Zumbindo no trânsito
Os carros eléctricos são o futuro. Como será conduzir um?
By Mark Klaver
O nosso repórter Marc Klaver ligou o interruptor de um protótipo do Mini E em Munique.
O que mais me impressiona no carro é o facto de me parecer tão «normal». Ok, não tem tubo de escape. E os autocolantes dos lados são bastante indiscretos. Ah, e a bagageira, ou o que sobra da bagageira, já que boa parte é ocupada pela bateria. No entanto, conseguimos «espremer» a nossa mala para caber lá dentro.
Vamos! Ligo a ignição e não se ouve um som. Acende-se um par de luzes e um indicador mostra-nos que temos a bateria carregada a 100% para uma autonomia de 140km. Não é muito, mas dá para uma bela volta em Munique. Passamos o manípulo para o «D», tal como em qualquer caixa de velocidades. Tiramos o pé do travão … e arrancamos. O ligeiro zumbido do motor eléctrico mistura-se com o barulho dos pneus. Suave!
Decidimos ir para a auto-estrada. Sem o mais pequeno esforço, o MINI E atinge a velocidade máxima. O motor eléctrico é mesmo potente! Por um instante, atingimos os 160km/h. A velocidade diminui assim que se tira o pé do acelerador. Mal preciso dos travões e, com isso, conseguimos recarregar um pouco a bateria.
Conduzir o MINI E não é diferente de conduzir um carro convencional. A excepção é o facto de acelerar mais rapidamente e raramente ser preciso usar os travões na cidade.
Na Baixa de Munique, seguimos o curso do rio Isar e parámos no Deutsches Museum. O porteiro sorri-nos e acena: há outro MINI E estacionado num carregador no pátio! Infelizmente, não o podemos utilizar: precisaríamos de uma reserva especial. Mas não é necessário, ainda temos alguma carga na bateria. Partimos rumo ao centro da cidade ao longo do Viktualiemarkt, com o seu animado jardim da cerveja e mercado permanente de comida.
No exterior do tradicional restaurante bávaro que escolhemos para almoçar, as pessoas espreitam para o interior do nosso MINI. Um casal de turistas olha-nos com espanto quando arrancamos novamente. Não são as únicas caras de surpresa que veremos no caminho. É que mesmo no coração de uma cidade tão agitada se dá conta de que este é um carro realmente silencioso. O dia chega ao fim, tal como a bateria. É o que o indicador nos mostra, porque não há a menor alteração na resposta do carro. Claro que o nosso roteiro ainda inclui a Maximilianstrasse, onde os ricaços de Munique fazem compras.
Atravessamos o rio e no final vemos o fantástico Maximillaneum. Agora, chegou mesmo a altura de levar o carro para casa. O computador de bordo diz-nos que apenas temos autonomia para 40km. Uma luz avisadora começa a piscar e conseguimos cortar a meta a tempo.
Foi uma experiência incrível. O MINI E é silencioso, limpo, não requer virtualmente manutenção e tem uma condução muito económica. E é tão potente! Ainda há algum trabalho a fazer nesta gama, mas, afinal, trata-se de um protótipo. Com um futuro promissor!
| Um carro eléctrico é relativamente caro. Este MINI ainda nem sequer está à venda. O que podemos é mostrar-lhe o custo por quilómetro. Por exemplo: custo de uma carga completa (28 kWh), €6,72 (€0,24 por kWh). Autonomia durante o test drive: apr. 120km, €0,056 por quilómetro. Mini Diesel (3,9 l/100 km @ €1,14), €0,044 por quilómetro Mini 1.4 gasolina (5,3 l/100 km @ €1,49), €0,079 por quilómetro. Dados os parâmetros de fábrica para o consumo de combustível, a versão a diesel é a mais barata. Mas o ponto de viragem para o MINI eléctrico (por oposição ao diesel) será a autonomia de 150 km. Não falta muito para que esse ponto seja ultrapassado. |
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Inversão de papéis?
Quase um século após a Detroit Electric ter lançado um carro eléctrico, o motor movido a electricidade está de volta. Os grandes fabricantes estão a levar a cabo experiências com baterias recarregáveis. São secundados por empresas iniciantes como a Tesla, a Think, a Fisker e a Pininfarina.
O híbrido mais barato da Toyota: o Auris
Toyota contra Honda Insight. No último Salão Automóvel de Frankfurt apresentou o Full Hybrid Auris. A tecnologia é baseada no Prius, e quer os consumos, quer os níveis de emissões, tornam-no passível de isenção fiscal em muitos países.
Trigémeos eléctricos
Este é um carro compacto de quatro lugares que vai entrar no mercado no final deste ano. Com um motor eléctrico de 47 kW que pode chegar aos 130 km/h com uma autonomia de 130 km. Originalmente, era o motor que equipava o Mitsubishi i-Miev, mas agora pode ser vendido no Peugeot iOn e no Citroën C Zero.
Nissan Leaf
A Nissan parece ser o primeiro fabricante de automóveis a comercializar um carro eléctrico a um preço acessível. O Leaf é um compacto de média dimensão com cinco lugares e bagageira. Tem uma autonomia (teórica) de 160 km, e o seu motor de 80 kW atinge uma velocidade máxima de 140km. A partir do final do ano.
A Renault aposta forte
Na Exposição Automóvel de Frankfurt, na Alemanha, apresentou nada mais nada menos que quatro modelos conceptuais, dos quais o Fluence Z.E. («Zero Emission» – Emissões Zero, em português) parece ser a opção mais promissora. Nos próximos dois anos, a empresa francesa vai lançar os seus modelos eléctricos.
Carregável em casa
Mais para o final deste ano, a General Motors vai apresentar o Chevrolet Volt/Opel Ampera. O que é mais especial neste modelo é a presença de um pequeno motor de combustão para recarregar as baterias, se necessário. O motor de propulsão do carro é sempre eléctrico. O Volt/Ampera pode ser completamente recarregado em casa.
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