Assistimos actualmente ao esverdeamento da globalidade das políticas europeias, das empresas e das paisagens industriais. Os imperativos verdes levam no presente a que quase tudo o que produzimos – automóveis ecológicos, energias, trabalho, tecnologias, finanças, políticas e iniciativas governamentais – seja «verde».
No entanto, subsistem ainda grandes disparidades no compromisso ecológico entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE). A maioria encara o engajamento ecológico como uma oportunidade, mas alguns Estados-membros terão de ser coagidos a cumprir as directivas draconianas emanadas de Bruxelas.
Enquanto cidadão europeu, certamente que se interessará em conhecer o ecodesempenho do seu país. A Reader’s Digest consultou os diversos relatórios sobre ecologia existentes a nível mundial e seleccionou os cinco principais indicadores, verdes que importa realmente conhecer. A partir dos referidos indicadores, procedeu-se ao somatório dos resultados totais e à ordenação dos países relativamente ao seu sucesso ecológico global. A campeã verde da Europa (União Europeia, Noruega e Suíça) é a Suécia, seguida de perto pela Suíça.
Ser verde está no ADN sueco.
Perde-se a conta ao número dos projectos ecológicos existentes na Suécia. Referindo apenas alguns, encontramos um hospital que no Verão é arrefecido pela neve que é recolhida no Inverno, escritórios refrigerados com água do mar, carrinhas militares e tractores florestais com motores híbridos e a Estrada E14, de 500 km, que atravessa a Suécia, apetrechada para ser a «auto-estrada verde», com estações de abastecimento que disponibilizam biocombustível, etanol, colza, gasóleo e electricidade.
A madeira extraída de florestas sustentáveis fornece aquecimento e iluminação e também componentes para mais de 2000 produtos anteriormente fabricados com petróleo, tais como: pneus de carros de corrida, agentes de ligação para comprimidos para as dores de cabeça, têxteis e até tripas para salsichas. Mais: o facto mais relevante de todos é a existência de uma atitude «podemos fazer» na Suécia relativamente à adopção de medidas ecológicas.
Até 2020, metade do total da produção energética será ecológica, com automóveis livres de petróleo e gasóleo em 2030 e com todo o país empenhado para atingir a neutralidade de emissões de carbono até 2050. «Estamos a lançar a estratégia verde mais ambiciosa da Europa», defende o ministro sueco do Ambiente, Andreas Carlgren.
Enquanto apologistas da ecologia, os Suíços não ficam muito atrás. A rede ferroviária da Suíça é de tal forma boa que em Zurique menos de um terço das pessoas que viajam para os seus locais de trabalho utiliza automóvel. O edifício da Câmara Municipal, o terminal do aeroporto, as escolas e um grande hotel são aquecidos e arrefecidos por condutas subterrâneas de ar, uma tecnologia recente e de baixo custo. O pavilhão da Suíça na Expo Xangai de 2010 está rodeado de imensas cortinas de luzes suspensas alimentadas por células de energia solar.
O Euro-poder Verde
Ao verificar as tabelas dos cinco e studos ambientais internacionais, de um modo global a Europa destaca-se enquanto líder global. A capacidade para produzir electricidade verde será o factor-chave que permitirá à Europa manter-se na corrida global, assistindo-se presentemente ao recurso a um novo argumento de peso para a adopção das energias limpas – é bom para a carteira.
«Estamos a entrar numa era na qual qualquer um de nós pode gerar electricidade e partilhá-la com o utros através de uma “super-rede” inteligente, tal como se faz actualmente na produção e partilha de informação na Internet», diz Jeremy Rifkin, um pensador visionário, que aconselha muitos governos da UE. «A Europa tem os conhecimentos para liderar a mudança para as energias renovávei s e guiar o Mundo para uma nova era económica.»
Esta nova era poderá constituir a terceira Revolução Industrial. A primeira permitiu o abastecimento do Mundo a carvão, a segunda, a petróleo, e a terceira, a fontes renováveis, quais seja m o vento, o sol e as ondas, os quais não esgotam os recursos do planeta.
Dentro de 10 anos, está prevista a entrada em funcionamento de uma rede energética orçada em 30 000 milhões de euros para unir várias fontes de energias renováveis em nove países em redor do mar do Norte, incluindo a Irlanda e o Luxemburgo. Centenas de quilómetros de cabos submersos possibilitarão o estabelecimento de uma ligação entre estações eólicas situadas nas ventosas terras altas britânicas com a energia de correntes na Bélgica, as barragens hidroeléctricas na Noruega e os painéis solares alemães, para que todos se tornem parte de um enorme sistema verde.
O país líder nesta revolução é a Alemanha. O desastre nuclear de Chernobyl e os derramamentos de produtos tóxicos no Reno nos anos 80 tiveram como consequência o rápido desenvolvimento de uma consciência ambiental na Alemanha que perspectivou o esverdeamento como oportunidade de negócio. Presentemente, tem o maior número de estações eólicas per capita e lidera mundialmente no que se refere a energia solar.
Só em Berlim há mais de 30 institutos de investigação e uma centena de empresas que se dedicam às energias alternativas e a produtos ecológicos. Convencionou-se que este é o «Ano da Energia», e o Governo Germânico está a financiar a investigação energética com 620 milhões de euros. «A revolução verde já começou», afiança Peter Löscher, responsável pela Siemens, o maior grupo de engenharia da Europa. «Em 2020, na Alemanha a tecnologia v erde terá ultrapassado a indústria automóvel e o sector de engenharia.»
A tecnologia limpa (clean-tech) é um conceito empresarial inteiramente novo no qual a Europa lidera o Mundo. A Suécia tem à volta de 5000 empresas de clean-tech, com um tremendo potencial de crescimento. Em toda a Europa, as empresas que aliam negócio com ecologia estão a prosperar.» Tornando-se verde, a Europa passou a constituir um laboratório gigante para o repensar do futuro da Humanidade», afirma Rifkin.
Com os carros e as indústrias baseadas nos recursos petrolíferos a serem consideradas ultrapassadas, a Comissão Europeia está a investir milhares de milhões nesta nova visão. «Estamos à frente», diz Janez Potonik, comissário para a ciência e a investigação: «Não podemos dar-nos ao luxo de perder esta oportunidade de liderar a revolução verde.»
A mecânica do índice ecológico
A nossa base de dados europeia sobre o desempenho ambiental baseia-se em cinco indicadores. O posicionamento de cada um dos 29 países europeus relativamente a cada um dos cinco indicadores é listado e os resultados parciais são somados, constituindo tal somatório a pontuação total obtida por cada país. Os pases mais verdes são os q ue apresentam as pontuações totais mais baixas.
Indicador 1
EPI – Environmental performance index (índice de desempenho ambiental)
Este complexo índice, desenvolvido pelas Universidades de Yale e de Colúmbia, ordena 163 países, posicionando- os uns relativamente aos outros face a 25 parâmetros, que vão desde a utilização de pesticidas e qualidade do ar aos detritos e preservação de habitats.
Os países europeus lideram a lista, já que 24 das nações da Europa em 29 ultrapassam os Estados Unidos da América. A Islândia é o melhor país no Mundo, em grande medida devido à sua energia geotérmica limpa. Seguem-se-lhe a Suíça, a Suécia e a Noruega, a par da Costa Rica.
Indicador 2
HPI – Happy planet index (índice do planeta feliz)
A satisfação com a vida, a esperança de vida e a pegada de carbono combinam-se neste índice para demonstrar até que nível os recursos existentes em cada país se traduzem em vidas felizes. Compilado pela londrina New Economics Foundation, com o apoio da Friends of the Earth UK (Amigos do Ambiente do Reino Unido), este índice granjeia o consenso geral de ser um indicador mais fiável que o PIB (produto interno bruto), utilizado pelos economistas para medir o sucesso de vida. «Mostra como se pode atingir elevados níveis de bem-estar e satisfação geral com a vida com o consumo de menos recursos», explica Saamah Abdallah, autor do mais recente relatório.
Indicador 3
CCPI – Climate c hange performance in dex (índice de desempenho de alterações climáticas)
As actuais emissões dos gases d o chamado efeito de estufa, tais como o CO2, constituem as bases fundamentais desta escala, assim como o alcance e a eficácia das políticas governamentais relativas às alterações climáticas. A comparação entre os 57 países responsáveis por 90% das emissões mundiais de carbono originadas pelo Homem é compilada pela Germanwatch, sediada em Berlim, e pela Climate Action Network Europe, sediada em Bruxelas. «Mostra que nenhum país está a fazer o suficiente», afirma Jan Burck, da Germanwatch. «O Brasil ganha à Suécia enquanto melhor do Mundo.» O Reino Unido e a Alemanha têm a mesma pontuação. «O Reino Unido está a melhorar o desempenho de forma rápida através da adopção de uma política coerente que se perspectiva ser adoptada a uma distância tão grande como o ano de 2050», defende Burck. A Letónia tem o mais baixo índice de emissão de gases de efeito de estufa per capita, ultrapassando por grande margem países como o Luxemburgo e a Estónia.
Indicador 4
Biodiversidade
Florestas primitivas, montanhas, lagos e costa marítima onde espécies autóctones de fauna e flora podem viver colocam a Suíça e a Finlândia no topo do campeonato europeu de biodiversidade. Ainda assim, estes países ocupam apenas, respectivamente, a 17.ª e a 23.ª posições no Mundo, depois de um conjunto de nações africanas.
A biodiversidade é provavelmente a medida mais fiável da saúde e felicidade geral do nosso planeta, segundo James Leape, director da WWF International. A chanceler a lemã Angela Merkel concorda: «A questão da diversidade biológica está ao mesmo nível da protecção ao clima», afirmou recentemente no lançamento do «Ano da Biodiversidade 2 010», uma iniciativa das Nações Unidas. Os principais ecossistemas europeus são zonas de cultivo (33%), florestas (30%) e pastagens (16%). As áreas urbanizadas representam a penas 2%. Temos 250 mamíferos, 700 aves, 90000 insectos e 31000 plantas. E não menos de 80000 locais de iniciativa governamental para a protecção de espécies. O melhor país europeu na protecção de habitats ameaçados é Portugal, com 100% dos habitats «em risco» protegidos.
Indicador 5
RES – Renewable energy systems (sistemas de energia renovável)
A Alemanha, com as suas 20 000 estações eólicas e algumas das maiores fábricas de energia solar fotovoltaicas do Mundo, está na dianteira neste domínio por uma grande margem de vantagem relativamente aos demais países. Seguem-se-lhe a Espanha e a Noruega. O Reino Unido está a registar grandes progressos, tendo planos para construção de 7000 estações eólicas a uma distância de até 100 km da c osta e a quinta eólica de maior dimensão da Europa, no estuário do Tamisa, que assegurará o fornecimento de energia aos Jogos Olímpicos de Londres. A Noruega e a Suíça têm ambas a bênção de grandes recursos hídricos, e a Letónia e a Áustria retiram muita energia da estilha de madeira.