisam de dinheiro, porque têm alguns salários, têm [contas de] água, luz. Todos os membros dos corpos sociais são voluntários, nenhum membro da direcção tem salário. Além disso, não temos nenhuma ligação a nenhum partido político nem à Igreja.
SRD – Explique-me a isenção em relação à Igreja. Em relação aos partidos, é mais fácil de perceber. Mas todo o seu discurso tem uma base cristã.
IJ – Humanista, mais do que cristã. Eu sou católica, mas o BACF não é, não tem que ser. É aconfessional, e tenho a trabalhar comigo pessoas de todos os credos e sem credo; estão fraternamente mobilizadas por um mesmo projecto. Esse projecto chama-se «restaurar o homem». Restaurar nesta dupla acepção: dar-lhe de comer e restaurar o homem enquanto valor-base de toda uma civilização.
SRD – Porque recusa ligar-se a qualquer igreja?
IJ – Não há necessidade. E, pelo contrário, seria limitativo.
SRD – Um muçulmano sentir-se-ia excluído se o BA fosse católico?
IJ – Podia sentir-se. Mas há um facto incontestável: em Portugal, a principal rede de combate à pobreza foi criada pela Igreja Católica.
SRD – E muitas dessas instituições estão ligadas à Igreja Católica.
IJ – Os BA não dão apoio directamente a pessoas. Seleccionam instituições para, no terreno, darem apoio às famílias. Não podíamos ter a presunção de apoiar 232000 pessoas através dos 13 bancos, como apoiamos, se o fizéssemos directamente.
SRD – Qual é o processo?
IJ – Seleccionamos instituições. Neste momento, são apoiadas 1 554 instituições nos vários pontos do País. Ao tornar esta rede mais capilar, aumenta a sua eficácia. Estamos mais perto das pessoas, conhecemos melhor a sua situação. E podemos com maior afecto ajudar cada caso.
SRD – Como fazem a selecção das instituições às quais passam os alimentos?
IJ – As instituições inscrevem-se e são objecto de uma visita de avaliação. No caso de merecerem o apoio – e isso significa que naquela zona não há outras, porque evitamos instituições muito próximas por causa das duplicações –, e dependendo do trabalho que fazem e da forma como desempenham a sua missão, concedemos apoio ou não. Os produtos são concedidos de acordo com o serviço que é prestado. Por exemplo, uma instituição que apoie idosos não leva papas para bebé. Uma instituição que só dê lanches e pequenos-almoços não leva arroz nem azeite. Esse trabalho que a instituição faz com a população é actualizado mensalmente. Depois da visita, há uma reunião na qual é celebrado um protocolo de parcerias: as instituições comprometem-se a uma data de coisas, e o BA, a outras.
SRD – A entrega de alimentos faz-se com que periodicidade?
IJ – Recebem um cabaz mensal de produtos secos e uma vez por semana produtos frescos. Só em Lisboa estamos a apoiar cerca de 60 instituições por dia e a distribuir 40 toneladas por dia. No conjunto dos 13 BA, estamos a distribuir 80 toneladas por dia. Para além disso, as instituições são alvo de visita todos os semestres. São visitas de supervisão, e não de fiscalização. Temos que ter a certeza de que as instituições estão a funcionar de acordo com os nossos parâmetros.
SRD – Quem a faz?
IJ – Voluntários que receberam formação nessa matéria.
SRD – Os números são esmagadores: 232 000 pessoas que, sem o vosso apoio, passariam fome. Quando falamos de pobreza e de fome em Portugal, ocorrem-nos os miseráveis anos 50, com milhares e milhares de pessoas a passarem mal. Mas queremos crer que nos anos de democracia a pobreza é um foco localizado.
IJ – Infelizmente, não estamos a conseguir chegar a todas as pessoas que precisam. Existe ainda um fenómeno tremendo, que é o da pobreza envergonhada. A essas pessoas não conseguimos chegar, a menos que venham ter connosco. São pessoas que estão a passar uma fase má da sua vida ou porque têm uma situação pontual de desemprego ou de créditos que não estão a conseguir cumprir. Se as instituições conhecem os casos, vão a casa das pessoas, não as expondo. O facto de ter de ir para um refeitório social ou para a bicha da Segurança Social obriga a uma exposição que muitas pessoas não estão preparadas para ter. Há também os idosos, os deficientes, as famílias que nascem pobres e morrem pobres.
SRD – Os mais pobres continuam a ser os mais velhos?
IJ – Pelas estatísticas, sim. Um milhão de idosos em Portugal vive com menos de 300 euros por mês – segundo o INE. Estes 300 euros têm de dar para alimentação e medicamentos. Há muitos idosos que a única refeição diária que têm é aquela que chega pelo apoio domiciliário.
SRD – Como trabalham as instituições?
IJ – Ou dando cabazes – e isso é um saco de plástico com alimentos –, e as famílias cozinham em casa; ou dando refeição confeccionada. Noutros casos, a refeição pode ser dada na própria instituição, nos refeitórios sociais, nos lares, nas creches, nos ATL. Pode-se ainda ir a casa das pessoas. Esse serviço, a maior parte das vezes, são os centros paroquiais que têm. É muito útil, porque garante aos idosos que todos os dias passa na sua casa alguém que, além da comida, leva companhia e limpeza. Os idosos têm fome de pão e de afecto.
SRD – Como é que os produtos frescos chegam aqui e são distribuídos?
IJ – Os produtos frescos têm várias origens: vêm dos operadores do MARL [Mercado Abastecedor da Região de Lisboa] que nos dão o seu excedente – aquilo que não conseguiram vender. É igual ao que está à venda em todas as lojas de Lisboa. E são produtos canalizados por empresas da indústria agro-alimentar. Pizas, massas, iogurtes, gelados. São produtos perecíveis que entram hoje e saem amanhã. Têm uma rotação muito grande. Temos um esquema montado com 60 instituições: todos os dias vêm, mas não sabem o que vão levar.
SRD – São incontáveis as histórias de pobres que recebem dinheiro do rendimento mínimo ou do subsídio de desemprego e que até ao dia 12 ou 15 de cada mês vão tomar o pequeno-almoço fora. E não conseguem integrar nas suas vidas o hábito de tomar o pequeno-almoço em casa, que é mais barato e saudável.
IJ – Mas isso é para si, que não precisa de ter uma identificação com um estatuto. As pessoas precisam de identificação a grupos – e aí a força das marcas: miúdos pobres querem ter camisolas Ralph Lauren. Tomar o café fora é sinal que se tem uma possibilidade económica.
SRD – Mesmo que seja fictícia.
IJ – Sim. Um dos problemas dos novos pobres é a auto-estima: porque deixaram de pertencer a um determinado grupo de consumo. Mais uma vez, o ter impera sobre o ser. Não tomar o pequeno-almoço fora representa um corte com o grupo a que se pertencia. As famílias desestruturadas nascem pobres e morrem pobres se não tiverem uma mão amiga pelo caminho. Uma mão que diga: tu devias fazer uma sopa com legumes para dar aos teus filhos, em vez do Bollycao e das batatas fritas. Mas tem de se lhes explicar porquê. Também dá mais trabalho fazer a sopa... E precisa de ter dinheiro para o gás e para a panela. É preciso interromper este ciclo e ensiná-las. E é aqui que está o trabalho ímpar das instituições: no terreno, com calor humano.
SRD – Ajudar as pessoas uma a uma.
IJ – Só assim se luta contra a pobreza.
Banco Alimentar Contra a Fome:
Bancos em Portugal: Porto, Aveiro, Cova da Beira, Coimbra, Abrantes, Leiria-Fátima, Oeste, Portalegre, Lisboa, Setúbal, Évora, Algarve, S. Miguel.
Lema: Aproveitar onde sobra para distribuir onde falta.
Pessoas diariamente assistidas em 2007: 232 754
Instituições apoiadas actualmente: 1 542
Toneladas recolhidas e distribuídas em 2007: 19 919
Número de voluntários diários dos 13 bancos: 280
Site: www.bancoalimentar.pt
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