A Rocha do Navio e o Parque das Queimadas
Na Achada do Gramacho, à beira de uma falésia de onde se desfruta de largas vistas sobre a costa norte, desde a ponta de São Jorge até à ponta de São Lourenço, localiza-se a Quinta do Furão. Entre campos de vinhas, que produzem o célebre vinho da Madeira, está instalado um pequeno e requintado hotel e um restaurante de qualidade. É um local ideal para descansar e provar iguarias da culinária madeirense.
Da Quinta do Furão, avista-se, um pouco para leste, o ilhéu da Rocha do Navio, também conhecido por ilhéu da Viúva. O ilhéu apenas fica isolado da costa com a maré cheia, e das fendas do basalto brotam plantas xerofíticas e resistentes ao sal, algumas delas exclusivas da Madeira.
Entre as plantas que povoam o ilhéu e a arriba, merece uma especial referência o zimbreiro (Juniperus phoenicia), uma pequena árvore, hoje rara na Madeira, mas que parece ter sido abundante nos primeiros tempos da fixação humana.
O ilhéu da Rocha do Navio está hoje integrado numa reserva natural com uma área de 1710 ha, abrangendo a área marítima até aos 100 m de profundidade. O acesso ao litoral faz-se através da velha vereda escavada na rocha ou num moderno teleférico. A pé, são 30 minutos para baixo e uma hora para cima. Na cabina, quatro minutos de beleza inigualável!
Na fajã, para além das vinhas, dos lagares e das pequenas casas de apoio aos agricultores, há um centro de educação ambiental onde o visitante pode tomar conhecimento das espécies que povoam os ecossistemas marinho e terrestre da Reserva Natural.
Em São Jorge, a igreja barroca, com rica talha dourada nos altares, justifica uma visita. Foi mandada construir em 1660 no planalto que se estende para o interior da arriba após uma cheia ter destruído o templo primitivo, que se localizava perto da foz da ribeira Grande. Junto ao calhau, ainda se mantem de pé parte da muralha que protegia o núcleo de casas que esteve na origem da freguesia de São Jorge.
Na mesma freguesia. mas no Sítio da Achadinha, podem ser apreciadas duas relíquias do património cultural madeirense. Usando a água que a levada do Rei transporta desde o ribeiro Bonito, uma azenha e uma serra de água continuam a laborar. Enquanto as pedras do moinho trituram pachorrentamente o milho e o trigo, um pouco mais acima a velha serração transforma os grossos troncos em finas tábuas. Das muitas serras de água que existiram espalhadas pela ilha, esta foi a única que resistiu a erosão do tempo.
Uma outra visita a não perder no concelho de Santana e ao Parque das Queimadas. Situado a 900 m de altitude, reúne, com enorme harmonia e elevada qualidade estética. grande variedade de espécies indígenas, lado a lado com árvores oriundas das regiões temperadas da Europa, Ásia e América. A 6 km das Queimadas, localiza-se o Caldeirão Verde, um dos lugares de sonho que a Madeira só mostra a quem anda a pé e não tem vertigens.
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