Desce-se em direcção ao rio Judeu, atravessando o pitoresco núcleo histórico da povoação da Arrentela, que se desenvolve em anfiteatro voltado para o rio.
Os vestígios arqueológicos da época romana encontrados na Quinta de S. João levam-nos a concluir da importância desta povoação, pelo menos desde esse período histórico. Na Idade Média era já um núcleo piscatório e naval de destaque, embora tivesse sido com a expansão portuguesa que mereceu um lugar de relevo devido à sua situação estratégica em relação à Ribeira das Naus, em Lisboa, e favorável para a construção naval. Aqui, o Tejo forma um abrigo natural e possuía uma praia adequada para a construção naval. Antes da criação do porto de Lisboa, há cerca de um século, estas praias abrigadas eram os melhores espaços para a construção e reparação navais.
Rapidamente se atravessa esta povoação pelas suas escadarias e ruas estreitas e atinge-se a estrada marginal, que leva ao núcleo naval museológico, pólo do Ecomuseu Municipal do Seixal, onde funciona uma oficina de carpintaria naval para a construção de miniaturas de embarcações tradicionais do Tejo e uma exposição temática subordinada à vida náutica no Tejo, com a apresentação de instrumentos da construção naval, quer de calafates, quer de carpinteiros navais, modelos e desenhos de embarcações. É um percurso pelo espaço da construção e da navegação no Tejo. Esta exposição permite conhecer a história da construção naval tradicional de madeira.
Neste passeio, pode observar-se de perto a baía do Seixal nas várias tonalidades que pode apresentar ao longo do dia, conforme as marés: preia-mar ou baixa-mar. Estamos num sítio onde a paisagem se modifica várias vezes ao dia, pelo que vale a pena apreciar também este efeito das marés.
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