Porque dói?
Uma separação conjugal é uma ferida narcísica que abala violentamente a auto-estima e segurança pessoal. A vivência emocional associada, quer no momento da separação, quer na recuperação, é semelhante ao trabalho de luto – no fundo, perdemos uma pessoa querida, não porque tenha morrido, mas porque vai desaparecer das nossas rotinas e da nossa presença e temos que aprender a viver sem ela.
O que pode fazer?
Este sofrimento é normal e não requer tratamento desde que não ultrapasse uma certa intensidade e não se torne crónico. Caso contrário, consulte o seu médico, que poderá eventualmente prescrever-lhe medicamentos antidepressivos.
Ultrapassar o sentimento de solidão e abandono é uma questão de tempo. Lute contra o isolamento e a vontade de ficar só. Uma separação pode ser um traumatismo profundo que traz consigo um sentimento de culpabilidade e de derrota contra o qual é preciso lutar: deixe-se ajudar pelos amigos, pela família, alargue o seu círculo de relações e comece novas actividades sociais. Após um divórcio, o refazer da vida amorosa é uma eventualidade possível a mais ou menos longo prazo. Não a ponha de parte.
É importante também falar aos filhos. É sempre inútil esconder-lhes demasiado tempo o conflito conjugal. Explique-lhes a situação da forma mais simples e clara que conseguir e, sobretudo, não invente explicações falsas. Procure preservar o laço que eles têm com o outro progenitor e respeite os seus sentimentos em relação a ele. Explique-lhes também a diferença emocional entre a relação conjugal e a relação entre pais e filhos: mesmo quando os pais se separam, continuam a ser pais e amam os filhos do mesmo modo.
Manter uma relação conjugal insatisfatória e desgastante por causa dos filhos é muitas vezes a pior solução – eles sentem-se mais felizes e crescem mais saudáveis se ambos os pais estiverem tranquilos, disponíveis (e felizes), embora com casas e vidas separadas.
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