6 dicas para viajar mais barato
Em família ou sozinho, descubra o Mundo sem ir à falência.
Por Jacinthe Tremblay
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Em 1999, no alpendre de uma villa sobranceira a uma das bacias dos Andes, saboreei uma refeição simples a convite de um velho homem com quem me tinha cruzado uma hora antes num trilho de Cajón del Maipo, no Chile. O señor Eduardo, decano da Faculdade de Agricultura da Universidade de Santiago no tempo de Salvador Allende, estudou em Ottawa e conheceu o exílio depois do golpe de Estado de Augusto Pinochet. Ao regressar, fundou o santuário ecológico Cascada de las Animas, que visitei nesse dia.
Depois de descobrir este paraíso no meu guia Lonely Planet sobre o Chile, apanhei, por menos de 2 dólares ida e volta, um autocarro que assegurava o trajecto desde a capital, Santiago, a cerca de 50km.
Falar com os «locais», contar com bons guias e viajar o mais possível em transportes públicos: eis alguns dos truques para saborear o planeta a baixo custo. Sonha voar para o estrangeiro mais frequentemente? Descobrir o Mundo? Levar a sua família por trilhos secretos sem pagar uma fortuna? É possível! Sei que sim porque já o fiz. Sozinha, a dois e depois os dois com duas crianças. Desde que cresceram parto ainda mais à aventura. E quando as Selecções me confiaram este pequeno guia do «viajar por menos», pedi auxílio a duas outras aventureiras que sabem fazer render o dinheiro.
Flore Fournier, que trabalha na Universidade Laval, viaja com frequência com o seu companheiro, Michel, e os filhos adolescentes. Isabelle Laporte, a minha segunda «conselheira profissional» é solteira e livre de compromissos ou horários. Durante três anos, esta jornalista free-lance inundou-me de correio com proveniência de, pelo menos, 20 cidades estrangeiras. Desde Novembro de 2008, passeia-se pela Ásia, sendo Singapura o seu porto de abrigo mais recente.
1. A melhor preparação é a informação
Os viajantes de última hora em direcção ao desconhecido são a receita ideal para o fiasco, que espreita logo à saída do aeroporto. «Táxi!» E pronto! O orçamento acaba de levar uma facada. Isabelle evita o golpe identificando com antecedência a paragem e o autocarro que a levam ao hotel. E sabe, mesmo antes de levantar voo, onde comprar o bilhete de autocarro. Obrigada, Internet! «Informar-se antes e durante a estada é mesmo a chave para as economias de viagem», assegura.
Também Flore e a sua família são adeptos da Grande Rede, visitando virtualmente, por vezes meses antes, os destinos dos seus périplos. «Em família, cada um tem de encontrar o que pensa fazer. É melhor negociar os acordos com antecedência.» O ponto essencial deve assentar nas despesas mais pesadas desde que se sai de casa: alojamento, alimentação, transportes locais e divertimentos. O conselho é válido também para os «tudo incluído», pois a factura dos extras pode crescer muito depressa.
2. Aproveite a loucura das tarifas aéreas
Tem de apanhar um avião? São centenas de dólares de economia à distância de alguns cliques na Net. Prova disso: as oportunidades reveladas em Junho no Expedia que permite comparar facilmente preços de grandes companhias aéreas. Tem alguma flexibilidade de datas? Faça o teste: em vez da ida a um sábado e de volta a um domingo, levante voo quinta-feira e volte na segunda.
3. Fuja da época alta
Uma das melhores maneiras de poupar é viajar o mais possível em época baixa. Os preços podem chegar a metade. Foi com esta astúcia que Flore e o seu clã puderam pagar férias na Costa Rica durante três semanas em 2005. Foram no Verão, em plena época das chuvas, mas as tempestades tropicais não duram, normalmente, mais de uma hora por dia e não lhes estragaram a viagem. E no Inverno? «Em vez de partir na semana de pausa, em Março, e pagar uma exorbitância, fazemos esqui com frequência nas redondezas», explica Flore.
Também pode conciliar-se a época alta com os preços baixos, na condição de não se precipitar nos destinos ultraconcorridos. Bernard Gendron, presidente do Voyages Gendron, sugere, por exemplo, os estados do Sudoeste Americano, sendo os pontos principais Salt Lake City, Tucson e Las Vegas. Nesta última, o mercúrio marca entre os 13 e os 20°C no Inverno. «Em Tucson, no Arizona, como não há férias durante as festas, os preços dos quartos são baixos», explica. «Por menos de 3000 dólares, voo incluído, 4 pessoas podem ficar uma semana.» No programa: museus, cidades fantasmas, golfe e cumes com neve.
Mesmo assim, prefere ir molhar os pés na água quente de uma praia mexicana ou cubana durante a época alta? Para pagar mais barato, Jérôme Guidollet aconselha comprar os pacotes com dois a três meses de antecedência … ou no último minuto. Entre essas datas, é uma fortuna. «Também podem encontrar-se bagatelas em destinos e hotéis novos. Oferecem preços mais atractivos para construir uma carteira de clientes», explica.
4. Durma sem pesadelos
Ironicamente, dormir é muitas vezes a actividade mais cara em viagem. Para reduzir os custos de alojamento, a minha amiga Flore evita mudar a toda a hora e fica, pelo menos, quatro dias no mesmo sítio. «Por vezes, é possível negociar o preço dos quartos se ficarmos mais tempo», explica Flore. «Fico muitas vezes surpreendida com o sucesso que tenho.» Ainda por cima, as estadas mais longas permitem aproveitar ao máximo o sítio visitado.
Durante as férias no parque de campismo em Tadoussac, Flore conta que os vizinhos paravam somente um dia, o tempo de uma excursão para ver as baleias. Escapava-lhes o parque marinho do Saguenay-Saint-Laurent, as dunas de areia e outras atracções. «Nós ficámos uma semana, sem nos aborrecermos nem por um momento», diz ela.
Por sua vez, Isabelle é membro de um CouchSurfing, uma rede internacional de intercâmbio de alojamento gratuito entre particulares. Recebeu pessoas em Montreal e depois foi ela que utilizou este recurso na América, na Europa e, mais tarde, na Ásia. Em cerca de 50 experiências, só uma recorda como má. «O meu anfitrião era simpático, mas os seus lençóis não eram lavados há meses», recorda. Pelo contrário, no Kuwait, uma simpática senhora veio buscá-la ao aeroporto, ofereceu-lhe um lanche de boas-vindas e organizou uma festa em sua honra.
Outro truque é afastar-se das zonas turísticas. Normalmente, fico hospedada nos arredores dos centros das cidades. Para além de se dormir mais barato, também se come a um preço mais acessível.
5. Varie os transportes
Desde que as crianças chegam à idade de carregar as próprias bagagens, a família Fournier-Goulet começou a recorrer com mais frequência aos transportes públicos no estrangeiro. Flore não segue esta regra à risca e por vezes aluga um carro ou apanha um táxi – os motoristas podem ser embaixadores do charme de uma cidade, igualando qualquer guia turístico. Isabelle prefere informar-se antes de aterrar. «Já me aconteceu apanhar um táxi por não saber se um autocarro podia levar-me até onde queria», reclama. Desde então, esforça-se por sair do avião com um mapa detalhado da rede de transportes públicos.
Ou então, assim que chega, dirige-se ao Gabinete de Turismo local, do qual anotou a morada cuidadosamente antes de partir, de onde sai com mapas detalhados. Sábia precaução! Em Praga, deitei 20 dólares à rua para ir a um encontro. O motorista perdeu-se nos sentidos únicos e deixou-me na morada errada. Estava no ponto de partida, à distância de duas estações do metro. Preço do bilhete: cerca de 1,50 dólares.
6. Procure a autonomia alimentar
Comer pode devorar fortunas. Flore e o seu clã evitam a catástrofe e dão preferência a locais onde possam preparar as suas próprias refeições. Levando alguns ingredientes-base e uma faca na bagagem e comprando o resto no destino, pode deleitar-se a preço baixo. Flore leva também muitas vezes o seu próprio café e cereais. E para manter o leite fresco, nada melhor que o balde de gelo do hotel. Isabelle, por sua vez, anda sempre com saquetas de café instantâneo na mala. «É mais fácil encontrar água quente do que um expresso.» A principal recomendação é falar com as pessoas do sítio. Melhor do que ninguém, sabem fazer-vos descobrir os tesouros do seu país.
Flore e os seus tiveram essa experiência na Costa Rica. No dia seguinte à chegada a San José, em Julho de 2005, apanharam um autocarro para Sarchi, uma aldeia de artesãos a cerca de 50km. Eram os únicos turistas a bordo, e as saudações em espanhol despertam a simpatia e gera-se um ambiente muito animado.
Na chegada a Sarchi, o autocarro pára porque todos estavam aos gritos, já que o motorista deixou passar a paragem dos quebequianos. No regresso, uma passageira entoa uma canção tradicional do país. «É um dos momentos mais inesquecíveis das nossas férias. Entrámos em contacto com os Ticos, e eles tomaram conta de nós», conta Flore. Em viagem, não hesite em confraternizar com as pessoas do sítio. Guiar-vos-ão pelas maravilhas que têm. É o último conselho dos nossos globe-trotters e vale ouro.
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