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Muito embora alguma tradição associe Sagres ao infante D. Henrique, a verdadeira escola de navegação funcionou em Lagos, porto com características ideais, e não neste rochedo desolado e com poucos locais acostáveis. Este promontório rochoso, visível de muito longe e elevando-se 50 m acima das ondas, sempre empolgou as imaginações. Jaime Cortesão dizia não haver em toda a costa portuguesa «aspecto de conjunto com tão erma e trágica beleza, nem seria fácil encontrar refúgio e cenário mais propício para um pensamento obstinado de Herói ou de Profeta».

Um pouco de história...

Os Romanos chamaram-lhe promontório sagrado, e antes deles terá aqui existido um santuário dedicado a Hércules. Os Árabes terão erguido nestas pedras uma mesquita, e para os cristãos medievais foi aqui que deu à costa o corpo de São Vicente, diácono de Valência, martirizado no ano 304. O geógrafo árabe Idrisi conta que sobre a igreja pairavam 10 corvos e que através dos seus gritos era possível saber com antecedência o número de romeiros que se aproximava. Daqui, as relíquias do santo terão sido levadas para Lisboa no tempo de D. Afonso Henriques, escoltadas pelos simbólicos corvos.

O acesso ao promontório é defendido por uma muralha abaluartada construída no século XVIII. Esta substituiu a que fora destruí da pelo terramoto de 1755 e que, por sua vez, sucedera à arrasada pelo corsário inglês Francis Drake em 1587, durante um dos seus vários ataques à costa portuguesa, então sob domínio espanhol.

Características:

No interior do recinto amuralhado, o visitante vai encontrar diversos edifícios (alguns antigos, como é o caso da capela, outros mais recentes, como o Centro Cultural, alvo de muita polémica) e uma enigmática rosa-dos-ventos de pedra de 43 m de diâmetro, posta a descoberto no século XVIII por ocasião da reedificação da muralha. Mas o grande monumento é, sem dúvida, natural: o espectáculo das ondas batendo contra a arriba rochosa e o ruído do ar a passar nas fumas junto ao pequeno farol no extremo do promontório.

De resto, a visão mais surpreendente de Sagres é de barco, ao nível das ondas. Aí, como diz Jaime Cortesão, o rochedo aparece como «um colosso vivo e temeroso» com o seu quê de «criatura adamastórica».

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