A importância das vacinas | Selecções do Reader's Digest

A importância das vacinas

Doenças como o sarampo ou a poliomielite já mataram milhões de pessoas. Hoje, devido à vacinação, estas doenças raramente fazem vítimas. Grande parte das doenças infecto-contagiosas sofreram, aliás, uma redução de cerca de 90% nos países industrializados. No entanto, há quem não acredite nas vantagens das vacinas.

O Nepal, com os seus picos do Himalaia, templos hindus e preços baixos, foi o local escolhido por aquela família para uma viagem educativa. Em Novembro de 1997, um casal de Nantes pegou nos dois filhos pequenos e voou para Katmandou.

Pouco depois da chegada, adoeceram todos com febre, cansaço, arrepios e dores de garganta. Como os sintomas do filho mais novo piorassem, os pais procuraram um médico. Este informou-os que se tratava duma infecção pela bactéria da difteria, que ataca rapidamente o músculo cardíaco e o tecido nervoso periférico. Os antibióticos administrados pelos médicos locais não surtiram qualquer efeito. Horrorizados, os pais viram o filho de três anos sucumbir à paralisia e a uma paragem cardíaca. Por uma questão de princípios, tinham-se recusado a vacinar os filhos.

Difteria? Há anos que a maior parte dos pais europeus não tem conhecimento de nenhum caso. De facto, as doenças infecciosas que dantes faziam milhões de vítimas tornaram-se felizmente raras, graças à vacinação em massa. A varíola, que ainda em 1967 matou 2 milhões de pessoas, foi erradicada. Os casos de poliomielite sofreram uma redução de 90% em todo o mundo. As mortes causadas pelo sarampo foram reduzidas em 95% nos países industrializados.

Infelizmente, os técnicos de saúde pública têm verificado que este processo está potencialmente em risco. «O enorme sucesso da vacinação produziu um falso sentimento de segurança nos pais», diz o Dr. John Clemens, da Organização Mundial de Saúde. «Se um número significativo de pessoas recusar a vacinação, todo o nosso esforço será posto em risco e as crianças ficarão expostas a novas epidemias.»

O conhecimento médico básico é igualmente baixo. Uma recente sondagem Gallup, por exemplo, mostra que apenas 29% dos europeus sabem que o sarampo, que mata mais crianças em todo o mundo que qualquer outra doença infecto-contagiosa, pode ser evitado com a vacina; e uns escassos 12% sabem que a vacina pode evitar a tosse convulsa. Entretanto, demasiados pais hesitam em vacinar os filhos devido ao crescente cepticismo quanto à vacinação propagandeado por certos grupos de pressão. No entanto, as provas a favor da vacinação infantil mantêm-se esmagadoras. Eis o que todos os pais devem saber:

As Vacinas São Seguras

Em Fevereiro de 1998, um jornal médico internacional descreveu uma possível, se bem que não provada, relação entre a vacina tríplice do sarampo, papeira e rubéola e a doença de Crohn e o autismo. Esta ligação já foi desmentida. O Conselho Inglês de Investigação Médica reuniu um painel de peritos médicos que não encontrou quaisquer provas desta relação. Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como os Centros Americanos Para a Prevenção e Controlo de Doenças publicaram declarações em que negavam a existência de qualquer prova científica que confirmasse essa ligação. E a Associação Nacional dos Surdos-Mudos e da Rubéola lembrou ao público aquilo que é óbvio: que a vacina tríplice já imunizara de uma forma segura milhões de crianças.

Havia, porém, um receio. Os níveis de imunização da tríplice declinaram quando milhares de pais britânicos se recusaram a dá-la aos filhos. Alguns chegaram mesmo a viajar até ao continente para obter vacinas simples, uma vez esgotados as doses na Grã-Bretanha. Desde então, dois novos estudos independentes ingleses publicados em Junho de 1999, voltaram a não descobrir qualquer relação entre a vacina e aquelas doenças.

«Infelizmente, alguns média exageraram a questão da segurança das vacinas, contribuindo para confundir os pais», diz o Dr. Angus Nicoll, da Unidade de Vigilãncia Pediátrica do Royal College de Pediatria e Saúde Infantil. De facto, a maior parte dos efeitos secundários duma vacina, como ligeiro inchaço do braço ou febre baixa, são insignificantes e passageiros. Os efeitos secundários graves são extremamente raros, um por vários milhares ou mesmo milhões de doses.

As Vacinas São Eficazes

Até ao início da década de 90, altura da introdução das vacinas, a gripe de tipo B (haemophilus influenzae tipo b) que provoca meningite, amigdalite grave e pneumonia, constituía um grave risco para as crianças europeias. No Reino Unido, todos os anos esta gripe provocava centenas de infecções graves em crianças jovens. Desde que a vacinação de rotina se iniciou, em 1992, os números desceram de mais de 600 casos por ano para menos de 50.

O sucesso da vacina Hib é apenas mais um dos muitos triunfos médicos deste século. Até à criação das vacinas da pólio, nos anos 50, todos os anos morriam ou ficavam aleijadas milhares de crianças. A vacina da tosse convulsa reduziu o número total de casos de dois milhões em 1980 para 137 000 em 1997. Todos os anos, a vacinação das mulheres contra o tétano, evita mais de 800 000 mortes infantis e 50 000 mortes maternas.

As vacinas não são perfeitas, mas são altamente eficazes. Em média, 95% das pessoas vacinadas contra o sarampo e a pólio, 84% vacinadas contra a difteria, e entre 70 e 80% vacinadas contra a tosse convulsa, ficam imunizadas. As probabilidades de não contrair a doença favorecem fortemente quem fez as vacinas. Uma criança que não tenha sido vacinada, exposta aos agentes patogénicos de qualquer destas doenças, corre mais riscos de contrair uma delas.
As Crianças Europeias Ainda Correm Riscos

As epidemias podem ainda ocorrer nos países desenvolvidos se estes descurarem a vacinação. Nos últimos anos, assistiu-se ao regresso de doenças evitáveis pela vacinação e que se pensava serem coisa do passado, como a difteria e a poliomielite.

Um exemplo penoso ocorreu recentemente na antiga União Soviética. Em parte devido à derrocada do serviço de saúde pública, os casos de difteria aumentaram de cerca de 1500 em 1990 para perto de 48 000 e 1700 óbitos em 1994. Pelo menos 20 casos foram importados da Europa Ocidental.

A Holanda teve duas epidemias de pólio desde 1978, com mais de 180 casos e várias mortes. É significativo que os casos se tenham restringido a grupos específicos que por motivos religiosos recusam a vacinação. Comunidades de áreas com índices elevados de vacinação antipoliomielite não foram afectadas.

Um surto mais recente de pólio ocorreu na Albânia em 1996, com 138 casos e 16 mortes. Actualmente, muitos albaneses e habitantes doutras regiões com baixos níveis de vacinação estão a entrar na Europa Ocidental, alerta a Dra. Nicole Guerin. “Hoje em dia há populações clandestinas por toda a Europa. Não nos podemos certificar que foram sistematicamente vacinadas e podem trazer a doença para comunidades com uma boa cobertura de vacinação. Não haverá porém consequências se o nível de vacinação nesses países continuar a ser alto. O risco é muito maior para as pessoas não vacinadas que viajam para países infectados.»

As Doenças Infantis Não São Normais

Alguns adversários da vacinação proclamam que as doenças infantis, em particular o sarampo, são uma forma de a natureza reforçar o sistema imunitário das crianças, como parte do processo de crescimento. «Só há uma imunidade», escreve o investigador australiano, de origem eslovaca, Viera Scheibner, «a imunidade natural que as crianças alcançam sofrendo as doenças infecciosas da infãncia. Elas existem para preparar e aperfeiçoar o sistema imunitário infantil e representam marcos do desenvolvimento.«

«Imunização natural pela exposição das crianças à doença?» questiona o Dr. David Salisbury, chefe do ramo de imunização e doenças contagiosas do Departamento de Saúde do Reino Unido. «Que estupidez! Expor uma criança à pólio para a imunizar contra a doença?»

O sarampo, um dos organismos mais infecciosos que o homem conhece, pode causar pneumonia, encefalite e convulsões, e provocar até um milhão de mortes infantis por ano. A tosse convulsa pode provocar tosse espasmódica durante seis meses ou mais e complicações neurológicas como epilepsia, danos cerebrais e até a morte.

«O movimento anti-vacinação tornou-se num problema crescente na Europa», diz a Dra. Colette Roure, consultora regional sobre imunização no Gabinete Europeu da Organização Mundial de Saúde, em Copenhaga. «As autoridades de saúde pública estão preocupadas com este impacto.» Presentemente, os grupos anti-vacinação são sobretudo formados por um misto de ecologistas e seguidores de medicinas alternativas e têm o apoio dos média.

Uma das folhas informativas de medicinas alternativas mais expandidas na Europa é a What Doctors Don’t Tell You (O Que os Médicos Não Contam), publicada em inglês, alemão, holandês e hebraico. A sua editora, Lynne McTaggart, é uma jornalista americana radicada em Londres. «No que diz respeito á vacinação, duvidamos como S. Tomé», gosta ela de dizer.

McTaggart. que não vacinou as duas filhas, contou à Reader’s Digest: «Uma população bem nutrida não precisa disso.» Consideremos algumas das suas outras asserções: o sarampo e a papeira são «quase sempre benignos» e «a maior parte dos casos de pólio são infecções inofensivas.» Mas como acentua o Dr. John Clements, da OMS, «Embora a maior parte das pessoas infectadas tenha apenas infecções inofensivas, em relação à pólio, um caso numa centena resultará em paralisia e alguns casos em morte, o que significa que os resultados não serão inofensivos. E todos os infectados são potenciais fontes de infecção para os outros.»

McTaggart, que não tem formação médica, publica na sua folha informativa artigos como «Alternativas cientificamente provadas à medicina convencional.» Curiosamente, também se pode ler na mesma folha informativa a seguinte nota da redacção: «Os editores não assumem a responsabilidade por danos causados por qualquer tratamento, conselho ou informação constantes desta publicação.»

Gini Cloke, de Gloucester, apanhou rubéola durante a gravidez do filho Ian, em 1962, ainda a vacina não estava disponível na Grã-Bretanha. Hoje Ian é cego, surdo e mudo, vive desligado do mundo e dependente dos cuidados constantes duma instituição especial de Birmingham.

«Claro que toda a gente tem direito à sua opinião pessoal sobre a vacinação», diz ela, tolerante. «Só sei é que se eu a pudesse ter feito na altura, nada disto teria acontecido a Ian. Os pais devem pensar muito, muito bem antes de rejeitarem a vacinação.»

* O apelido foi alterado a fim de manter o sigilo médico.

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